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Robert Hooke

Cientista inglês que descobriu as células

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Robert Hooke (Freshwater, Ilha de Wight, 18 de julho de 1635 – Londres, 3 de março de 1703) foi um polímata e cientista experimental inglês do século XVII, uma das figuras-chave da revolução científica.

Robert Hooke (1635–1703) foi um cientista inglês, nascido em Freshwater. Hooke teve uma infância muito conturbada. Era filho do reverendo John Hooke, de religião anglicana, ministro da paróquia local, e foi o penúltimo dos seus quatro filhos. Seu pai John Hooke suicidou-se em 1648, deixando ao filho uma quantia de 100 libras, pois, tinha em mente que seu filho pudesse tornar-se um relojoeiro.

Quando Hooke foi para Londres, levou suas reservas da herança e apresentou ao Dr. Busby, o reitor da escola, que lhe dedicou grande amizade, constituindo-se em incentivador constante de sua carreira. Doutor Busby era o melhor amigo de Robert Hooke, reitor da Universidade de Oxford. Ambos nutriam paixão ardente por Elizabeth Bernays, empregada doméstica de Busby.

Apesar de seus problemas de saúde, sempre demonstrou grande interesse pela mecânica. Quando tinha 14 anos, foi enviado para Londres, onde estudou arte brevemente com o retratista Peter Lely (1618–1680), o que presumivelmente ajuda a explicar seus belos desenhos posteriores. Depois, ingressou na Westminster School, sempre se destacando pela sua aptidão para mecânica. Aos 18 anos, mudou-se para o Christ Church College, Oxford, como corista, e essa nomeação provavelmente foi facilitada pelo fato de que ele já havia demonstrado habilidade para tocar órgão.

De origem pobre, era provável que o esnobismo e o preconceito da época criassem obstáculos ao longo de sua carreira científica. No entanto, Hooke conseguiu demonstrar talento acadêmico suficiente para ingressar na Oxford University, em 1653, onde começou como assistente de laboratório de Robert Boyle (1627-1691), em 1655, que futuramente colaborou para os estudos sobre gases, se destacando em mecânica.

Hooke fez muitos amigos importantes em Oxford, incluindo o renomado arquiteto Christopher Wren, o clérigo e polímata John Wilkins (1614–1672) e o astrônomo Seth Ward (1617–1689). Esse ilustre grupo esteve entre os responsáveis pela fundação da Royal Society de Londres em 1660, cuja finalidade era promover a pesquisa.

Apesar de sua notória contribuição para a ciência, a pesquisa de Hooke foi sustentada por seus trabalhos lucrativos como arquiteto e topógrafo em Londres. A renda dessas atividades, especialmente na grande reconstrução que se seguiu ao Grande Incêndio de Londres em 1666, deu a ele liberdade financeira para dedicar-se a seus empreendimentos científicos. Em 1675, Hooke participou de um processo de seleção de escolha do local para a construção de um novo observatório em Greenwich, sendo também atuante como parte fundamental do estágio de design desse projeto junto com Christopher Wren (1632-1723), além de ajudar a supervisionar o longo período de construção do edifício. Hooke e Wren já haviam colaborado no projeto da nova Catedral de St. Paul, dando uma ajuda inestimável no problema de como construir sua grande cúpula. Com sua praticidade, Hooke conduziu experimentos em gravidade e pressão do ar a partir do alto teto do antigo St. Pauls' e até tentou instalar um telescópio gigante dentro do monumento do Grande Incêndio, mas, infelizmente, sem sucesso.

Hooke continuou seu envolvimento no novo e dramático horizonte de Londres ao projetar, novamente com Wren, o The Monument to the Great Fire of London, uma coluna oca de 65 metros (202 pés) de altura erguida para lembrar a tragédia do terrível Grande Incêndio que devastou Londres e mudou completamente sua organização urbana.

Devido ao Grande Incêndio de Londres em 1666, Hooke desempenhou um papel importante no planejamento da reconstrução da cidade. Na verdade, menos de uma semana após o fim do incêndio, ele produziu um modelo para reconstruir a área queimada. Ele foi um dos três topógrafos oficiais do projeto e projetou vários edifícios em conjunto com Christopher Wren. Ele adquiriu reputação como um arquiteto habilidoso, embora em muitos casos seja impossível separar suas contribuições das de Wren.

Em 1674, Robert Hooke foi contratado para projetar o novo Bethlem Royal Hospital. O novo hospital foi projetado para acomodar 136 pacientes em dois andares, com oferta igual para homens e mulheres. O local ficava encostado no Muro de Londres, próximo à igreja de All Hallows. Hooke adotou um método de construção de estacas únicas para garantir boa ventilação. Essa escolha levou a um edifício longo e estreito. Ele combinava a disposição monástica de uma cela para cada paciente com um amplo corredor semelhante às galerias das grandes casas. Cada cela tinha uma pequena janela gradeada voltada para o sul, sem vidros. As galerias ficavam voltadas para o norte e eram envidraçadas. A última da série de pinturas de Hogarth, A Rake's Progress (No Manicólogo), mostra como as galerias eram usadas. Ao criar a sala da galeria, Hooke introduziu um arranjo que seria usado no projeto de hospitais psiquiátricos por mais de 200 anos. Externamente, o edifício era em estilo barroco e tinha quase 600 pés de comprimento. As galerias percorriam todo o comprimento do edifício, mas eram interrompidas por grades. O bloco administrativo central e os pavilhões finais eram revestidos de pedra. O edifício era decorado com pilastras, balaustradas, plataformas de observação e cúpulas, dando uma impressão de considerável grandeza que lembrava um palácio. Essa semelhança gerou comentários de zombaria e a comparação do hospital ao Palácio de Versalhes levava ao questionando se essa construção arquitetônica era ideal para acomodar lunáticos. Estátuas de "loucura melancólica" e "loucura delirante", do escultor dinamarquês Cibber, ficavam no topo dos postes do portão, anunciando o propósito do edifício.

O caráter de Hooke tinha sérias falhas, que podem ter diminuído seu lugar na história. Ele esteve envolvido em uma série de amargas disputas com várias pessoas, incluindo Newton e Henry Oldenburg, que precederam Hooke como secretário da Royal Society. Hooke sofreu problemas de saúde em seus últimos anos e morreu em Londres em 1703. Seu túmulo não está marcado. É extraordinário que nenhuma semelhança autenticada de Hooke tenha sobrevivido, e isso talvez seja único entre os cientistas ilustres de sua época.

Morreu deixando 9 580 libras e uma pequena propriedade na Ilha de Wight. Nunca se casou ou teve filhos. Ao seu funeral compareceram todos os sócios da Royal Society, em reconhecimento do seu mérito como cientista. Assim que Hooke morreu, Newton assumiu a Royal Society e a partir daí não foram encontrados retratos autenticados de Hooke.

A contribuição final de Hooke para a literatura científica veio no livro Obras Póstumas que, de forma irônica, abria com uma dedicatória a Newton. O legado de Hooke sofreu quando Newton assumiu a presidência da Sociedade Real, em 1703, e sistematicamente removeu muitas referências ao rival nos 24 anos seguintes. Ainda assim, Hooke permanece como "um dos pensadores mais inventivos e versáteis da revolução científica", uma figura fundamental, que combinou experiências práticas com vasto conhecimento teórico obtido em sua grande biblioteca (com volumes emprestados ou não). Talvez mais importante do que tudo, Hooke defendeu a visão de que instrumentos precisos eram tão essenciais para o arsenal de um cientista quanto um lápis para um arquiteto ou o pincel para um artista. A ciência transformou-se de uma disciplina puramente contemplativa para um campo de atuação caracterizado por testes práticos e experimentação, o que o próprio Hooke descreveu como uma "reforma na filosofia".

Em 1662, Hooke foi escolhido para ser o primeiro curador de experimentos da Royal Society, onde suas responsabilidades eram fornecer três ou quatro experimentos em cada reunião. Essa tarefa árdua nem sempre foi cumprida, mas Hooke foi extremamente ativo com muitas demonstrações e comentários. O cargo também lhe dava a custódia exclusiva das chaves da biblioteca da sociedade, e Hooke frequentemente abusava desse privilégio removendo volumes eruditos e manuscritos preciosos para estudo no conforto de sua casa. Em 1663, a sociedade finalmente consentiu em tornar Hooke um membro pleno.

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