A Bem-Aventurada Rosália Rendu FC (9 de setembro de 1786 — 7 de fevereiro de 1856) foi uma Filha da Caridade que foi líder operária e organizadora do cuidado para com os pobres dos cortiços da Paris do século XIX, que sofriam com a rápida migração de pessoas para as cidades durante o curso da Revolução Industrial. Ela foi beatificada pela Igreja Católica pela santidade de sua vida. Seu dia de festa é 7 de fevereiro.
Nasceu Jeanne-Marie Rendu em 9 de setembro de 1786, em Confort, França, não muito longe de Genebra. A mais velha de quatro meninas, ela veio de uma família de pequenos proprietários que gozava de uma certa afluência e de respeito nos arredores. Ela foi batizada no dia em que nasceu, na igreja paroquial de Lancrans. Seu padrinho por procuração foi Jacques Emery, um amigo da família e futuro superior geral da Sociedade de São Sulpício (Sulpicianos) em Paris.
Rendu tinha três anos de idade quando a Revolução estourou. A partir de 1790, era obrigatório para o clero fazer um juramento de apoio à Constituição Civil do Clero. Numerosos sacerdotes, fiéis à Igreja, recusaram-se a tomar esse juramento. Eles foram expulsos de suas paróquias, alguns sendo condenados à morte e outros tendo que se esconder para escapar de perseguições. A casa dos Rendus tornou-se um refúgio para estes sacerdotes, alguns a fugir para a Suíça. O Bispo de Annecy encontrou asilo ali sob o falso nome de Pierre. Jeanne-Marie ficou fascinada por este peão que era tratado melhor do que os outros. Uma noite, ela o descobriu celebrando uma missa.
Foi nessa atmosfera de fé, exposta aos perigos da denúncia, que Rendu foi educada. Ela fez sua Primeira Comunhão numa noite à luz de velas no porão de sua casa. Este ambiente excepcional forjou seu caráter.
A morte de seu pai, em 12 de maio de 1796, e a de sua irmã mais nova, aos quatro meses de idade, em 19 de julho do mesmo ano, abalaram toda a família. Rendu, ciente de sua responsabilidade como a mais velha, ajudava sua mãe, especialmente no cuidado com suas irmãs mais novas.
Nos dias seguintes ao Terror, lentamente, a vida começou a desenvolver uma nova normalidade. Madame Rendu, preocupada com a educação de sua filha, mandou-a para o internato das Irmãs Ursulinas em Gex. Lá Jeanne-Marie ficou dois anos. Ela era "muito inteligente", mas sua educação foi essencialmente prática. Durante os seus passeios na cidade, ela descobriu o hospital onde as Filhas da Caridade cuidavam dos doentes, e desejou juntar-se a elas. Sua mãe consentiu que Jeanne-Marie, apesar da sua tenra idade, pudesse passar algum tempo no hospital. Lá ela ganhou alguma experiência em cuidar de doentes.
Tendo decidido juntar-se às Filhas da Caridade, em 25 de maio de 1802, Rendu chegou à casa-mãe na Rue du Vieux Colombier, em Paris. Ela tinha quase 17 anos de idade. A reabertura do noviciado (suprimido pelo revolucionários) teve lugar em dezembro de 1800. Quando chegavam, as viajantes eram recebidas por cinquenta jovens em formação. Ao entrar na comunidade, ela foi tomou o nome de Rosália.
A jovem irmã Rosália sofria de uma constituição delicada que foi abalada pela reclusão exigida das noviças, e pela falta de exercício físico. A conselho de seu médico e de seu padrinho, o abade Emery, irmã Rosália foi mandada para a casa das Filhas da Caridade na Rue des Francs-Burgeois-Saint-Marcel no distrito de Mouffetard. Ela permaneceu lá por 54 anos.
Mouffetard era então um dos bairros mais pobres da capital em rápida expansão, com a pobreza em todas as suas formas, psicológica e espiritual. As casas eram arruinadas e úmidas, as ruas estreitas e precárias, com riachos de lama correndo por entre elas. Rendu fez seu "aprendizado" acompanhando as irmãs em visitas aos doentes e aos carentes. Entre esses momentos, ela ensinava catecismo e leitura para as meninas aceitas na escola livre. Em 1807, rodeada pelas irmãs de sua comunidade, fez votos pela primeira vez para servir a Deus e aos pobres.
Em 1815, Rendu se tornou a irmã serva (superiora religiosa local) da comunidade na Rue des Francs-Burgeois. Dois anos mais tarde, a comunidade se mudaria para a Rue de l'Épée de Bois por razões de espaço e comodidade. "Seus pobres", como ela passou a chamá-los, tornaram-se mais e mais numerosos durante esse momento difícil. Ela trabalhou com o Departamento do Bem-Estar estabelecido pelo governo napoleônico, na administração de um programa que fornecia vales para carvão e para alimentos. Ela enviava suas irmãs a todos os recantos ocultos da Paróquia de São Medardo, levando suprimentos, roupas, cuidados e uma palavra reconfortante.
Irmã Rosália lidava com os pobres com grande consideração, supondo que eles são muito mais sensíveis à maneira com que alguém lhes ajuda do que com o próprio auxílio em si. "Um dos melhores meios de fazer o bem para os pobres", ela afirmou, "é mostrando-lhes respeito e consideração." O exemplo de Rendu animava suas irmãs. Ela encontrava forças em dizeres do fundador das Filhas da Caridade, São Vicente de Paulo: "Ide e visitai aos pobres dez vezes ao dia, e dez vezes ao dia encontrarás a Deus ... entrareis em suas casas pobres, mas lá encontrareis a Deus." Sua vida de oração foi intensa, como uma irmã afirmou, "... ela vivia continuamente na presença de Deus."
Rendu era atenta ao assegurar que suas companheiras tivessem tempo para a oração, mas, às vezes, houve necessidade de se "deixar Deus para Deus", como Vicente de Paulo ensinou a suas Filhas. Certa vez, enquanto acompanhava uma irmã numa visita de caridade, ela disse: "Irmã, comecemos nossa meditação!" Ela sugeriu o plano, a estrutura, em palavras poucas, simples e claras, e entraram em oração. Como uma monja em seu claustro, Rendu andava por toda a parte com o seu Deus. Ela falaria com Deus sobre uma família em perigo cujo pai já não tinha qualquer trabalho, sobre um idoso que se arriscava a morrer em isolamento: "Eu nunca orei tão bem quanto nas ruas,", ela diria.
Superioras enviavam postulantes e irmãs jovens para que Rendu as treinasse. Alocavam em sua casa, durante um período, aquelas um tanto difíceis ou frágeis. A uma de suas irmãs em crise, ela deu este conselho, o qual é o segredo de sua vida: "Se quiseres que alguém te ame, deves ser a primeira a amar; e se nada tens para dar, dá a si mesma." Com o aumento do número de irmãs, a oficina de caridade passou a ser uma casa de caridade, com uma clínica e uma escola. Ela via nisso a Providência de Deus.
Nas revoltas que se seguiram à Revolução de 1830, o arcebispo Quelen e outros clérigos refugiram-se na Rue de l'Épée de Bois.
Para assistir a todos que sofriam, Rendu abriu uma clínica gratuita, uma farmácia, uma escola, uma creche, um centro de saúde para mães, um clube para jovens trabalhadores e uma casa de repouso para idosos sem recursos. Organizava cursos de costura e de bordado para meninas e mães carentes. Logo, toda uma rede de serviços de caridade seria estabelecida para combater a pobreza.
Rendu era muito consciente da forma de receber os desvalidos. Seu espírito de fé via neles nossos "senhores e mestres." "Os pobres insultar-te-ão. Quanto mais rudes eles forem, mais dignas tereis de ser", disse. "Lembrai-vos, Nosso Senhor esconde-se por trás daqueles farrapos." Uma de suas companheiras observou que "os pobres mesmos notavam sua maneira de orar e de agir." "Humilde em sua autoridade, Ir. Rosália corrigia-nos com grande sensibilidade e tinha o dom de consolar. Seus conselhos, ditos de forma justa e dados com todo o seu carinho, penetravam a alma."
A reputação de Rendu cresceu rapidamente em todos os bairros da capital e também para além de cidades da região. Ela sabia rodear-se de colaboradores eficientes e dedicados. As doações fluíam rápido na medida em que os ricos eram incapazes de resistir à sua persuasão. Até mesmo a antiga realeza não se esquecia dela em sua generosidade. Bispos, presbíteros, o Embaixador da Espanha, o rei Carlos X, o poderoso general Louis-Eugène Cavaignac, e os homens mais ilustres de posses e de cultura, até mesmo o imperador Napoleão III e sua esposa, foram vistos muitas vezes em seu gabinete.