Neste Dia

Rui Silva

Atleta português de meio-fundo

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Rui Manuel Monteiro da Silva CvIH • ComIH (Santarém, 3 de agosto de 1977) é um atleta português, especialista em meio fundo, designadamente os 1500 e os 3000 metros. Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, conquistou 10 medalhas em grandes competições internacionais, com as cores de Portugal, entre as quais 1 título de campeão mundial e 3 títulos de campeão europeu (em pista coberta), afirmando-se como um dos melhores atletas portugueses de sempre. Representou o Sporting Clube de Portugal entre 1996 e 2016, quando mudou para o Benfica.

Rui Silva começou no futebol, nos iniciados do União de Santarém, antes de fazer a passagem para o atletismo, aos 15 anos, seduzido pelo treinador do Estrela Ouriquense, Pedro Barbosa. Um ano mais tarde sagrou-se campeão nacional de juvenis, em corta-mato. Impressionado com as capacidades do jovem de Santarém, o seu treinador entrou em contacto com o Sporting Clube de Portugal, com o objectivo de proporcionar melhores condições de trabalho e desenvolvimento para o atleta. O convite dos Leões, um dos clubes nacionais com maior tradição no atletismo, surge em 1995, pouco antes da sua subida a sénior. Foi já em Alvalade que Rui Silva começou a treinar com Bernardo Manuel, na companhia dos gémeos Domingos e Dionísio Castro, com quais estabeleceu uma forte amizade. No mesmo ano, classifica-se em 6.º Lugar nos Europeus de juniores e na época seguinte fica em 8.º Lugar no Mundial, do mesmo escalão.

Estreia em Europeus e Mundiais

Os bons resultados enquanto junior davam a entender que a adaptação ao atletismo ao mais alto nível não seria um problema para Rui Silva. Mas nada faria supor uma estreia tão forte em grandes competições internacionais. Em 1998, com apenas 20 anos, o meio fundista surpreende tudo e todos e conquista a medalha de ouro nos Europeus de Pista Coberta de Valência, na prova de 1500 metros, com o tempo de 3.44,57. Numa ponta final fortíssima, Rui Silva deixou para trás a concorrência do francês Abdelkader Chékhémani e do russo Andrey Zadorozhniy. A 20 de Agosto do mesmo ano,na capital húngara Budapeste, o atleta leonino sagra-se vice-campeão europeu ao ar livre, provando que a sua conquista em indoor não tinha sido apenas um golpe de sorte. O jovem escalabitano apenas ficou atrás do espanhol Reyes Estévez, com o tempo de 3.41,84, num pódio totalmente ibérico, pois outro espanhol, Fermín Cacho, campeão olímpico de Barcelona, levou a medalha de bronze. Estes foram uns Europeus de sucesso para as cores lusitanas, que conquistaram um total de 6 medalhas, incluindo os títulos de António Pinto e Manuela Machado, nos 10000 metros e Maratona, respectivamente.

A 6 de Outubro de 1998 foi feito Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 1999, Rui Silva conquistou o título de campeão da Europa, no escalão de sub-23, reforçando o estatuto de um dos melhores atletas mundiais de 1500 metros. Já antes, em Março, o atleta nacional havia sido 5.º Classificado nos Mundiais de pista coberta de Maebashi (Japão), numa prova fantástica em que ficou a meio segundo do bronze. Restou a consolação de ter batido o record de Portugal, com o tempo de 3.34,99, primeira vez que um corredor nacional conseguiu baixar os 3 minutos e 35 segundos, em 1500 metros, a nível indoor. Não correu tão bem foi a participação nos Mundiais de Sevilha, disputados em Agosto do mesmo ano. A prova de 1500 metros até estava a correr bem ao atleta português, mas uma queda quando estava a começar o sprint final para a meta, deitou tudo a perder e Rui Silva acabou naturalmente em último lugar da sua meia final, matando de imediato os seus projectos para a competição.

Em ano de estreia nos Jogos Olímpicos, o meio fundista nacional começou em grande, com mais um lugar no pódio europeu. Em Gent, sagrou-se vice-campeão europeu em pista coberta, depois duma meia final complicada onde se apurou apenas no 10.º posto entre 12 qualificados. Na final dos 3000 metros, a história foi diferente, e apenas o irlandês Mark Carrol impediu novo título de campeão da europa. A nível de clubes, ajudou a sua equipa, o Sporting Clube de Portugal a fazer história, sagrando-se pela primeira vez campeão da europa por clubes, no sector masculino. Rui Silva venceu ambas as provas que disputou, os 1500 e os 3000 metros, dando decisivo contributo para o triunfo dos verde e brancos por apenas meio ponto, sobre a equipa russa do Luch.

Desilusão nos Jogos Olímpicos de Sydney

Como campeão da europa em indoor, dos 1500 metros, o jovem de 23 anos era um dos cabeças de cartaz para a participação lusa em Sydney, e a esperança era de conquistar uma medalha. No entanto as coisas não correram pelo melhor e a corrida foi desastrosa, com um resultado totalmente inesperado, a eliminação precoce da competição, logo nas qualificações. Rui Silva, que tinha tido uma virose poucos dias antes, não teve rasgo para responder à velocidade da sua corrida e conseguiu apenas o 32.º melhor tempo no conjunto das 3 séries, com um tempo 11 segundos mais lento que o seu record de Portugal.

Apostado em esquecer aquela que foi provavelmente a grande desilusão da sua carreira desportiva, o corredor do Sporting CP virou baterias para os Mundiais de 2001, tanto a nível indoor como em pista. Os resultados dificilmente podiam ter sido mais positivos, com o seu primeiro título de campeão do Mundo, conquistado no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. A jogar em casa, e num pavilhão praticamente em estado de ebulição, o português foi o melhor tempo da semifinal, mas não teve uma final fácil. O espanhol Reyes Estévez e o campeão olímpico Noah Ngeny dificultaram bastante a tarefa ao português, que numa prova muito táctica soube esperar pelo momento certo para atacar, ultrapassando ambos na recta da meta. Foi a vitória mais importante da sua carreira, até à altura, especialmente por ter sido conseguida no seu País. Em Agosto, nos Mundiais ao ar livre, em Edmonton, o sucesso não foi repetido e o representante português terminou a final no 7.º lugar. O resultado não foi considerado um fracasso, dadas as condições em que o atleta se encontrava uma semana antes da competição, com febres altas, que só baixaram com uma injecção de penicilina. A prova foi ganha por Hicham El Guerrouj, estrela marroquina do meio fundo, que se viria a sagrar campeão olímpico em Atenas, tanto nos 1500 como nos 5000 metros.

Rui Silva conquistou mais 3 medalhas nos anos que antecederam os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Em Viena, renovou o título de campeão europeu de pista coberta, em Março de 2002. Super-favorito para a prova dos 1500 metros, o sportinguista bateu Juan Carlos Higuero ao sprint, conquistando o bi-campeonato europeu indoor, com o tempo de 3.35,86. Nos Europeus de Agosto, a medalha conquistada foi de bronze, a sua estreia no último lugar do pódio em grandes competições internacionais. Em Munique, o campeão português ficou atrás do promissor atleta francês Mehdi Baala e do espanhol Reyes Estévez, com a vitória de Baala apenas a ser decidida em photo finish. Reyes Estévez ainda julgou ter ganho e celebrou a vitória com a volta de honra, antes da decisão oficial ter saído. A corrida foi lenta demais, contra as preferências de Rui Silva, que conquistou a medalha de bronze por apenas 3 centésimos, graças a um esforço final impressionante. 2003 não foi um ano tão simpático para o escalabitano, que não passou das qualificações nos Mundiais de pista coberta em Birmingham e ficou em 5.º Lugar nos Mundiais de Paris. No entanto, os resultados voltariam à normalidade, em vésperas de Jogos Olímpicos, com a medalha de prata do Campeonato Mundial de Pista Coberta, Budapeste 2004, na prova dos 3000 metros. O recordista português da distância apenas perdeu para o queniano Bernard Lagat, provando que foi boa a aposta em competir nesta distância, tão perto dos Jogos de Atenas.

Medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2004

Quatro meses depois do vice-campeonato mundial indoor, Rui Silva ainda escaldado pelo rotundo fracasso de Sydney não prometia medalha, e apenas revelava ambicionar um lugar na final dos 1500 metros. O discurso humilde deu frutos e o meio fundista nacional apareceu em prova em grande forma, muito motivado para conseguir um resultado digno de registo. Durante a final da prova, manteve-se sempre para trás da corrida, na expectativa, uma imagem de marca do português, evitando gastos de energia desnecessários. À entrada da última volta começou a atacar em força, mas a 200 metros do final ainda estava no 6.º lugar. À entrada da recta da meta, a estratégia revelava-se totalmente acertada, pois já se encontrava em 4.º lugar e parecia claramente mais rápido e fresco que Timothy Kiptanui, atleta do Quénia, que se encontrava no último lugar medalhável. A diferença de velocidades era tão grande que o português ainda teve tempo de abrandar a 20 metros do final da prova, para festejar a conquista duma medalha de bronze histórica, que já não iria mais fugir. El Guerrouj venceu como era expectável, com o tempo de 3.34,18, a medalha de prata caiu para Bernard Lagat com 3.34,30, sem surpresas. O grande destaque foi mesmo para o europeu que se intrometeu no meio de outros quatro atletas africanos, para conseguir a medalha de bronze, com o tempo de 3.34,68. Esta foi a terceira medalha olímpica de Portugal nos Jogos de Atenas, depois das medalhas de prata de Francis Obikwelu, nos 100 metros e Sérgio Paulinho, no ciclismo. Pouco mais de duas semanas depois de completar 27 anos, Rui Silva logrou conquistar a 20.ª medalha olímpica portuguesa da história.

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