Neste Dia

Roberto Carlos

Cantor, compositor, ator e empresário brasileiro.

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Roberto Carlos Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 19 de abril de 1941) é um cantor e compositor brasileiro. Figura-chave do movimento cultural Jovem Guarda, é considerado um dos principais responsáveis pela popularização do rock no Brasil e um dos pioneiros na introdução de gêneros internacionais — como a música beat, o soul e o funk — no cenário musical do país. Ao longo de sete décadas de carreira, consolidou-se como o artista de maior êxito comercial e um dos mais influentes da história da música brasileira, sendo frequentemente citado pela alcunha de "Rei".

Roberto iniciou sua carreira no final da década de 1950 sob influência do samba-canção e da bossa nova. Com composições próprias, geralmente feitas em parceria com o amigo Erasmo Carlos, fundou as bases para o primeiro movimento de rock feito no Brasil. Com a fama, estrelou ao lado de Erasmo e Wanderléa um programa na Record chamado Jovem Guarda, que deu origem ao movimento de mesmo nome e os alçou ao status de ídolos da geração. Além da carreira musical, estrelou filmes inspirados na fórmula lançada pelos Beatles — como Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa (1970) e Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora (1971).

Na virada para a década de 1970, se tornou um cantor e compositor basicamente romântico, algo que não modificou desde então. Logo também mudava seu público-alvo, que deixou de ser o jovem e passou a ser o adulto. Entre 1961 e 1998, Roberto lançou um disco inédito por ano. Atualmente continua se apresentando com frequência, e estrela anualmente o especial intitulado Roberto Carlos Especial, exibido na semana do Natal pela TV Globo. Dezenas de artistas já fizeram regravações de suas músicas, entre os quais Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia.

1941–1956: Primeiros anos e começo na rádio

Roberto Carlos Braga nasceu na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo, em 19 de abril de 1941, o quarto e último filho de Robertino Braga e Laura Moreira Braga. Seu avô materno, Joaquim Moreira, era português, e sua avó, Anna Moreira, tinha ascendência indígena e negra. Os pais de Roberto saíram, já casados, do interior de Minas Gerais para morar em Cachoeiro. Robertino era relojoeiro e instalou uma pequena loja no centro da cidade. Laura era costureira e atendia uma vasta clientela, porque na época quase não se vendia roupa pronta. A família morava numa casa modesta no alto de uma ladeira no bairro do Recanto. Logo que nasceu, foi apelidado de "Zunga"– apelido relativamente comum na época. Desde cedo mostrou aptidão para a música: adorava assobiar, e, por volta dos 4 anos, já divertia a família cantando músicas do cantor Bob Nelson, seu primeiro ídolo musical. Zunga vestia-se como cowboy, estilo de Nelson, e era incentivado por sua mãe a cantar, também, para as visitas. Laura aprendeu a tocar violão de forma básica na adolescência e repassou seu aprendizado para o filho, que buscou maior aprimoramento se valendo do tradicional método do violonista Canhoto.

Aqueles que o conheceram no período da infância e da adolescência enfatizaram que o jovem Roberto era muito descontraído, sorridente e brincalhão. Tais características não foram abaladas pelo trágico evento que marcou sua vida: em 29 de junho de 1947, dia da Festa de São Pedro, padroeiro de Cachoeiro de Itapemirim, celebrava-se um feriado regado a desfiles, discursos e apresentações musicais que lotavam as ruas da cidade. Roberto estava acompanhado de sua amiga Fifinha, com quem foi assistir ao festejo durante a manhã; visando encontrar um bom ponto para enxergar o desfile de um grupo escolar, ficaram próximos aos trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina e não perceberam quando uma locomotiva a vapor se aproximara em sua direção. Uma das professoras que acompanhava os alunos percebeu a situação e gritou para elas saírem dali. Mas, ao mesmo tempo em que gritou, a professora avançou e puxou pelo braço a menina, que caiu sobre a calçada. Roberto se assustou com o gesto brusco, tropeçou e caiu na linha férrea. O trem avançou por cima do garoto que ficou preso embaixo do vagão, tendo sua perna direita esmagada pelas rodas. Desmaiado, fora socorrido por um homem que o levou para a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, onde sua perna foi amputada na altura da canela em vez de acima do joelho, como era comum na época. Devido à condição econômica da família, Roberto passou o restante de sua infância andando de muleta; só aos 15 anos adquiriu sua primeira prótese. Ao mesmo tempo em que o acidente agravou a situação de vulnerabilidade dos Braga, pois Robertino acumulou dívidas com fornecedores de sua loja que conseguiu quitar após um apelo, também ajudou a aproximar ainda mais o jovem menino da religião, como posteriormente diria: "Nos dias que permaneci no hospital criei minha estrutura, inventei orações que repito até hoje".

Ao longo da infância, expressou o desejo de ser aviador, depois desejou ser caminhoneiro e por volta dos oito anos veio a vontade de ser desenhista, mas seus pais o orientavam a sempre responder que desejava ser médico–carreira visada como meio de ascensão social. Isso mudou em um dia de outubro de 1950, quando, incentivado por Laura, Roberto fez a sua primeira apresentação pública como cantor no Programa Infantil, difundido pela Rádio Cachoeiro (ZYL-9), a única emissora da região. Trajado com uma roupa costurada por sua mãe especialmente para a ocasião, ele cantou o bolero "Amor y mas amor", do porto-riquenho Bobby Capó. O programa, por ser patrocinado por uma fábrica de doces, distribuía balas para as crianças; ao receber o seu punhado, Zunga foi convidado a apresentar-se novamente na semana seguinte. Em casa, foi elogiado pela vizinhança e pela mãe, e respondeu a ela, "eu não quero mais ser médico, não. Agora eu quero ser cantor". Um dos quadros do Programa Infantil consistia em uma disputa entre os jovens cantores; o público votava no melhor e este se sentava num trono até que outro participante o desbancasse. Roberto venceu tantas vezes a brincadeira que virou hors concours; a partir daí, era chamado apenas para cantar um número na abertura e outro no encerramento do programa, além de participar em outras programações da emissora e receber um cachê de 60 cruzeiros velhos. Diante disso, o passo seguinte foi Roberto Carlos ganhar o seu próprio programa na Rádio Cachoeiro. Em 1952, aos 11 anos de idade, ele estreou um programa semanal de 15 minutos que começava pontualmente às 12h30, no qual interpretava tangos, boleros e sambas-canções.

A ZYL-9 costumava fazer excursões com seus artistas para cidades vizinhas; uma das primeiras apresentações do cantor-mirim fora de sua cidade natal foi em Mimoso do Sul, em 15 de julho de 1953. Percebendo o interesse cada vez maior do filho pela prática musical, em 1954 Laura o matriculou no Conservatório de Música Cachoeiro, onde teve aulas de piano duas vezes por semana. No ano seguinte, gravou sua voz pela primeira vez em um disco de acetato ao interpretar "Deusa", composta por um jornalista local, gravação essa que foi tocada algumas vezes em seu programa. Paralelamente ao rádio, Roberto e outros músicos da emissora se apresentavam rotineiramente na Casa do Estudante de Cachoeiro de Itapemirim. Em 12 de agosto de 1955, ele fez sua última aparição pela ZYL-9 durante um evento beneficente. Havia algum tempo que viajava rapidamente ao Rio de Janeiro e fazia pequenas participações nas rádios locais; no início de 1956, passou suas férias escolares na casa de uma tia em Niterói, aproveitando a situação para novamente tentar ser escalado nas emissoras do local. Sabendo que os programas radiofônicos da então capital federal eram os que ditavam os sucessos no Brasil e decidido a buscar maiores oportunidades na carreira, Roberto Carlos comunica aos pais seu desejo de continuar morando na cidade para tentar fixar-se em alguma grande rádio do Rio.

1956–1961: Primeiras aventuras musicais no Rio de Janeiro

1956–1958: The Sputniks e "Elvis Presley brasileiro"

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