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Rio Grande do Sul

Unidade federativa do Brasil

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Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Encontra-se situado na região Sul do país. Tem como limites: ao norte, com Santa Catarina. Ao sul, com os departamentos uruguaios de Artigas, Rivera, Cerro Largo, Treinta y Tres e Rocha. A leste, com o Oceano Atlântico. A oeste, com as províncias argentinas de Misiones e Corrientes. Conta com mais de quatrocentas municipalidades e sua superfície total é de 281 730,223 km², correspondendo a 3,3% da área do país, sendo pouco mais extenso que a República do Equador. Porto Alegre é sua capital, e Piratini se torna sua capital simbolicamente nos dias 20 de setembro de todos os anos. Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Canoas e Santa Maria são as maiores cidades. O relevo é formado por uma grande baixada, ocupada ao norte por um planalto. Os mais importantes rios são Uruguai, Pelotas, Jacuí, Antas, Taquari, Ibicuí, Ijuí e Camacuã. Tem um clima subtropical. Sua economia está alicerçada na agricultura (milho, soja, arroz e trigo), criação de gado e indústria (de couro e calçados, alimentícia, têxtil, madeireira, metalúrgica e química).

Com 11,4 milhões de habitantes, ou cerca de 5,4% da população brasileira, é o 6º estado mais populoso do Brasil, podendo ser comparado com a Ruanda no número de habitantes. A população gaúcha é uma das mais diversificadas do país e descende principalmente de italianos e alemães, que começaram a imigrar para o país no fim do século XIX. Sua população é em boa parte formada por descendentes de portugueses, alemães, italianos, africanos, libaneses e indígenas, em pequena parte por espanhóis, poloneses e franceses, dentre outros imigrantes.

Em 1627, missões jesuíticas perto do rio Uruguai foram fundadas por jesuítas espanhóis. No entanto, em 1680, os portugueses desalojaram os castelhanos, no momento em que a Coroa Portuguesa decidiu tomar posse de seu domínio, criando a Colônia do Sacramento. Os Sete Povos das Missões foram estabelecidos pelos jesuítas espanhóis, em 1687. Em 1737, uma expedição militar portuguesa, liderada por José da Silva Pais, ocupou a Lagoa Mirim, marcando assim a vinda dos portugueses à região. A vila de Porto dos Casais, mais tarde denominada Porto Alegre, foi criada pelos povoadores portugueses em 1742. Em 1801, acabaram os conflitos pela reconquista das terras, entre Portugal e Espanha. Nessa época, os próprios gaúchos tomaram posse dos Sete Povos das Missões, anexando essa região ao seu território. Em 19 de setembro de 1807, a região foi promovida à condição de Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Na primeira metade da década de 1820, transforma-se em província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, que começaria a se converter no atual estado do Rio Grande do Sul, após a declaração da república. Desde 1824, começaram a vir grupos de colonizadores da Alemanha e da Itália. A sociedade estancieira começou então a conviver com a pequena fazenda, ampliando a variedade de sua produção. No decorrer do século XIX, o Rio Grande do Sul foi cenário de revoluções republicanas, como a Guerra dos Farrapos (1835–45). E envolveu-se na luta contra Rosas (1852) e na Guerra do Paraguai (1864–70). As lutas políticas locais foram intensas no começo da República e somente na gestão de Getúlio Vargas (1928-1930) o estado foi apaziguado.

É o estado mais meridional da federação e conta com o quinto maior PIB, superado apenas por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, e o sexto IDH mais elevado do país. Em certos locais do estado, como a Serra Gaúcha e a região rural da metade sul, ainda é possível ouvir dialetos da língua vêneta (talian) e do alemão (Hunsrückisch, Plattdeutsch). O Rio Grande do Sul foi apontado em 2014 pelo jornal americano The New York Times como o lugar com mais traços europeus do Brasil. Embora o estado tenha elevados custos econômicos (dados de 2025) e apresente o maior percentual de idosos no país, ele conta com bons indicadores sociais, tais quais possuir a segunda menor taxa de mortalidade infantil, a quarta maior renda domiciliar, a quinta maior expectativa de vida e taxa de alfabetização, e a sexta posição dentre os estados em que os trabalhadores são mais bem remunerados. Por outro lado, o Rio Grande do Sul sofre com a disparidade econômica entre a metade norte, considerada industrial, e a metade sul, considerada agrária. O estado também é conhecido por sua culinária, tendo o arroz de carreteiro, o chimarrão, o churrasco e o galeto ao Primo Canto como pratos típicos.

Conforme Antenor Nascentes, autor do Dicionário etimológico da língua portuguesa, é a tradicional designação da foz do Rio Grande, o escoadouro da lagoa dos Patos, e estado brasileiro. Capitania colonial em 1760, província imperial em 1822 e unidade federativa em 1889. A denominação se origina do canal que conecta a laguna dos Patos com o oceano Atlântico (Henrique Martins, autor de Corografia do Brasil, 17). Em 1737, o denominado continente de São Pedro (que possuía o núcleo de povoamento de Rio Grande) se transformou em uma Comandância Militar subalterna do Rio de Janeiro. E proclamou sua autonomia pelo decreto de 19 de setembro de 1807.

Os habitantes naturais do Rio Grande do Sul são denominados gaúchos, rio-grandenses-do-sul ou sul-rio-grandenses. O gentílico no masculino do singular é gaúcho e no feminino, gaúcha. É uma palavra oriunda do castelhano gaucho, um adjetivo que, aplicado às pessoas pode significar “nobre, valente e generosa” ou “camponês experimentado em pecuária tradicional”, ou ainda “velhaco, astuto, dissimulado ou ardiloso experiente”, mas também podendo ter o sentido de “vagabundo, contrabandista, desregrado e desprivilegiado”.

Povos nativos e colonização europeia

Os primeiros humanos (paleoíndios) chegaram ao que é hoje o território gaúcho há 12 mil anos, conforme indicam os vestígios arqueológicos encontrados em várias partes do estado, sobretudo na Campanha Gaúcha. Na época da chegada dos primeiros europeus ao Brasil, o que é hoje o Rio Grande do Sul era habitado pelos indígenas minuanos, charruas e xoclengues. Os indígenas sul-rio-grandenses eram excelentes produtores de cerâmica e, na caça, utilizavam as boleadeiras, até os dias atuais uma das ferramentas do peão gaúcho.

Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), o atual território do Rio Grande do Sul era pertencente à Espanha. Por séculos, essa região fez parte do Império Espanhol, inicialmente ao Governo da Nova Andaluzia e, posteriormente, à Governação do Rio da Prata. A partir de 1627, os espanhóis começaram a penetrar na margem esquerda do Rio Uruguai, em terras gaúchas, por meio dos jesuítas, vindos do Paraguai, que fundaram missões jesuíticas para catequizar os indígenas. Inicialmente, as missões surgiram no oeste rio-grandense e foram surgindo outras nas nascentes dos rios Ibicuí e Jacuí (como São Tomé, São Miguel e São Cosme e Damião) e na bacia do Jacuí (como Jesus Maria José, Santa Teresa e Santa Ana), chegando, inclusive, próxima à atual Porto Alegre. Logo em seguida, vieram os bandeirantes vindos de São Paulo, como Raposo Tavares, que invadiam as missões jesuíticas do atual Rio Grande do Sul para capturar indígenas para escravizar. Como resultado dos ataques às missões, o seu gado se dispersou pelos campos rio-grandenses. Mesmo com a derrota dos paulistas na Batalha de M’Bororé (1641), isso não foi suficiente para a fixação das missões, pois já havia um grande êxodo indígena desde o ataque de Raposo Tavares em 1637, se dirigindo para a região que hoje é chamada de Mesopotâmia Argentina.

A expansão da América Portuguesa para o sul começou nas décadas de 1640 e 1650, quando os paulistas fundaram Paranaguá, Curitiba e São Francisco. Um pouco mais tarde, surgiram Desterro e Laguna. A região do atual Rio Grande do Sul voltaria a ser alvo de cobiça dos reinos ibéricos a partir de 1680, quando os portugueses fundaram, nas margens do Rio da Prata, no atual Uruguai, a Colônia do Sacramento. Nos dez anos seguintes, os espanhóis voltaram a atenção para o território rio-grandense, ali fundando missões jesuíticas conhecidas como Sete Povos das Missões (São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio). Nessa época, o gado dos campos começou a ser explorado por portugueses e espanhóis e, mais tarde, por gente de São Paulo e de Laguna.

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