Rivaldo Vítor Borba Ferreira (Recife, 19 de abril de 1972) é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista, amplamente reconhecido como um dos maiores da história do futebol brasileiro e mundial. Conhecido por sua versatilidade, inteligência tática e habilidade técnica, Rivaldo fez parte do grupo dos "4Rs", ao lado de Ronaldo, Romário e Ronaldinho Gaúcho, considerados os quatro maiores jogadores brasileiros das últimas décadas. Sua carreira internacionalmente reconhecida teve grandes momentos, especialmente no Barcelona, onde foi campeão espanhol em 1998 e 1999, viveu seu auge e foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999. Foi também uma peça chave na conquista do pentacampeonato com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão, onde se destacou com atuações decisivas.
Revelado pelo Santa Cruz, Rivaldo passou por diversos clubes ao longo de sua carreira, incluindo o Corinthians, onde ganhou destaque nacional, e o Palmeiras, onde tornou-se ídolo ao conquistar o Campeonato Brasileiro de 1994 e o Campeonato Paulista de 1996. Também teve uma passagem marcante pelo Deportivo La Coruña, sua porta de entrada no futebol europeu, onde atuou por apenas uma temporada, mas o suficiente para chamar a atenção do Barcelona. Além disso, passou por Milan, Cruzeiro, Olympiacos, AEK, entre outros. Após encerrar sua carreira em 2015, jogando pelo Mogi Mirim, continuou a ser reverenciado como um dos grandes ídolos do futebol brasileiro e mundial.
Embora não fosse um atacante de ofício, Rivaldo se destacou com frequência por sua capacidade de balançar as redes, graças à sua precisão em chutes de média e longa distância, cobranças de falta, voleios e até bicicletas. Sua altura (1,86m), excelente posicionamento e grande impulsão tornavam-o ainda mais perigoso nas jogadas aéreas. Apesar de sua aparente lentidão, possuía uma habilidade rara de se mover com agilidade, surpreendendo adversários com sua classe e visão de jogo.
Além das conquistas dentro de campo, Rivaldo também foi imortalizado no universo da cultura pop, sendo homenageado no anime Super Campeões como o personagem "Rivaul", o melhor jogador do FC Catalunha, inspirado em sua carreira no Barcelona. Em 2004, foi incluído por Pelé na lista dos 125 maiores jogadores vivos da FIFA, a FIFA 100, e também integrou o All-Star Team das Copas de 1998 e 2002, seleção dos melhores jogadores das edições do torneio.
Nascido no bairro da Encruzilhada, Recife, Pernambuco, assinou contrato profissional com o Santa Cruz aos dezenove anos, em 1991, depois de ter impressionado olheiros locais em um torneio pelo Paulistano Esporte Clube, clube do município onde morava, Paulista, situado na região metropolitana da capital pernambucana. Ainda nas categorias de base, chegou a participar de algumas partidas no Campeonato Pernambucano de 1990 (marcando um gol), ajudando o Santa Cruz a conquistar o título. Após destacar-se com o Santa na Copa São Paulo de Juniores, em 1992 foi trocado por cinco jogadores com o Mogi Mirim e nem voltou a Pernambuco após o torneio. Foi para o clube do interior paulista juntamente com os colegas Válber e Leto.
No Sapão, participou com eles da conquista da Série A2 do Campeonato Paulista, na equipe que ficou conhecida como "Carrossel Caipira" e e que continha também o zagueiro Capone. Mesmo ali, Rivaldo não era considerado a maior promessa, e sim Válber, embora já ali demonstrasse habilidade no então incomum posicionamento misto de meia e atacante.
Em meados de 1993, em que Rivaldo foi notícia também por um gol do meio de campo, o Corinthians conseguiu o empréstimo dele e de outros jogadores-chave do Mogi: Válber, Leto e o ala Admílson.
No Corinthians foi mal no Rio-São Paulo de 1993, perdendo para um Palmeiras mesclado de reservas. No Brasileiro, contudo, Rivaldo não desapontou, marcando onze gols no torneio e ganhando a Bola de Prata da revista Placar como um dos melhores meio-campistas.
Não foi bem no Campeonato Paulista de 1994; o Timão acabou desistindo de contratá-lo em definitivo, após não conseguir reduzir seu preço. O Palmeiras, em parceria com a patrocinadora Parmalat, resolveu apostar nele e pagou 2,4 milhões de reais ao Mogi para tê-lo.
Chegou ao arquirrival para a disputa do Campeonato Brasileiro daquele ano, já após a Copa do Mundo FIFA de 1994. Estreou pelo Verdão no dia 14 de agosto, na goleada por 4–1 contra o Paraná, em jogo válido pelo Brasileirão. Rivaldo logo viveu grande fase, tendo sido vice artilheiro do campeonato com 14 gols e o grande maestro da conquista do oitavo título palmeirense no torneio. De quebra, vingou-se de seu ex-clube, contra quem a final foi disputada: marcou dois gols na vitória por 3–1, no primeiro jogo e, no jogo de volta, fez o gol de empate por 1–1 a dez minutos do fim da partida, acabando com as esperanças alvinegras de esboçar alguma reação. Agora como palmeirense, recebeu nova Bola de Prata seguida, desta vez como um dos melhores meias.
Ainda no Palmeiras, conquistou a Copa Euro-América (marcou um hat-trick na goleada por 6–1 sobre o Borussia Dortmund e o gol palmeirense no empate por 1–1 contra o Flamengo, sendo o artilheiro) e o Campeonato Paulista de 1996, em que o time teve excepcional poder ofensivo, ultrapassando 100 gols. No total pelo alviverde, o meia atuou em 128 partidas (81 vitórias, 26 empates e 21 derrotas) e marcou 69 gols.
Deportivo La Coruña e Barcelona
Rivaldo tinha ido aos Jogos Olímpicos já como jogador do Deportivo La Coruña, para onde foi vendido após o título paulista. O meia-atacante chegou ao time da Galícia com a missão de substituir o ídolo local Bebeto, que havia ido para o Flamengo. Rivaldo teve uma ótima temporada, fazendo 21 gols, que ajudaram a conduzir o Depor ao terceiro lugar da La Liga de 1996–97.
Durante o Troféu Teresa Herrera, o Barcelona contactou Rivaldo disposto a pagar a sua cláusula de rescisão de contrato. O jogador alegou que estava feliz no La Coruña e pediu um salário três vezes superior ao inicialmente oferecido. O Barcelona aceitou a contraproposta, a negociação foi tornada pública e o brasileiro foi vaiado durante o jogo do Troféu Teresa Herrera contra o PSV Eindhoven.
Uma temporada depois, Rivaldo já era jogador Barcelona, chegando ao clube catalão para substituir desta vez ninguém menos que Ronaldo, que se transferira para a Internazionale. Os quase trinta milhões de dólares que o Barça pagou por ele seriam bem recompensados, com Rivaldo ganhando no clube o que seu "antecessor" não conseguira, o título da Liga Espanhola, que voltava aos blaugranas após três anos. Faturou ainda uma Copa do Rei, uma supercopa europeia e mais uma liga espanhola. Suas jogadas espetaculares e gols variados pelo Barcelona fizeram com que ele fosse eleito o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA em dezembro de 1999.
Na semana seguinte ao prêmio, Rivaldo entrou em atrito com o treinador Louis van Gaal. O técnico insistia em posicionar o brasileiro como ponta-esquerda enquanto que sua preferência era por jogar mais centralizado. Segundo Rivaldo: "Fazia três anos que ele me fazia jogar pela ponta-esquerda e eu sempre fui um 10, não um 11. Eu me rebelei e, em uma partida contra o Atlético de Madrid, troquei de roupa, fui embora e ele ficou muito bravo". Em seguida, o jogador brasileiro foi deixado no banco numa partida contra o Rayo Vallecano. Segundo Van Gaal, Rivaldo no dia seguinte ao prêmio declarou que a partir dali ele jogaria de camisa 10 e não mais de ponta. O técnico ficou furioso com a arrogância e irritado porque o brasileiro não reconhecia a contribuição da equipe para a sua vitória na Bola de Ouro. Van Gaal acabou demitido no final da temporada, mas retornou em 2002 e pediu a venda de Rivaldo. O jogador respondeu: "Ele está com inveja porque ganhei uma Copa do Mundo pela qual ele nem conseguiu se classificar."
Em junho de 2002, ainda antes da Copa, o Barcelona liberou Rivaldo de seu contrato um ano antes de seu término, e o brasileiro mostrou-se satisfeito, pois a equipe estava recontratando seu desafeto, o treinador neerlandês Louis van Gaal. Sendo assim, em julho ele assinou um contrato de três anos com o Milan. Mesmo tendo participado dos títulos da Copa da Itália e da Liga dos Campeões da UEFA, estava insatisfeito com a reserva no clube italiano. Não parecia contar com a simpatia do técnico Carlo Ancelotti, que não havia ordenado a contratação do brasileiro (e sim o presidente Silvio Berlusconi). Rivaldo, que já disputava posição com o português Rui Costa, perdeu mais espaço ainda com a surpreendente grande fase que Kaká apresentou assim que chegou aos rossoneri, em meados de 2003.