Neste Dia

Rogério Ceni

Futebolista brasileiro

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Rogério Mücke Ceni (Pato Branco, 22 de janeiro de 1973) é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro. Comanda o Bahia.

Sendo o maior goleiro-artilheiro do mundo e lembrado como um dos maiores goleiros da história do futebol mundial, no auge (2005–2008) de sua carreira como jogador foi tomado como um dos cinco melhores goleiros até então em atividade no mundo. Além de suas habilidades defensivas e como pegador de pênaltis (é o goleiro que mais defendeu pênaltis na história do futebol), tornou-se reconhecido por suas capacidades ofensivas (com 131 gols marcados, é o goleiro que mais fez gols na história de futebol, e um dos jogadores que mais fez gols de falta, igualando o número de Diego Maradona) e pela precisão de sua reposição de bola em chutes longos, contribuindo assim para armar o ataque.

Dentre os principais títulos, foi campeão da Copa do Mundo FIFA de 2002 e da Copa das Confederações FIFA de 1997 com a Seleção Brasileira. Pelo São Paulo venceu dois mundiais (1993 e 2005); duas Copa Libertadores (1993 e 2005); duas Recopas Sul-Americanas (1993 e 1994); três Campeonatos Brasileiros consecutivos (2006, 2007 e 2008) e três Campeonatos Paulistas (1998, 2000 e 2005).

Revelado em 1990 pelo próprio São Paulo, Ceni se profissionalizou em 1993 e foi titular de 1997 até 2015. Neste período, foi considerado o maior e melhor jogador da história do clube, por ter conquistado praticamente todos os títulos possíveis, sendo decisivo em muitos deles. Dentre suas principais características está a lealdade ao clube, que serviu por 25 anos ininterruptos, sendo o jogador que mais vestiu a camisa de um mesmo clube na história do futebol mundial, superando nomes como Pelé, que vestiu a camisa do Santos em 1 116 jogos, além do norte-irlandês Noel Bailie, que mantém o recorde europeu com 1 014 jogos pelo Linfield United, e Ryan Giggs, que disputou 963 partidas pelo Manchester United.

Rogério possui inúmeros outros recordes expressivos, tal como o jogador que mais vezes foi capitão de uma mesma equipe (982 jogos), e também o de jogador que mais venceu por um mesmo clube na história (com mais de 601 vitórias, batendo o recorde de Ryan Giggs, que era de 589 vitórias). Ficou conhecido pela torcida são-paulina como Mito (com variações como M1TO ou até mesmo M1T000, em referência aos mais de mil jogos pelo clube), um apelido criado pelo jornalista Victor Birner em meados dos anos 2000, com reconhecimento pelo espírito profissional, raçudo e comprometido com o clube, apelido o qual, depois das grandes atuações e dos vários títulos importantes entre 2005 e 2008, se popularizou. Em 2021, entrou numa lista seleta de pessoas que conquistaram o Campeonato Brasileiro como jogador e como técnico de futebol, sendo o oitavo a conseguir tal feito.

Nascido no interior do Paraná, na cidade de Pato Branco, mas tendo crescido no estado de Mato Grosso, ele foi revelado como goleiro pelo Sinop Futebol Clube, da cidade homônima, onde até hoje moram a maior parte de seus familiares e onde obteve seu primeiro título profissional. Com apenas 17 anos, em 1990, foi lançado pelo então técnico do Sinop, Nilo Neves ao time profissional, na época ele se dividia entre o trabalho no Banco do Brasil e a prática esportiva. Sua primeira partida de futebol profissional foi no dia 15 de abril de 1990, contra o Cáceres. Pelo clube mato-grossense, Rogério Ceni realizou 11 partidas e sofreu seis gols.

Foi contratado pelo São Paulo em 7 de setembro de 1990, aos 17 anos, ficando com o posto de quarto goleiro. O jogador foi vice-campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1992 na condição de reserva do promissor Alexandre, numa decisão perdida nos pênaltis para o Vasco da Gama de Valdir Bigode. Em julho de 1992, após a fatídica morte do goleiro Alexandre num acidente de carro, Rogério Ceni subiu em definitivo para o time e foi promovido a terceiro goleiro do time profissional, através de Telê Santana, começando a ser inscrito para alguns jogos do campeonato paulista, mais precisamente no dia 20 de agosto no empate de 0–0 contra o Guarani em Campinas, quando sentou no banco de reservas de Zetti pela primeira vez na carreira. Foi inscrito para a Supercopa da Libertadores daquele ano.

Em 1993 voltou para os juniores sendo campeão como titular da Copa São Paulo. Sempre se espelhando em Zetti, o jovem batalhou muito e imediatamente subiu como reserva absoluto. Nesse mesmo ano, fez sua estreia como profissional no dia 25 de junho de 1993, aos 20 anos, atuando contra o Tenerife, no Torneio Santiago de Compostela, e pegando um pênalti na vitória do São Paulo por 4–1. Em seguida, como reserva, Rogério fez parte do elenco vitorioso comandado por Telê Santana que levantou vários títulos. Nesta fase, integrou a equipe de baixo, conhecida como "Expressinho", que conquistou o título da Copa CONMEBOL, em 1994, com o então jovem treinador Muricy Ramalho (que se tornou seu amigo pessoal) no comando da equipe. Depois de seis anos de espera, após a saída de Zetti em 1996 para o Santos, Rogério Ceni assumiu a posição de goleiro titular do time. Inicialmente era conhecido apenas como "Rogério"; posteriormente foi que passou a ser chamado também pelo sobrenome.

Recebeu por seis vezes a Bola de Prata, prêmio este concedido pela revista Placar ao melhor jogador da posição durante o Campeonato Brasileiro, e no ano de 2008, além do troféu de prata, recebeu a Bola de Ouro como o melhor jogador do Campeonato Brasileiro. Rogério Ceni é o segundo jogador mais premiado do prêmio Bola de Prata na história do futebol brasileiro, atrás apenas de Zico. Em 2001, o São Paulo recebeu um documento cujo teor era o de uma proposta oficial do Arsenal para contratar o jogador. O documento era timbrado pela empresa Tango Sports Marketing, que pertencia ao empresário de Rogério, Oliveira Júnior. Todavia, tanto o clube inglês quanto Oliveira Júnior negaram ter feito a proposta. O então presidente do São Paulo, Paulo Amaral, suspendeu Rogério Ceni por 29 dias, acusando-o de haver forjado o documento para obter aumento salarial. Por conta desta "rusga" com o presidente do clube, jornais, à época, chegaram a noticiar que a final da Copa dos Campeões de 2001, contra o Flamengo, seria a última partida de Rogério com a camisa do clube. No entanto, Rogério entendeu-se com os dirigentes, foi reintegrado à equipe e ganhou um aumento. O caso foi referido pela jornalista Milly Lacombe em 2006, que afirmou no programa televisivo Arena SporTV que Rogério havia forjado uma assinatura. O jogador processou-a por calúnia e obteve ganho de causa em junho de 2007, mas somente anos depois, em maio de 2011, foi que recebeu a indenização por danos morais.

2005 foi o melhor ano da carreira de Rogério, pois ele foi o líder do time vencedor que conquistou o Campeonato Paulista, a Libertadores e o Mundial de Clubes, sendo ainda o ano em que o goleiro mais balançou as redes adversarias e entrou de vez como um dos maiores ídolos da história do São Paulo. Para coroar as boas atuações individuais, foi eleito o melhor jogador da Libertadores e do Mundial de Clubes da FIFA. No ano de 2006 foi condecorado com o troféu de ouro concedido para o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, juntamente com o troféu de melhor jogador do campeonato, prêmios concedidos pela CBF em grande festa realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Marcou 21 gols em 2005 e 16 gols em 2006, sendo artilheiro do time em ambas as temporadas. Em 2007, voltou a receber o prêmio de Melhor Goleiro do Campeonato Brasileiro, além de Craque do Brasileirão e Craque da Torcida, todos concedidos pela CBF.

Rogério entrou três vezes na lista dos dez melhores goleiros do mundo, elaborada anualmente pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), entidade com sede na Alemanha. Em 2005 foi o nono colocado; em 2006 ficou na sexta colocação, e em 2007 ficou na quinta colocação. Ceni também foi indicado ao prêmio Ballon d'Or, da revista France Football, no ano de 2007, sendo o primeiro jogador atuando na América do Sul a concorrer ao prêmio, mas acabou ficando em 27.º lugar. Após ele, o atacante Neymar foi indicado ao prêmio FIFA Ballon d'Or em 2011, sendo o segundo a ser indicado pela France Football e o primeiro a ser indicado pela FIFA.

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