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Robert Oppenheimer

Físico americano conhecido como o "pai da bomba atômica"

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Julius Robert Oppenheimer (Nova Iorque, 22 de abril de 1904 – Princeton, 18 de fevereiro de 1967) foi um físico teórico americano e diretor do Laboratório Nacional Los Alamos durante a Segunda Guerra Mundial. Geralmente é creditado como o "pai da bomba atômica", por seu papel no Projeto Manhattan, o empreendimento de pesquisa e desenvolvimento que criou as primeiras armas nucleares.

Oppenheimer estudou na Universidade Harvard, onde bacharelou-se em química, em 1925. Posteriormente estudou física na Universidade de Cambridge e na Universidade de Göttingen, onde obteve seu doutorado (PhD), em 1927, sob a orientação de Max Born. Ocupou cargos acadêmicos na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e no Instituto de Tecnologia da Califórnia, fazendo contribuições significativas no campo da física teórica, incluindo mecânica quântica e física nuclear. Durante a Segunda Guerra Mundial foi recrutado para trabalhar no Projeto Manhattan e, em 1943, foi nomeado diretor do Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, encarregado de desenvolver as armas nucleares. A liderança e a experiência científica de Oppenheimer foram fundamentais para o êxito do projeto. Ele estava entre aqueles que observaram o teste Trinity, em 16 de julho de 1945, em que a primeira bomba atômica foi detonada com sucesso. Mais tarde, comentou que a explosão trouxe à sua mente palavras da escritura hindu Bagavadeguitá: "Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos". Em agosto de 1945, as bombas atômicas foram usadas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, o único uso de armas nucleares em um conflito.

Após o fim da guerra, Oppenheimer tornou-se presidente do influente Comitê Consultivo Geral da recém-criada Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (CEA). Fez lobby pelo controle internacional da energia nuclear, para evitar a proliferação nuclear e uma corrida armamentista atômica com a União Soviética. Ele se opôs ao desenvolvimento da bomba de hidrogênio, durante um debate governamental de 1949-1950 sobre a questão e, posteriormente, assumiu posições sobre questões relacionadas à defesa que provocaram a ira de algumas facções militares e do governo dos Estados Unidos. Durante a "segunda ameaça vermelha", essas posições, juntamente com as associações anteriores que Oppenheimer tivera com pessoas e organizações afiliadas ao Partido Comunista, levaram à revogação de sua habilitação de segurança em uma audiência perante a CEA, em 1954. Efetivamente despojado de sua influência política direta, continuou a dar palestras, escrever e trabalhar com física. Nove anos depois, por ordem do presidente John F. Kennedy (com Lyndon B. Johnson outorgando a honraria), recebeu o Prêmio Enrico Fermi, como um gesto de reabilitação política. Em 2022, cinquenta e cinco anos após sua morte, o governo dos Estados Unidos anulou sua decisão de 1954 e reafirmou a lealdade de Oppenheimer.

As conquistas e pesquisas de Oppenheimer no campo da física incluem a aproximação de Born-Oppenheimer para funções de onda moleculares, trabalho na teoria de elétrons e pósitrons, o Processo Oppenheimer–Phillips na fusão nuclear e a primeira previsão de tunelamento quântico. Com seus alunos, ele também fez importantes contribuições para a teoria moderna sobre estrelas de nêutrons e buracos negros, bem como para a mecânica quântica, teoria quântica de campos e as interações dos raios cósmicos. Como professor e divulgador científico, ele é lembrado como um dos fundadores da escola americana de física teórica que ganhou destaque mundial na década de 1930. Após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se diretor do Instituto de Estudos Avançados em Princeton, Nova Jérsei.

Julius Robert Oppenheimer nasceu em uma família judia não praticante, na cidade de Nova Iorque, em 22 de abril de 1904. Seus pais eram Ella (nascida Friedman), uma pintora, e Julius Seligmann Oppenheimer, um importador de tecidos bem-sucedido. Robert tinha um irmão mais novo, Frank, que também se tornou um físico. Seu pai nasceu em Hanau, então parte da província de Hessen-Nassau no Reino da Prússia, e veio adolescente para os Estados Unidos, em 1888, com poucos recursos, sem dinheiro, estudos ou conhecimento da língua inglesa. Ele foi contratado por uma empresa têxtil em que se tornou um executivo dentro de uma década, eventualmente enriquecendo. Em 1912, a família mudou-se para um apartamento na Riverside Drive, perto da West 88th Street, em Manhattan — uma área conhecida por suas mansões luxuosas e casas elegantes. Sua coleção de arte incluía obras de Pablo Picasso, Édouard Vuillard e Vincent van Gogh.

Oppenheimer foi inicialmente educado na Alcuin Preparatory School. Em 1911, ingressou na Ethical Culture Society, fundada por Felix Adler para promover treinamento baseado no movimento da Cultura Ética. O pai de Oppenheimer havia sido membro da Society por muitos anos, atuando em seu conselho de administração. Oppenheimer era um aluno versátil, interessado em literatura inglesa e francesa e especialmente em mineralogia. Ele completou o terceiro e o quarto anos letivos em um único ano e pulou metade do oitavo ano. Durante seu último ano escolar, Oppenheimer interessou-se por química. Formou-se em 1921, mas interrompeu seus estudos durante um ano devido a um ataque de colite, durante uma viagem de férias em família a Joachimstal, na Tchecoslováquia. Recuperou-se no Novo México, onde desenvolveu um amor pela equitação e pelo sudoeste dos Estados Unidos.

Aos 18 anos, Oppenheimer ingressou na Universidade Harvard, onde se especializou em química. Harvard também exigia estudos em história, literatura e filosofia ou matemática. Ele compensou o atraso causado pela doença fazendo seis cursos a cada semestre, em vez dos quatro habituais. Foi admitido na sociedade de honra Phi Beta Kappa e obteve pós-graduação em física com base em estudos independentes, o que significa que ele poderia pular cursos básicos em favor dos avançados. Um curso de termodinâmica ministrado por Percy Bridgman suscitou seu interesse em física experimental. Em 1925, após apenas três anos de estudo, Oppenheimer formou-se em Harvard com um Bacharelado em Artes, summa cum laude.

Após ser aceito no Christ's College, Cambridge, em 1924, Oppenheimer solicitou a Ernest Rutherford permissão para trabalhar no Laboratório Cavendish, apesar da carta de recomendação de Bridgman ter sugerido que a física teórica, em vez da experimental, seria sua especialidade, pela falta de jeito de Oppenheimer no laboratório. Rutherford não ficou impressionado, mas Oppenheimer foi para Cambridge mesmo assim; J. J. Thomson acabou aceitando-o, com a condição de que ele completasse um curso básico de laboratório.

Oppenheimer estava muito infeliz em Cambridge e escreveu a um amigo: "Estou passando um tempo bem ruim. O trabalho de laboratório é um tédio terrível, e sou tão ruim nisso que é impossível sentir que estou aprendendo alguma coisa". Ele desenvolveu uma relação de inimizade com seu tutor, Patrick Blackett, futuramente laureado com o Prêmio Nobel. De acordo com o amigo de Oppenheimer, Francis Fergusson, Oppenheimer uma vez confessou ter deixado uma maçã envenenada na mesa de Blackett; ninguém a comeu. Os pais de Oppenheimer convenceram as autoridades universitárias a não apresentar acusações criminais ou expulsá-lo. Em vez disso, Oppenheimer foi colocado em liberdade condicional e teve que fazer sessões regulares com um psiquiatra em Harley Street, em Londres.

Oppenheimer era um alto e magro fumante inveterado, que muitas vezes esquecia de comer durante períodos de intensa concentração. Muitos amigos diziam que ele parecia ser autodestrutivo. Certa vez, Fergusson tentou distrair Oppenheimer de sua depressão aparente dizendo que ele (Fergusson) estava prestes a se casar com sua namorada; Oppenheimer pulou em cima de Fergusson e tentou estrangulá-lo. Oppenheimer foi assombrado por períodos de depressão ao longo de sua vida, e uma vez disse a seu irmão: "Eu preciso da física mais do que de amigos".

Em 1926, Oppenheimer deixou Cambridge e foi para a Universidade de Göttingen para estudar sob a orientação de Max Born; Göttingen era um dos principais centros do mundo para a física teórica. Oppenheimer fez amigos que alcançaram grande sucesso, incluindo Werner Heisenberg, Pascual Jordan, Wolfgang Pauli, Paul Dirac, Enrico Fermi e Edward Teller. Ele era entusiasta nas discussões ao ponto de, às vezes, dominá-las. Maria Goeppert apresentou a Born uma petição, assinada por ela e outros, ameaçando boicotar a aula a menos que ele fizesse Oppenheimer se acalmar. Born deixou-a em sua mesa para que Oppenheimer pudesse ler, e a petição foi eficaz sem uma palavra ser dita.

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