Rosângela Lula da Silva GCIH • GCRB • OLH • OMC (União da Vitória, 27 de agosto de 1966), popularmente conhecida como Janja, é uma socióloga brasileira filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ela é a atual primeira-dama do país, como a terceira esposa do 39.º presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Rosângela Lula da Silva nasceu na cidade de União da Vitória, no sul do Paraná. É filha do comerciante José Clóvis da Silva (falecido em 2024) e da dona de casa Vani Terezinha Ferreira (falecida em 2020, vítima de COVID-19), melhor conhecida como dona "Têre". Tem um irmão mais velho, o publicitário Luiz Claudio da Silva. A família mudou-se para Curitiba quando ela ainda tinha dez dias de vida.
De acordo com Janja, seu pai era natural do Rio Grande do Sul e, em sua mocidade, teve uma paquera com a cantora Elis Regina, sua conterrânea. Sendo representante comercial, José Clóvis costumava viajar bastante a trabalho e ficava isolado da família por conta disso. Em relação à sua mãe Terê, Janja declarou que ela teve uma infância difícil, pois ficou órfã cedo de mãe (a avó de Janja) junto com outras quatro irmãs e, entregue para adoção, foi tratada como criada pela família adotiva. Antes de se casar com José Clóvis e se dedicar ao lar, Terê foi cantora de rádio no interior do Paraná. O pai era igualmente entusiasta da música, e Janja relatou que aprendeu a gostar de cantar desde pequena.
Segundo Janja, a política não era uma matéria muito presente no ambiente familiar e que ela era a única que "derivou" para isso, embora seu pai tivesse sido brizolista. Em determinado momento na década de 1990, os pais de Janja se separaram.
Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1983, quando tinha 17 anos, época em que começou a se mobilizar nas campanhas das Diretas Já e nos comícios do partido como militante política. Em razão disso, descreve-se publicamente como "petista de carteirinha".
Em 1984, ela ingressou no curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR), atuando no movimento estudantil do centro acadêmico. No entanto, Janja não obteve bom desempenho escolar nas cadeiras do curso até seu terceiro ano, quando decidiu interromper a faculdade; posteriormente, acabou retomando os estudos e concluiu sua graduação em 1991.
Ainda na década de 1980, ela e sua colega de faculdade e amiga, Margarida Quadros, prestaram ambas concurso público na prefeitura de Curitiba, trabalhando juntas na área de saúde e ação social desse órgão público. Após a graduação na UFPR, por volta de 1993, Janja cursou especialização em "História e Cidade" na mesma instituição, também na companhia da colega Quadros.
Entre 1995 e 1996, tendo deixado seu trabalho na prefeitura de Curitiba, Janja atuou como docente colaboradora do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), para onde havia se mudado com seu companheiro, o professor de História hoje aposentado Marco Aurélio Monteiro Pereira, que lecionava então na UEPG. Ao lado de outros colegas docentes, como o professor Edson Silva (candidato do PT à prefeitura de Ponta Grossa em 2020), eles desenvolveram um projeto de extensão universitária na periferia de Ponta Grossa, chamado Cidade Viva.
Após terminar seu relacionamento com Pereira e regressar a Curitiba em 1996, Janja trabalhou na liderança do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), onde foi admitida como assessora parlamentar do engenheiro e então deputado Péricles de Holleben Mello (PT), sendo nomeada em fevereiro e exonerada em setembro daquele ano. Readmitida em março de 1997 para a mesma função, permaneceu na ALEP até agosto de 2001. Na capital paranaense, Rosângela obteve seu Master of Business Administration (MBA) em Gestão Social e Sustentabilidade, pela Universidade Positivo.
Em janeiro de 2001, começou a trabalhar na CHROMA Engenharia, empresa que ajudou na construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, onde Janja atuou, até janeiro de 2003, no remanejamento da população atingida pela construção da hidrelétrica, em operação desde 2005. Em 2002, em Curitiba, abriu uma empresa de consultoria, Princípio Consultoria, Assessoria e Pesquisa Ltda. (baixada em 2021), junto com sua amiga e sócia Margarida Quadros, nomeada assessora especial da presidência da República em maio de 2023. No dia 1º de janeiro de 2005, aos 38 anos, Rosângela Lula da Silva ingressou na Itaipu Binacional. Na hidrelétrica, atuou como assistente do então diretor-geral, Jorge Samek, e coordenadora de programas voltados ao desenvolvimento sustentável.
Em 2011, enquanto funcionária da Itaipu Binacional e residindo no Rio de Janeiro, Rosângela da Silva foi admitida na turma de 99 alunos do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE) da Escola Superior de Guerra (ESG), na qualidade de técnica de nível superior, tendo agradecido Jorge Samek, então diretor-geral da Itaipu, pela oportunidade oferecida de ingresso no curso. O trabalho que desenvolveu foi intitulado Mulher e Poder: relações de gênero nas instituições de defesa e segurança nacional, mas esse não foi publicado no repositório institucional de monografias da ESG.
Entre junho de 2012 e fevereiro de 2016, ela atuou como coordenadora de asseguração da comissão de sustentabilidade da então estatal Eletrobrás (privatizada em 2022), sediada no Rio de Janeiro. Durante sua locação na Eletrobrás, Rosângela foi também nomeada, através da estatal, membro do conselho fiscal da Eletrobras CGTEE, baseada no Rio Grande do Sul, e da CTEEP, baseada em São Paulo. Em 2016, voltou a trabalhar em Itaipu no mesmo cargo que ocupara e, aderindo a um programa de demissão voluntária (PDV), deixou oficialmente a hidrelétrica em 1º de janeiro de 2020.
Em 1986, aos vinte anos, enquanto estudante na UFPR, Janja conheceu Marco Aurélio Monteiro Pereira, que realizava seu mestrado em História na instituição. Ambos eram engajados na militância esquerdista estudantil. No entanto, foi somente em 1989, quando a então namorada de Pereira foi aprovada para um mestrado no exterior, que eles começaram um relacionamento. A diferença de onze anos de idade entre Janja e Pereira desagradava a mãe dela, Terê. Apesar disso, Janja decidiu morar com Pereira, em uma casa em Curitiba na Rua Ponta Grossa, no bairro Portão. Com a aprovação posterior de Pereira para um cargo de professor em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, porém, o relacionamento continuou à distância, com Janja permanecendo em Curitiba, para onde Pereira vinha duas vezes por mês. Depois que Pereira foi nomeado professor de História da UEPG, Janja decidiu acompanhá-lo na nova cidade, em Ponta Grossa, onde ela atuou como professora colaboradora na UEPG. Embora não tivesse tido filhos com Pereira, nem se casado formalmente com ele, Janja ajudou a criar o filho do primeiro relacionamento de seu companheiro. A união deles, no entanto, passou por crise e terminou quando Janja decidiu regressar a Curitiba em 1996, por conta de suas ambições profissionais e pelo seu estilo de vida cosmpolita.
Janja e seu marido Lula, que se conhecem desde a década de 1990, começaram seu relacionamento em abril de 2018, quando o ex-presidente já se havia tornado viúvo de Marisa Letícia Lula da Silva, sua segunda esposa, falecida em fevereiro de 2017. Após a prisão de Lula, ela o visitava com frequência na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba, tendo a primeira visita ocorrido no Dia dos Namorados de 2018.
No dia 17 de maio de 2022, foi anunciado que Lula e Janja iriam casar-se no dia seguinte, o que ocorreu em uma casa de festas de São Paulo. A cerimônia religiosa foi conduzida pelo bispo Angélico Sândalo Bernardino. O casal estabeleceu residência em um sobrado de 700 m² alugado no bairro Alto de Pinheiros, na capital paulista.
Embora não tenha revelado ser seguidora de uma fé específica, Rosângela é praticante de religiões de matriz africana, o que lhe dá orgulho, e relatou no Fantástico ter sofrido intolerância religiosa por conta disso. Ainda, afirmou que "se emociona na missa, com a fala do padre" e também "com o tambor" e com "um hino de louvor a Deus". Em outubro de 2022, em virtude dos resultados do primeiro turno das eleições, ela visitou o Círio de Nazaré, em Belém do Pará, para pagar uma promessa.