Robert Strange McNamara (São Francisco, 9 de junho de 1916 – Washington, D.C., 6 de julho de 2009) foi um empresário e político norte-americano que serviu como o 8º Secretário de Defesa dos Estados Unidos de 1961 a 1968 durante as presidências de John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, período em que ele teve um importante papel no aumento do envolvimento norte-americano na Guerra do Vietnã. Depois de sair do cargo ele serviu como presidente do Banco Mundial até 1981. McNamara foi o responsável por instituir a análise de sistemas na política pública, que se desenvolveu no que hoje é conhecido como análise política. Ele consolidou as funções de inteligência e logística do Departamento de Defesa em duas agências: a de Inteligência de Defesa e a de Logística de Defesa.
Antes de entrar na política, McNamara foi um dos veteranos da Segunda Guerra Mundial que ajudou a Ford Motor Company a se reerguer depois do conflito, brevemente servindo como seu presidente antes de se tornar Secretário de Defesa.
Começo da vida, educação e serviço militar
Robert McNamara nasceu em São Francisco, na Califórnia. Seu pai era Robert James McNamara, um gerente geral de uma loja de sapatos, e sua mãe era Clara Nell (Strange) McNamara. A família do seu pai era de origem irlandesa que emigrou para os Estados Unidos por volta de 1850 logo após a Grande Fome (1845–1849). Ele frequentou um colégio em Piedmont, se formando em 1933. McNamara foi então estudar na Universidade da Califórnia em Berkeley, se formando em 1937 com um B.A. em economia e um grau em matemática e filosofia. Foi eleito para o Phi Beta Kappa no seu segundo ano e fez parte da equipe de remo. Após se formar, foi completar seus estudos na Harvard Business School, onde conseguiu um M.B.A. em 1939.
Após sua graduação, McNamara foi trabalhar como contador na Price Waterhouse em São Francisco. Ele retornou para Harvard em agosto de 1940 para ensinar contabilidade na faculdade de negócios e se tornou o professor assistente mais jovem e mais bem pago da instituição. Após seu envolvimento num programa para ensinar abordagens analíticas usadas em negócios financeiros para oficiais da Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos, ele decidiu se alistar e recebeu a patente de Capitão no começo de 1943, servindo durante boa parte da Segunda Guerra Mundial no Escritório de Controle de Estatística. Uma de suas responsabilidades era de analisar a eficiência das missões de bombardeamento aéreo, especialmente aquelas feitas por aviões B-29 sob comando do major-general Curtis LeMay na Índia, China e Ilhas Mariana. Ele deixou o serviço militar em 1946 com a patente de tenente-coronel e uma medalha Legião do Mérito.
Em 1946, Tex Thornton, um coronel com quem McNamara havia servido, juntou um grupo de ex oficiais do antigo Escritório de Controle de Estatística para entrarem no ramo dos negócios juntos. Thornton havia lido na revista Life que empresas como a Ford precisavam muito de uma reforma. Henry Ford II, que também era veterano da Segunda Guerra, contratou todo os dez homens do grupo, incluindo McNamara.
Os "Whiz Kids", como ficaram conhecidos, ajudaram a companhia a se recuperar financeiramente através de planejamento, controle e organização mais modernos. Começando como gerente de planejamento e análise financeira, McNamara avançou rápido entre as posições de chefia. Ele foi um dos principais proponentes de um carro mais barato para o mercado, o Ford Falcon no outono de 1959 — um sedan simples e fácil de produzir em larga escala. McNamara também deu ênfase em segurança, como a introdução de cintos de segurança (uma novidade na época) e um volante abobadado, que ajudava o motorista a não se machucar tanto no impacto.
Após a introdução dos modelos Lincoln em 1958, 1959 e 1960 (que não se mostraram rentáveis), McNamara continuou a apoiar carros menores mais populares, como o Lincoln Continental, modelo de 1961, que foi mais bem aceito pelo público e virou um sucesso de vendas.
Em 9 de novembro de 1960, McNamara se tornou presidente da Ford Motor Company, sendo a primeira pessoa a ocupar este cargo que não era membro da família Ford desde 1906.
Após a eleição presidencial de 1960, o Presidente eleito John F. Kennedy (JFK) ofereceu o posto de Secretário de Defesa para Robert A. Lovett, que havia servido na posição durante o Governo Truman; Lovett recusou a oferta, mas recomendou o nome de Robert McNamara. Kennedy tinha ouvido falar de McNamara e sua carreira através de um artigo na revista Time de 2 de dezembro de 1960, e seis dias depois os dois se encontraram, junto com Robert F. Kennedy (irmão e braço direito do presidente eleito). McNamara disse para Kennedy que ele sabia nada sobre governo, a que Kennedy respondeu: "Nós podemos aprender nossos trabalhos juntos. Eu também não sei como ser presidente". McNamara já havia lido o livro de Kennedy, Profiles in Courage, e perguntou se ele realmente tinha escrito sozinho, a que Kennedy respondeu que sim. Kennedy ofereceu também a McNamara o posto de Secretário de Tesouro; após uma semana, ele contactou JFK e afirmou que havia aceitado o posto de Secretário de Defesa, sob a condição de que ele teria a palavra final sobre todos os oficiais apontados para o Departamento de Defesa, algo que Kennedy concordou.
De acordo com Ted Sorensen, Kennedy afirmava que McNamara era a "estrela do time", convocando seus conselhos em assuntos além de segurança nacional, como negócios e economia. McNamara se tornou um dos poucos membros do governo Kennedy a trabalhar e socializar com a família do presidente, se tornando, por exemplo, amigo próximo do procurador-geral Robert F. Kennedy.
Inicialmente, as políticas que o Presidente Kennedy denotou no seu discurso ao Congresso em 28 de março de 1961, guiou McNamara na reorientação do programa de defesa americano. JFK rejeitava o conceito de ataque preventivo nuclear e enfatizava a necessidade de uma estratégia adequada de armamento e ataque nuclear dos Estados Unidos e dos seus aliados. As forças militares dos Estados Unidos, apontou o presidente, deveriam estar sob comando e controle dos civis e a postura defensiva nacional teria a ver com a "vontade de reduzir o perigo da guerra geral impremeditada e irracional". A prioridade das forças armadas americanas no exterior, junto com os aliados, deveria "evitar a erosão do Mundo Livre através da limitação da guerra". Kennedy e McNamara rejeitavam a noção de retaliação em massa por uma postura de "resposta flexível". Os Estados Unidos queriam escolhas e opções numa emergência ao invés de "retirada inglória ou retaliação ilimitada", como o presidente dizia. De uma grande revisão dos desafios militares que os Estados Unidos enfrentariam iniciado por McNamara em 1961 veio a decisão de aumentar a capacidade de "guerra limitada" da nação. Esses movimentos foram significativos porque McNamara estava abandonando as políticas de retaliação massiva do governo de Dwight D. Eisenhower em favor da estratégia de reposta flexível que se apoiava na capacidade americana de conduzir uma guerra não-nuclear limitada.
O governo Kennedy deu ênfase em particular em melhorar as habilidades do país em conter a ameaça do comunismo e suas "guerras de libertação nacional", onde o inimigo preferia ações indiretas, priorizando atos subversivos e ações de guerrilha. Como McNamara disse em um relatório em 1962, "as táticas militares [dos comunistas] eram de snipers, emboscadas e ataques rápidos. As táticas políticas são terror, extorsão e assassinato." Em termos práticos, isso significava treinar e equipar os exércitos dos Estados Unidos, e seus aliados como no Vietnã do Sul, em operações de contrainsurgência.
Este aumento da atenção à força convencional complementou essas preparações das forças especiais. Ele também viu uma expansão nas forças armadas. O número de tropas no serviço ativo havia caído de 3 555 000 em 1953 para 2 483 000 em 1961, aumentando então para 2 808 000 em junho de 1962. Durante o conflito no Vietnã, o contingente dos exércitos americanos chegaria, em 1968, a 3 550 000.