Ruhollah Musavi Khomeini (em persa روح الله موسوی خمینی, transl. Rūḥollāh Mūsavī Khomeynī, Khomein, 24 de setembro de 1902 - Teerã, 3 de junho de 1989) foi uma autoridade religiosa xiita iraniana, líder espiritual e político da Revolução Iraniana de 1979 que depôs Mohammad Reza Pahlavi, na altura o xá do Irã, e instaurou uma república islâmica. Governou o Irã desde a deposição do xá Reza Pahlavi até a sua morte em 1989. Costuma ser referido como Imã Khomeini dentro do Irã e no mundo ocidental como Aiatolá Khomeini.
Após a revolução, Khomeini tornou-se o Líder Supremo do país, uma posição criada na constituição da República Islâmica como a autoridade política e religiosa mais alta da nação, que ele manteve até sua morte. Ele foi sucedido por Ali Khamenei em 4 de Junho de 1989.
Khomeini nasceu em 1902 em Khomein, na atual província de Markazi, no Irã. Seu pai foi assassinado em 1903, quando Khomeini tinha cinco meses de idade. Ele foi criado por sua mãe, Hajieh Agha Khanum, e sua tia, Sahebeth.Começou a estudar o Alcorão e a língua persa desde os seis anos de idade. Ao longo da sua infância continuou a sua educação religiosa, auxiliado por seus parentes, incluindo o primo e irmão mais velho de sua mãe. A sua família afirmava descender de Maomé.
No final da Primeira Guerra Mundial, sua mãe e sua tia morreram numa terrível epidemia de cólera que assolou o Irã em 1918. Logo após isso ele, aos dezasseis anos, entrou no seminário em Qom.
Khomeini casou em 1929 com Khadijeh Safaqi, filha de um respeitado clérigo iraniano, quando ela tinha 16 anos de idade. Tiveram sete filhos - tendo dois morrido na infância. Raramente vista em público, foi considerada por Rafsanjani a mais próxima e mais paciente apoiante do marido. O seu filho mais velho, Mostafa, foi assassinado em 1977 quando estava exilado com o pai na cidade iraquiana de Najaf. Pensa-se que seu assassinato tenha sido realizado pelo SAVAK.
A religião, a agitação política
Khomeini recebeu o estatuto de aiatolá (perito em religião/direito) nos anos 1950. Em 1964 ele foi para o exílio, na Turquia, após o seu criticismo reiterado do governo do xá Mohammad Reza Pahlavi, alegando que este governava de forma corrupta e despótica. Khomeini opunha-se à ocidentalização do país e exigia regresso á "pureza islâmica", acusando o Xá de "abandonar o Alcorão". Ele fugiu para Najaf, no Iraque, onde permaneceu até ser forçado a sair por Saddam Hussein em 1978, altura em que foi para Neauphle-le-Château na França. Em declarações à Imprensa, afirmou que a pretendida república islâmica trataria todos os seus cidadãos como iguais, incluindo judeus, cristãos e outras minorias “lícitas”. O clero, segundo ele, tinha a tarefa mais elevada de oferecer orientação moral à nação do Irão, e evitaria ambições políticas e o monopólio do poder.
De acordo com Alexandre de Marenches (à época chefe do Serviço de Documentação Exterior e Contraespionagem, os serviços secretos franceses), a França teria nesta altura proposto ao xá um "arranjo de acidente fatal de Khomeini". Segundo esta versão, o xá teria recusado a proposta deste assassínio, argumentando que isto faria dele um mártir.[carece de fontes?]
Em 1925, um oficial do exército persa, Reza Pahlevi, um secular, aproveitando o seu adquirido prestígio militar, fez com que o parlamento iraniano o nomeasse xá da Pérsia. Em 1941 – em plena Segunda Guerra Mundial – pensa-se que o xá se inclinava para o regime nazista, o que no entanto poderia não passar de propaganda britânica, dado que Reza Pahlevi se opunha aos contratos leoninos sobre o petróleo, aceites pelos seus antecessores. Em 16 de Setembro de 1941, tropas britânicas e soviéticas invadem o país, para não perder a principal fonte de abastecimento de petróleo, e forçam Reza Pahlevi a abdicar em favor de seu filho Mohamed Reza Pahlevi.
Este último, ao terminar a guerra se encontra com a direção do principal país exportador de petróleo do mundo, mas apesar de que esta situação geraria riquezas para o Irã, no entanto o país apenas retirava 9% dos lucros da exploração. A retirada das tropas estrangeiras de território iraniano, graças às pressões sociais, obriga em 1951 o novo xá a nomear um primeiro-ministro: Mohamed Mossadeg.
Mohamed Mossadeg era um nacionalista, contrário à ideia de uma ingerência estrangeira na vida iraniana. Em sua gestão se nacionalizou o petróleo (1953) e fez abdicar o xá Reza Pahlevi. Um golpe da CIA e dos Serviços Secretos ingleses depõe finalmente Mossadeg, devolvendo o governo ao xá.
Desta forma começa um novo período no Irã, caracterizado por um monarca que, com a chamada Revolução Branca, quer converter seu país em uma potência econômica e militar na região. Em Fevereiro de 1963, o Xá concedeu ás mulheres o direito de voto e de serem eleitas para o Parlamento. Em setembro desse ano, houve eleições parlamentares, e pela primeira vez seis mulheres foram eleitas para os Majlis, e duas designadas pelo próprio Xá para servir no Senado. Khomeini, o futuro líder do Irão, declarou que dar ás mulheres o direito de voto era equivalente a prostituição.
Mas apesar de progressos, como na reforma agrária, ensino e na condição feminina, o governo do Xá, destacado por sua política de aproximação ao Ocidente, utilizou métodos despóticos contra os dissidentes, usando a temida polícia secreta, a SAVAK.
A esta situação se somou a inflação, a escassez de trabalho e os abusos dos Direitos Humanos. O mal-estar popular foi crescendo até chegar à revolução. O líder religioso Ruhollah Khomeini por suas características pessoais, impôs-se como o líder indiscutível do movimento que levaria á revolução iraniana.
Em 16 de janeiro, o xá Reza Pahlevi abandona o país, após ter nomeado o secular Shahpour Bakhtiar primeiro ministro, anunciando que ele e a sua família iriam de férias, após o que, daí a 3 meses, haveria um referendo á população. Nunca mais voltaria.
Regresso do Exílio e Tomada do Poder
Em 1 de Fevereiro de 1979 Khomeini volta do seu exílio na França, e é acolhido no aeroporto por uma multidão de cerca de cinco milhões de pessoas. Perguntado sobre o que sentia ao regressar, ficou célebre a sua respostaː "Nada". Logo após a chegada, deslocou-se a um cemitério ao sul de Teerão, onde prestou homenagem aos mártires da revolução. Aí, no seu primeiro sermão após o regresso, depois dos habituais ataques ao Xá, prometeu nomear um novo governo, com o apoio do povo.
Cinco dias depois da sua chegada, e com um governo ainda oficialmente em funções - o de Bakhtiar - Khomeini nomeou Medi Bazargan como chefe dum governo provisório. Ao fazê-lo, declarouː "Como um homem que, através da tutela que recebi do Legislador Sagrado (Maomé) eu declaro Bazargan como Governante, e dado que o designei, ele deve ser obedecido. A nação deve obedecê-lo. Este não é um governo comum. É um governo baseado na sharia. Opor-se a este governo significa opor-se à sharia do Islão e revoltar-se contra a sharia, e revolta contra o governo da sharia tem punição em nossa lei... é uma punição pesada na jurisprudência islâmica. Revolta contra o governo de Alá é uma revolta contra Alá. A revolta contra Alá é blasfêmia." Estas palavras de Khomeini eram uma referência ao conceito de velayat-e faqih (tutela do jurista), uma sua teoria datada já de 1969 em Najaf, objecto de um livro ː Velayat-e faqih (Governo Islâmicoː Governo do jurista).