Roberto Muylaert GOMM (Santos, 9 de abril de 1935) é um engenheiro civil, escritor e jornalista brasileiro. Foi secretário de Comunicação Social da Presidência da República durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
O sobrenome Muylaert (pronuncia-se "moeller") vem da Bélgica, fronteira com a Holanda. Os sobrenomes Muijl(l)aert, Muyl(l)aert, Mullaert, Meulaerts, Mulert são baseados na palavra flamenga “muil” que significa “careta” ou no verbo “muilen of snoet zetten, een zuur gezicht trekken, morren “ ou “fazer uma careta, fazer boquinha, murmurar”.
Leopoldo Muylaert, bisavô de Roberto, era um músico que veio para o Brasil e se estabeleceu em Campos, estado do Rio de Janeiro. O avô, Alberto, também músico, mudou-se para a Bahia para estudar Medicina.
O pai Durval Martins Muylaert nasceu na Bahia e se tornou ferroviário trabalhando durante sete anos para a Estrada de Ferro Sorocabana, na Linha Mairinque-Santos. Sua residência era em Santos.
Roberto Muylaert nasceu na cidade de Santos, em 1935, mas com 3 meses mudou-se com a cidade de São Paulo, na rua Estados Unidos. Olhando dali para trás da rua Estados Unidos não tinha nada. Eu conseguia ver ver o Hospital das Clínicas lá em cima, um monte de campos de futebol... Tenho recordações de empinar papagaios, ver os balões que caíam, disputados pelos marmanjos com muita violência... Essas são algumas das recordações que de infância que eu trago comigo. Uma doença o aproximou de sua futura opção profissional: "Tinha uns oito ou no máximo dez anos e estava com caxumba. (...) Num dos dias o meu pai chegou e trouxe uma revista, a primeira que eu manuseei. Era o Príncipe Submarino. Me lembro de ter ficado fascinado não apenas com a história - o cara que andava por baixo do mar - mas pelo objeto. Achei a revista uma coisa sensacional e o cheiro ficou marcado para sempre. Eu gostava do cheiro da revista".
Outra lembrança marcante da sua adolescência foi assistir os jogos finais da Copa do Mundo de 1950 no Maracanã, quando o Brasil perdeu para o Uruguai. O fato acabou inspirando um dos seus futuros livros: "Barbosa - um Gol Silencia o Brasil".
Aos 15 anos, Roberto Muylaert decidiu que queria ser jornalista. Mas, influenciado por um professor de matemática, se formou em Engenharia Civil. Como engenheiro, iniciou na Máquinas Piratininga começou a escrever os textos editoriais/publicitários publicado no jornal O Estado de São Paulo. Foi o início de sua carreira como jornalista. Paralelamente participava de torneios de tênis jogando pelo Club Athletico Paulistano.
É pai da cineasta Anna Muylaert, da empresária Marilia Muylaert e da paisagista Ana Clara Muylaert.
No início de 1964, com 28 anos, passou a trabalhar nas revistas técnicas da Editora Abril em sua antiga sede da rua Álvaro de Carvalho, no Centro de São Paulo.
Como engenheiro, tinha capacitação técnica para escrever para as revistas Transporte Moderno, Máquinas e Metais, e Química & Derivados. Desenvolvendo-se na área de jornalismo técnico, realizou estágios nas grandes editoras da área, como a McGraw-Hill e a Chilton.
Roberto Muylaert em seguida participou ainda na editora Abril da criação da revista de economia e negócios Exame. Com a Exame, acabei sendo o primeiro publisher da Editora Abril, possivelmente do Brasil. E isso num tempo em que a chamada 'divisão entre igreja e estado' era absoluta. Você não podia participar de reunião se fosse da área de publicidade e eu achava aquilo uma besteira, pensava ser possível fazer algumas coisas que juntassem as duas áreas condignamente, o que fiz na Transporte Moderno. Na Exame, Muylaert criou as edições anuais "Brasil em Exame". E foi nomeado publisher da revista Veja, além de Exame.
Em 1972 pediu demissão da editora Abril criou a editora Diagrama com ajuda de sua esposa, Celina.
Através da Diagrama, criou revistas setorizadas e dedicou-se a promover seminários.
Em três anos a empresa tinha 60 funcionários em duas casas.
Mas em 1975 Roberto foi convidado a ser editor da revista Visão, de propriedade do empresário Henry Maksoud, que comprou a Diagrama.
Outro marco da vida jornalística de Muylaert foi a publicação por 11 anos de Ícaro, a revista de bordo da empresa aérea Varig, criada em outubro de 1983 e editada por Carlos Moraes.
O sucesso foi tão grande que dois anos depois ela passou a ser distribuída também nas bancas e só acabou com o fim da própria Varig.
Foi presidente da Fundação Bienal de São Paulo e organizou a exposição Tradição e Ruptura (1984) e a 18a Bienal de São Paulo em 1985.