O Rio Grande é um município brasileiro localizado no litoral sul do Estado do Rio Grande do Sul que, possui, de acordo com o Censo 2022, uma população estimada em 191.900 habitantes e, em 2021, contou com o 4º maior PIB dentre os municípios gaúchos. Situada no bioma pampa, fica no extremo sul do estado do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa Mirim, a Lagoa dos Patos (a maior laguna do Brasil) e o Oceano Atlântico.
A cidade construiu a sua riqueza ao longo de sua história devido à forte movimentação industrial. O Porto de Rio Grande é o quarto em movimentação de cargas no Brasil e o município é sede da Refinaria de Petróleo Riograndense, inaugurada em 1937 como ''Refinaria Ipiranga'', a primeira construída no Brasil, e que hoje é capaz de processar 17 mil barris de petróleo por dia. Quanto ao IDH, em 2010, Rio Grande era o 131º dentre os municípios gaúchos e o 667º do Brasil.
A cidade de Rio Grande foi fundada pelo brigadeiro José da Silva Paes, em 1737, como forte Jesus-Maria-José, tornando-se a vila de Rio Grande de São Pedro em 1751 e a cidade de Rio Grande, em 27 de junho de 1835, servindo então como capital imperial da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul em meio à recém iniciada Revolução Farroupilha.
O município, juntamente com Arroio do Padre, Capão do Leão, Pelotas e São José do Norte, constitui uma das três aglomerações urbanas do Rio Grande do Sul, sendo classificada como centro sub-regional 1.
Rio Grande possui quatro cidades-irmãs:
San Carlos, Uruguai. (Desde 05 de Julho de 2006)
Colônia do Sacramento, Uruguai. (Desde 17 de Janeiro de 2026)
Águeda, Portugal. (Desde Setembro de 1993)
Peniche, Portugal. (Desde 31 de Março de 2026)
Rua Luís de Camões, em Águeda, uma das quatro cidades irmãs de Rio Grande.
Até a chegada dos primeiros europeus à região, ela se situava no limite entre o território dos índios minuanos, ao sul, e o dos índios carijós, ao norte. A área de Rio Grande já era mostrada em mapas holandeses décadas antes do início da colonização portuguesa na região. Por volta de 1720, bandeirantes vicentistas vindos de Laguna chegaram à região de São José do Norte para buscar o gado cimarrón (selvagem) vindo das missões, possibilitando a posterior fundação do Forte Jesus, Maria, e José de Rio Grande, em 1737.
Nesse ano, uma expedição militar portuguesa a mando de José da Silva Paes foi enviada com o propósito de garantir a possessão das terras situadas ao sul do atual Brasil. Em 19 de fevereiro, Silva Paes fundou o presídio de Rio Grande, uma colônia militar na desembocadura do Rio São Pedro, que liga a Lagoa dos Patos ao Oceano Atlântico. Este presídio é o Forte Jesus-Maria-José, que constituiu o núcleo da colônia de "Rio Grande de São Pedro", fundada oficialmente em maio do mesmo ano. O termo "Rio Grande" é uma alusão à desembocadura da Lagoa dos Patos no Oceano Atlântico, e a origem do nome do próprio estado.
A escolha do lugar, com o estabelecimento de estâncias de gado, permitiu apoiar as comunicações por terra entre Laguna e Colônia do Sacramento. Assim, foi fundada a cidade mais antiga do estado do Rio Grande do Sul. Mesmo que já existissem os Sete Povos das Missões, de domínio espanhol, com povoados de formação jesuíta e que posteriormente ganharam o status de cidade, oficialmente o estado foi colonizado pelos portugueses onde Rio Grande é a cidade mais antiga que também deu nome ao Rio Grande do Sul.
Em 1760, Rio Grande, que até então estava sujeita à Capitania de Santa Catarina, passou a ser a capital da nova Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, dependente do Rio de Janeiro.
Em 12 de maio de 1763, o espanhol Pedro de Ceballos, governador de Buenos Aires, invadiu a então vila de Rio Grande, cuja fundação e militarização eram contestadas pela Espanha. Conquistou, então, o forte e removeu os portugueses até São José do Norte, na margem oposta a Rio Grande — a qual também seria ocupada por Ceballos, passando a capital da capitania à população de Viamão em 1766. Os povoadores portugueses que não fugiram até Porto dos Casais foram transladados por Ceballos a Maldonado, dando origem ao povoado de São Carlos. Na noite de 6 de julho de 1767, as tropas portuguesas, por ordem do governador da Capitania do Rio Grande do Sul, coronel José Custódio de Sá e Faria, depois de violentos combates, expulsaram os espanhóis de São José do Norte.
No início de 1774, o Marquês de Pombal determinou uma concentração militar expressiva no sul do Brasil, entre outros objetivos, com o intuito de retomar o vila do Rio Grande. De acordo com Luiz Henrique Torres, mais de 4 mil homens foram distribuídos entre São José do Norte, Rio Pardo e Porto Alegre. Contudo, foi já no contexto da Guerra hispano-portuguesa (1776-1777) que cessou a permanência espanhola na vila, pois, em 1º de abril de 1776, o Tenente-General Johann Heinrich Bohm, com o apoio de Rafael Pinto Bandeira, atacou os fortes de "Santa Bárbara" e "Trindade" e dispersou os espanhóis em uma ação conjunta de forças do Exército do Sul e da Esquadra Naval.
Pedro de Ceballos foi o primeiro vice-rei do Vice-reino do Rio da Prata e, ao ser nomeado, recebeu a ordem de deter a expansão portuguesa. Em princípios de 1777, Ceballos e seus homens recuperaram a Ilha de Santa Catarina, sem disparar um só tiro, já que a esquadra portuguesa abandonou a ilha. Em 21 de abril chegou a Montevidéu, onde atacou o Forte de Santa Teresa, no atual departamento uruguaio de Rocha, e dirigia-se mais uma vez contra a cidade de Rio Grande quando recebeu notícias de um tratado de paz assinado entre Espanha e Portugal, que o obrigava a retirar-se da cidade.
Já entre o final do século XIX e o início do XX, a cidade de Rio Grande participou da primeira fase da industrialização brasileira, considerada uma industrialização dispersa, produzindo mercadorias para o mercado nacional, sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, e para o mercado estrangeiro, o que fora impulsionado pela posição privilegiada do seu porto. O capital associado estava ligado ao comércio e a cidade atraiu investimentos fabris, compreendendo indústrias têxteis, de alimentos, de charutos, dentre outros bens de consumo não duráveis, sendo que as instalações, normalmente, contavam com centenas de operários, embora a Companhia União Fabril Rheingantz, cujo complexo foi inaugurado em 1873, possuísse mais de 1.200 funcionários durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). De acordo com Luiz Henrique Torres, em 1918, "cerca de 6 mil operários atuavam nas indústrias locais". A Rheingantz, dedicada à fabricação de tecidos de lã, foi ideia do comerciante Carlos Rheingantz, sendo considerada por Peter Singer como o verdadeiro marco inicial da indústria no Rio Grande do Sul. Outras fábricas rio-grandinas a destacar foram: a Leal, Santos & Companhia, filial de uma empresa portuguesa, produtora de alimentos em conserva e biscoitos; a Poock & Cia de Charutos, fundada pelo imigrante Gustavo Poock; a Companhia de Fiação e Tecelagem Rio Grande, fundada por Gustavo Hessemberger, logo adquirida por um grupo empresarial italiano e depois dirigida localmente; Liopart, Mata & Cia, fabricante de alpargatas. Aliás, a produção da citada Poock, fabricante de charutos, chegou a ultrapassar sete milhões de peças por ano.