Rosane Brandão Malta, mais conhecida como Rosane Collor GCC (Canapi, 20 de outubro de 1964), é uma empresária brasileira. Foi primeira-dama do país durante o presidência do seu ex-marido, Fernando Collor, o 32.º presidente do Brasil, durante o período de 1990 a 1992. Tornou-se uma figura pública nacional ao assumir papel de destaque em ações sociais vinculadas ao governo federal, especialmente por meio da mobilização de campanhas assistenciais e programas voltados à população em situação de vulnerabilidade social. Sua atuação ocorreu em um contexto de profundas transformações políticas e econômicas no país após a redemocratização.
Como primeira-dama, esteve associada à Legião Brasileira de Assistência (LBA), instituição historicamente vinculada às ações sociais do governo federal, da qual foi presidente durante o mandato presidencial de Collor. Sua gestão ficou marcada por forte exposição midiática e por iniciativas voltadas à assistência materno-infantil, embora posteriormente tenha sido alvo de investigações no âmbito das denúncias de corrupção que culminaram no processo de impeachment do presidente em 1992.
Após o término do governo Collor, Rosane afastou-se da vida política nacional e passou a dedicar-se a atividades empresariais e à vida privada, mantendo aparições públicas esporádicas. Sua trajetória permanece associada a um dos períodos mais conturbados da história política recente do Brasil, caracterizado pela primeira destituição de um presidente eleito pelo voto direto após a Constituição de 1988.
Rosane Brandão Malta nasceu em uma família política que exercia influência em modestos municípios do sertão de Alagoas, como Canapi (onde nasceu), Mata Grande e Inhapi. É filha de João Alvino Malta e de sua esposa, Rosita Brandão. Seu tio-avô, Euclides Malta, foi governador de Alagoas por dois mandatos. Seu irmão, Joãozinho Malta, já foi preso por tráfico de drogas e acusado de assassinato.
Aos dez anos, mudou-se para Maceió, onde estudou em um colégio de freiras, o Colégio Santíssimo Sacramento. Rosane possui ainda um diploma em Administração.
Antes de conhecer Collor, trabalhou como recepcionista da seção alagoana da Legião Brasileira de Assistência, fundada por Darcy Vargas.
O casamento deles, em 1984, após dois anos de namoro, significou uma aliança entre dois grupos oligárquicos alagoanos, embora a família Collor tivesse mais influência política. Na intimidade, o casal se apelidava carinhosamente de Quinho e Quinha. Fernando já havia sido casado anteriormente com a socialite Lilibeth Monteiro de Carvalho, com quem teve dois filhos. Também teve um filho com sua ex-amante Juceneide Braz da Silva, em 1980.
Após o casamento, Rosane tentou ter filhos, mas não estava conseguindo. Após alguns anos de tratamento de fertilização, conseguiu engravidar, mas aos três meses de gestação, sofreu um aborto espontâneo. Após isso, entrou em depressão, e por mais de dez anos continuou em tratamento para engravidar, sem sucesso, o que lhe causou diversos abalos emocionais.
Em março de 1987, Rosane Collor assumiu o papel de primeira-dama de Alagoas, posição que ocupou após seu marido, Fernando Collor de Mello, vencer as eleições para governador do estado no ano anterior. De origem política, Rosane vinha de uma família influente nos municípios do sertão alagoano, o que a familiarizava com o cenário social e político da região. Durante seu tempo como primeira-dama estadual, ela se envolveu ativamente em uma série de iniciativas sociais, dirigindo programas voltados para educação, saúde e inclusão social com o objetivo de suprir lacunas nas áreas mais carentes do estado. Sua atuação foi fundamental para impulsionar projetos que apoiavam mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade e que promoviam o acesso à educação e saúde básica nas comunidades mais afastadas.
A dedicação de Rosane foi interrompida em maio de 1989, quando Collor renunciou ao cargo de governador para lançar sua candidatura à Presidência da República. Na campanha presidencial de Collor, Rosane desempenhou um papel importante, representando a imagem de uma primeira-dama jovem e engajada, que seria uma defensora das causas sociais. Sua visibilidade e responsabilidade cresceram substancialmente, pois a ascensão ao cargo mais alto do Executivo nacional traria desafios adicionais ao casal, que agora seria o centro das atenções políticas no Brasil.
Em março de 1990, aos vinte e seis anos de idade, Rosane Collor assumiu o papel de primeira-dama do Brasil, tornando-se a presidente da Legião Brasileira de Assistência (LBA) em 20 de março do mesmo ano. Em sua gestão, Rosane passou a percorrer o país para avaliar de perto as desigualdades sociais e elaborar políticas de assistência voltadas para populações de baixa renda, focando especialmente em áreas vulneráveis onde a LBA poderia atuar diretamente. Seu objetivo era reduzir as disparidades sociais por meio do acesso facilitado a serviços básicos e auxílio emergencial. Contudo, apesar de seu envolvimento, enfrentou resistência do próprio Fernando Collor, que pressionava para que ela deixasse o cargo ou limitasse suas atividades na LBA, por motivos que poderiam envolver o controle sobre as decisões institucionais.
Durante sua atuação como primeira-dama, Rosane esteve no centro de importantes eventos diplomáticos. Em 1991, ela e o presidente Collor receberam o príncipe Charles e a princesa Diana de Gales em uma visita de Estado que marcou as relações diplomáticas entre Brasil e Reino Unido. Na noite de 23 de abril, Rosane ofereceu um banquete em homenagem ao casal britânico no Palácio Itamaraty, onde sua interação com Diana chamou atenção. Em um gesto de cordialidade, Rosane enviou um vestido de sua estilista Glorinha Pires Rebelo à princesa, que se encantara com o design.
Pouco depois, em 7 de maio de 1991, Rosane e Collor receberam em visita oficial o primeiro-ministro de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, e sua esposa, Maria Cavaco Silva. Esse evento reforçou os laços entre Brasil e Portugal, destacando o papel de Rosane na recepção de delegações internacionais, onde ela buscava estreitar os laços culturais e políticos com outras nações de língua portuguesa.
O episódio envolvendo Rosane Collor e a Legião Brasileira de Assistência, revelado pelo Jornal do Brasil, levantou graves acusações de desvio de verbas públicas para favorecer familiares da primeira-dama. A investigação revelou que a LBA teria destinado recursos para ações em regiões carentes do Nordeste, mas que, na prática, beneficiaram membros da família Malta. Entre as irregularidades, estava a compra superfaturada de leite e a concessão de 59 milhões de cruzeiros para o irmão de Rosane, Pompílio Malta, destinado ao fornecimento de água através de carros-pipas em Canapi — uma ação que nunca foi concretizada. Outro valor significativo, cerca de 35 milhões de cruzeiros, foi repassado para uma construtora em Mata Grande pertencente a uma prima de Rosane, com o mesmo propósito de combate à seca, mas também sem registros de execução.
A crise ganhou proporções públicas quando Rosane deixou a presidência da LBA em setembro de 1991, realizando um discurso de despedida marcado por tensões e hesitações. Em suas palavras, ela afirmou deixar o cargo "sem mágoas", acusando adversários de tentar desestabilizá-la por "interesses políticos subalternos". Com o agravamento da crise, a relação entre Rosane e Fernando Collor começou a se desgastar de forma visível, com o presidente aparecendo em eventos públicos sem a aliança de casamento, o que sinalizava problemas no âmbito pessoal e político do casal.
Rosane e o presidente Collor fizeram viagem oficial ao Japão entre os dias 8 e 15 de novembro de 1990 onde participaram em Tóquio, da entronização do imperador Akihito.
Entre os dias 14 e 19 de maio de 1991, o casal Collor fez visita de Estado a Espanha, onde foram recebidos pelo rei Juan Carlos e pela rainha Sofia. Para homenagear os Collor, o casal real realizou um banquete, em Madrid, no dia 16 de junho de 1991.
Rosane e Fernando Collor foram recebidos pelo rei Carlos XVI Gustavo e pela rainha Sílvia da Suécia, em Estocolmo, numa visita presidencial em 5 de junho de 1991.