Neste Dia

Ritchie

Cantor e músico anglo-brasileiro

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Richard David Court (Beckenham, 6 de março de 1952), artisticamente conhecido como Ritchie, é um cantor e compositor britânico.

Residente no Brasil desde 1972, é autor de diversos sucessos como "Menina Veneno", "A Vida Tem Dessas Coisas", "Pelo Interfone", "Casanova" e "Voo De Coração".

Ritchie nasceu em Beckenham, Condado de Kent, sul da Inglaterra. Filho de pai militar, viveu em vários países, como Quênia, Dinamarca, Itália, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia.

Embrenhou-se na música cantando no coral de uma igreja na Alemanha. Foi interno na Tormore School e Sherborne School para, alguns anos depois, ingressar no curso de literatura inglesa na Universidade de Oxford (até pelo menos 2014, sua matrícula ainda se encontrava aberta). Com 20 anos, abandonou os estudos para tocar flauta na banda londrina Everyone Involved, com que gravou o LP-protesto Either/Or junto com outras bandas que contestavam a construção de um viaduto sobre Picadilly Circus, em West End. O LP foi distribuído gratuitamente. Durante as gravações desse disco, Ritchie foi apresentado a um grupo de brasileiros pelo guitarrista Mike Klein. Entre eles, estavam Lucinha Turnbull, Rita Lee e Liminha, estes dois últimos, d'Os Mutantes, em visita à capital inglesa para comprar instrumentos. Ficaram amigos e o convite para conhecer o Brasil foi feito.

No final de 1972, Ritchie desembarcou em São Paulo, com a intenção de passar três meses de férias. Na cidade, ele formou a banda Scaladácida com o baterista Azael Rodrigues, o guitarrista Fabio Gasparini e o baixista Sérgio Kaffa. O grupo fez vários shows na cidade e foi sondado pela gravadora Continental. Mas Ritchie ainda não tinha o visto de permanência e o contrato não pôde ser assinado. Scaladácida terminou suas atividades no final de 1973 e Ritchie se mudou com 21 anos de idade para o Rio de Janeiro pouco após casar-se com a arquiteta e estilista Leda Zuccarelli.

Na capital fluminense, integrou o grupo de jazz-rock Soma (Bruce Henry, baixo; Alírio Lima, percussão; Tomás Improta, piano) como backing vocal e flautista.

Em 1975, reforça os quadros d'A Barca do Sol como flautista, grupo então composto por Nando Carneiro (violão, guitarra e vocal), Muri Costa (violão, viola e vocal), Jaques Morelenbaum (celo, violino e vocal), Beto Rezende (viola e percussão) e Alain Pierre (baixo e percussão).

Ainda em 1975, juntou-se à segunda escalação da banda de rock progressivo Vímana e assumiu, finalmente, os microfones para cantar em inglês. Ritchie apostava em seu inglês nativo para se dar bem no Brasil, onde os vocalistas não falavam bem o idioma. A banda, formada por Lobão (bateria), Luiz Simas (teclados), Lulu Santos (guitarra) e Fernando Gama (baixo), participou da peça musical A Feiticeira, de Marília Pêra, e fez shows, principalmente, no Museu de Arte Moderna, no Teatro Galeria e no Teatro Tereza Rachel, todos no Rio.

O compacto, lançado em 1977 pela Som Livre, trazia "Zebra" e "Masquerade" (esta com letra em inglês, do Ritchie), mas não estouraram e o grupo acabou no mesmo ano. Sem perspectivas e ouvindo de gravadoras que o rock não tinha mais vez no Brasil, começou a dar aulas de inglês para músicos como Egberto Gismonti, Paulo Moura e a cantora Gal Costa, e decidiu abandonar a música.

Em 1980, Ritchie recebeu o convite de Jim Capaldi, do Traffic, para regressar a Londres e participar de seu álbum solo, Let the Thunder Cry, como arranjador de vocais. No elenco desse disco, figuram o saxofonista Mel Collins, o percussionista Reebop Kwaku-Baah (Traffic) e os bateristas Andy Newmark (John Lennon) e Simon Kirke (Free, Bad Company).

De volta ao Brasil, em 1982, procurou Bernardo Vilhena, letrista do Vímana, para compor seu primeiro trabalho-solo cantado somente em português. Na época, Ritchie pretendia fazer algo synth-pop a exemplo de grupos como Soft Cell, Depeche Mode, The Human League e A Flock of Seagulls. Ele pensava especificamente na vertente new romantic, executada por Duran Duran, Visage, Culture Club e Spandau Ballet.

Liminha, naquele momento produtor da Warner, gravou algumas canções com Ritchie numa sessão que envolveu também o guitarrista inglês Steve Hackett (ex-Genesis). Liminha tentou convencer a Warner a lançar o material, mas André Midani não viu potencial no que ouviu, algo de que ele se arrependeria mais tarde.

A CBS, na pessoa de seu diretor Claudio Condé, gostou do material (no caso, demos de "Voo de coração" e "Baby, meu bem") e deu a Ritchie a tarde do dia 31 de dezembro de 1982 para regravar as canções em 24 canais, pois haviam sido gravadas em oito. Em vez disso, ele decidiu gravar "Menina Veneno", que havia composto com Bernardo. No dia seguinte, procurou Claudio, que ficou impressionado com o material.

As vendas do compacto simples (CBS), lançado em fevereiro de 1983 com "Menina veneno" e "Baby, meu bem", ultrapassaram as 500 mil cópias, um marco na história do mercado fonográfico brasileiro, e a canção foi a mais vendida daquele ano no país. Tanto sucesso esse que fez com que a canção "Menina Veneno" fosse a mais executada nas rádios do Brasil no ano de 1983.

Porém, o sucesso chegou mesmo com o LP Vôo de Coração (Epic/CBS), em junho de 1983. Um milhão e duzentas mil cópias do álbum (que tinha os hits "Menina veneno", "A vida tem dessas coisas", "Casanova", "Pelo interfone" e a faixa-título) evaporaram das lojas.

Além de Ritchie (voz, Casio MT40 e flauta), o disco contou com os músicos Lulu Santos, Steve Hackett (guitarras), Lauro Salazar (piano e sintetizadores), Liminha (baixo), Lobão (bateria), Zé Luis (sax), Chico Batera (percussão) e a turnê de divulgação do álbum resultou em 139 shows no Brasil, Peru e Paraguai. Com seu primeiro pagamento da CBS, comprou uma cobertura no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, que a atriz Tônia Carrero havia colocado à venda.

Em 1984, ganhou o Troféu Imprensa na categoria Cantor do Ano, onde concorria com Roberto Carlos e Tim Maia.

Nesse ano, lançou E a Vida Continua (EPIC/CBS), que manteve a parceria com Bernardo Vilhena ("A Mulher Invisível", com Steve Hackett), "Insônia" e "O Homem e a Nuvem", "Trabalhar é de lei", "Mulheres!", "Sopra o Vento" (tema da novela da Globo A Gata Comeu de 1985) além de novas parcerias com Chris Moore (na faixa, "Gisella"), e os comparsas Lobão (em “Bad Boy”) e Liminha (em “Bons amigos”), este último produtor do álbum, além das autorais e a faixa-título. O disco não vendeu tão bem quanto o anterior, atingindo a marca de 100 mil cópias vendidas. Ritchie alegou que sentiu que a CBS não se dedicou tanto ao disco em termos de divulgação. Anos mais tarde, num show em Angra dos Reis, um radialista o abordou e acusou a gravadora de tê-lo oferecido um jabá para não tocar "A Mulher Invisível".

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