Ronald Polito (Juiz de Fora, 5 de abril de 1961) é um poeta, ensaísta, tradutor e historiador brasileiro.
Além de sua obra poética própria, o seu trabalho como historiador e tradutor também se vincula, em regra, à literatura, destacando-se os estudos sobre poetas coloniais brasileiros (principalmente Tomás Antônio Gonzaga) e as numerosas traduções de autores catalães (de Ramon Llull até escritores contemporâneos, como Joan Brossa, Carles Camps Mundó e Narcís Comadira).
Mestre em história social das ideias pela Universidade Federal Fluminense, foi professor do Departamento de História da Universidade Federal de Ouro Preto. Nessa instituição, criou, ao lado do historiador Carlos Fico, o Centro Nacional de Referência Historiográfica, que funcionou entre 1990 e 1998. Também lecionou, entre 2001 e 2004, como professor visitante, no Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Tokyo University of Foreign Studies (Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio).
No selo artesanal Espectro Editorial, o autor editou diversas de plaquetes de circulação restrita, notadamente de escritores catalães por ele mesmo traduzidos, como Carles Camps Mundó e Maria Mercè Marçal, e escritores e tradutores como Bruno Palma, Júlio Castañon Guimarães, Vera Lins e Adolfo Montejo Navas. Desde 2006, trabalha como editor. Com o autor da Catalunha Josep Domènech Ponsatí, traduziu poesia brasileira contemporânea para o idioma catalão.
Boa parte de seu trabalho como historiador é dedicada à poesia, notadamente o arcadismo brasileiro. Nesse campo, merecem destaque a sua tese sobre Tomás Antônio Gonzaga, Um coração maior que o mundo, e a edição de O desertor de Silva Alvarenga.
Manteve com o historiador Carlos Fico, por cinco anos, desde 1994, a publicação periódica Bibliografia anual, ao lado de outras duas publicações, o jornal Registro (10 edições) e o indexador de periódicos de história chamado Repertório Semestral (10 edições), que saíram pelo Centro Nacional de Referências Bibliográficas em Ouro Preto. Ainda como professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), realizou a editoração eletrônica da série Termo de Mariana: história e documentação, publicação do Departamento de História cujos dois volumes saíram em 1998 e 2004.
Em sua própria obra poética, convivem uma "nostalgia do absoluto, do zero, do Nirvana" (segundo Fabio Weintraub ) e o "conteúdo negativo" de uma "dissonância fundamental" (Priscila Figueiredo), que conferem um caráter misantrópico que destaca essa obra no conjunto da poesia brasileira. Em seu livro mais recente, contudo, os temas da passagem do tempo e da finitude parecem apontar para outros caminhos, nos quais a alteridade está presente: "recomponho a fragilidade de tais mínimos/ eventos, tentando fazer com eles/ um só corpo,/ um corpo,/ e nele você está" (Paixão, de Terminal).
1996: Solo, Rio de Janeiro: 7Letras.
1997: Objeto, edição do autor.
1998: Intervalos, Rio de Janeiro: 7Letras.
2001: De passagem, São Paulo: Nankin.
2002: Pelo corpo, com Donizete Galvão. Santo André: Alpharrabio.
2006: Terminal, Rio de Janeiro: 7Letras.
2009: Terminal, Traducció de Josep Domènech Ponsatí. Lleida: Pagès (Biblioteca de la Suda, 111)
2013: A galinha e outros bichos inteligentes. Ilustrações de Guto Lacaz. São Paulo: Dedo de Prosa. [2. ed. São Paulo: Ôzé Editora, 2017]
2015: Ao abrigo. Belo Horizonte: Scriptum.
Próprios, traduzidos e organizados
1992: A História no Brasil (1980-1989): elementos para uma avaliação historiográfica, com Carlos Fico. Ouro Preto: Editora UFOP, 1992. v. 1. 220 p.