Neste Dia

Roméo Dallaire

Político canadense

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O tenente-general Roméo Allain Dallaire (Denekamp, Países Baixos, 25 de junho de 1946) é um senador canadense, agente humanitário, escritor e general aposentado.

Dallaire é amplamente reconhecido por servir como Comandante da Força de Paz das Nações Unidas para Ruanda (MINUAR) entre 1993 e 1994. Além disso, também é lembrado por tentar interromper o genocídio promovido por extremistas hutus contra tutsis e hutus moderados.

Roméo Allain Dallaire é filho de Roméo Louis Dallaire, um soldado do Exército Canadense, e Catherine Vermeassen, uma enfermeira neerlandesa ("holandesa"). Ele passou sua infância em Montréal.

Entrou para o Exército Canadense em 1964, onde obteve a patente de oficial do Colégio Militar Real de Saint-Jean em 1968.

Dallaire escreveu um livro sobre o desenvolvimento dos conflitos de Ruanda, "Shake Hands With the Devil". Em 2004, testemunhou perante o Tribunal Penal Internacional a favor de Ruanda contra o Coronel Théoneste Bagosora.

Os hutus se mantinham no poder do de Ruanda sem interrupção desde a independência do país (que se libertou do domínio belga em 1962) e sempre promoveram ataques à minoria tutsi; essa última, por sua vez, tentava sucessivamente tomar o poder através da Frente Patriótica Ruandense (FPR), exilada em Uganda.

As hostilidades cessaram somente quando o governo dominado pelos hutus aceitou negociar com os tutsis.

No dia 5 de abril de 1993, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução 872, intitulada Missão de Assistência das Nações Unidas para Ruanda, a MINUAR. Seu principal objetivo era assegurar o fim dos combates por meio da assinatura do Acordo de Arusha.

Para assegurar a diminuição da tensão entre hutus e tutsis, as Nações Unidas enviaram um efetivo de 2548 militares para Ruanda, sendo a maioria composta por belgas. O camaronês Jacques-Roger Booh-Booh era o encarregado da missão e o então Major-General Roméo Dallaire foi nomeado Comandante da força. Ele seria responsável por supervisionar a implementação do Acordo.

No entanto, alguns fatos eram estranhos à proposta de paz. Em 6 de janeiro de 1994, um DC-8 francês pousou no aeroporto da capital ruandense, Kigali, carregado com munições e armas destinadas às Forças Armadas de Ruanda (FAR). De acordo com o Chefe de Operações do Exército Ruandense, Dallaire não podia impedir o acesso às armas, uma vez que elas foram adquiridas antes do Acordo de Arusha ser assinado. Além disso, esse chefe apresentou documentos que provavam o envio das armas por Israel, Bélgica, França, Reino Unido, Países Baixos e Egito.

Além da estranha entrega de armas, soldados do governo ruandense começaram a verificar cédulas de identidade e diferenciavam com um carimbo os hutus dos tutsis. Essas cédulas permitiriam que as tropas hutus identificassem suas vítimas com precisão mais tarde.

Na noite do dia 6 para 7 de abril de 1994, o então presidente de Ruanda Juvénal Habyarimana (hutu) e o presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira, foram assassinados quando o avião no qual viajavam foi atingido por um míssil.

A responsabilidade pelo crime ainda é incerta: por um lado, dizia-se na época que o avião foi abatido por ordem do líder da RPF, Paul Kagame. Outros, incluindo a FPR, acusavam militantes hutus de outros partidos de articular o assassinato para provocar uma revolta anti-tutsi ao mesmo tempo em que tomavam o poder. Não há investigações confiáveis sobre o caso.

A partir das acusações mútuas, a violência já apaziguada voltou a ser incentivada ética, social e politicamente. O conflito se tornou uma guerra civil quando extremistas hutus começaram a assassinar tutsis e hutus moderados (politicamente moderados ou simpatizantes dos tutsis) em território ruandense. Políticos hutus moderados recém-empossados não foram poupados.

Ainda no dia 7 de abril, Dallaire ordenou imediatamente um efetivo de dez soldados belgas protegessem a primeira-ministra do novo governo, Agathe Uwilingiyimana. No entanto, o comboio dos soldados foi interceptado pela Interahamwe, uma milícia hutu, e os soldados foram levados como reféns. A primeira-ministra e seu marido foram mortos; mais tarde, no mesmo dia, os corpos dos dez belgas foram encontrados.

Depois do assassinato de dez dos seus soldados, a Bélgica, maior fornecedor de tropas para a MINUAR, informou que iniciaria a retirada do seu efetivo do solo ruandense; ao mesmo tempo, a matança de tutsis e hutus moderados aumentava.

Ao perceber a ruína para a qual a situação se encaminharia nos dias seguintes, Dallaire solicitou o envio de apoio logístico e reforço de 2 mil soldados para a MINUAR. Com um efetivo de aproximadamente 4 mil soldados bem equipados, ele acreditava que poderia parar com as mortes.

Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU recusou a proposta, uma vez que o presidente americano Bill Clinton se negou a enviar apoio após a morte de vários soldados americanos em Mogadíscio, na Somália, um ano antes. Além de não fornecer apoio material, o Conselho ainda votou pela redução do efetivo da MINUAR, que, pela nova proposta, contaria com menos de 260 homens.

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