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Rogério Sganzerla

Diretor de cinema brasileiro

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Rogério Sganzerla OMC (Joaçaba, 4 de maio de 1946 — São Paulo, 9 de janeiro de 2004) foi um cineasta, roteirista e produtor brasileiro. É mais conhecido pelo seu papel como representante do cinema marginal, um movimento contracultural brasileiro dos anos 1960 e 1970. Sátira, absurdo, subversão narrativa e colagem foram marcas registradas de sua estética cinematográfica.

É mais lembrado pelo filme O Bandido da Luz Vermelha, de 1968, mas dirigiu várias outras obras, como A Mulher de Todos (1969), Sem Essa, Aranha (1970), Copacabana Mon Amour (1970), Tudo É Brasil (1997) e O Signo do Caos (2003), entre outras.

O diretor teve uma carreira intermitente e a impossibilidade de filmar foi uma marca em sua trajetória, talvez por isso sua admiração pelo projeto boicotado de Orson Welles no Brasil, sobre o qual realizou quatro obras.

Desde cedo, Sganzerla manifestou sua vocação para o cinema. Casou-se com a então atriz (e depois também cineasta) Helena Ignez, viveu para o cinema e fez cinema até os últimos dias de sua vida.

De natureza intelectual, leitor e escritor precoce, formado desde a adolescência na leitura de diversas tradições artísticas e de vanguardas mundiais.

Antes de começar sua produção cinematográfica, estudou direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, curso que abandonou para escrever para o jornal O Estado de S. Paulo, sempre sobre cinema. Em 1967 realizou seu primeiro curta-metragem, intitulado Documentário. A partir de O Bandido da Luz Vermelha, seu primeiro longa-metragem, rodado em 1968, dá início a uma notória carreira como diretor de cinema, sempre buscando a ruptura da lógica dramática.

Em 1970 fundou a produtora Belair, junto com Júlio Bressane. Com direção de Rogério, a produtora foi responsável pelos filmes Copacabana Mon Amour e Sem essa, Aranha.

Sganzerla utilizava o subdesenvolvimento como elemento de linguagem.

Continuo realizando um cinema subdesenvolvido por condição e vocação, bárbaro e nosso, anticulturalista, buscando aquilo que o povo brasileiro espera de nós desde o tempo da chanchada: fazer do cinema brasileiro o pior do mundo!”

Morreu em 2004, devido a um tumor no cérebro, pouco tempo após realizar O Signo do Caos e sem realizar um sonho: refilmar seu clássico O Bandido Da Luz Vermelha, com Alexandre Borges no elenco.

Agora seria em cores, menos intelectualizado, mais pop, mais gibi, e com atores globais no elenco. O Alexandre Borges seria perfeito para fazer o bandido

Sganzerla deixou ainda como legado o roteiro para a continuação do filme O Bandido da Luz Vermelha, com o título Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha. O filme veio a público através da direção de Helena Ignez e Ícaro Martins. No elenco, Ney Matogrosso como o próprio Luz.

Influenciado diretamente pela cinematografia de Orson Welles e Jean-Luc Godard, com a brasilidade de José Mojica Marins, utiliza com frequência os clichês dos filmes noir e das pornochanchadas. Apresentou sempre um cinema de ruptura, inclusive com os próprios modelos. Sganzerla fez da ironia sua marca registrada, fez do “antifilme” sua referência constante e da câmera na mão sua maior aliada. O sarcasmo, a subversão da narrativa clássica, a mistura de linguagens, as lentes anárquicas e debochadas, a câmera imprevisível e a radicalidade estética são as principais características que fazem do cinema de Rogério Sganzerla inexplicável em poucas palavras.

Dossiê Sganzerla em Contracampo Revista de Cinema.

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