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Ruth Cardoso

Antropóloga brasileira e 34.ª Primeira-dama da República Federativa do Brasil (1930–2008)

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Ruth Correia Leite Cardoso GCM • GcolPC • GCNM • GCIC • GCIH (Araraquara, 19 de setembro de 1930 — São Paulo, 24 de junho de 2008) foi uma antropóloga, professora universitária e socióloga brasileira, reconhecida internacionalmente por suas pesquisas sobre movimentos sociais, cultura urbana e participação política na América Latina. Foi professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e integrou instituições acadêmicas de prestígio no exterior, como a Universidade da Califórnia em Berkeley. Entre 1995 e 2002, exerceu o papel de primeira-dama do país, durante a presidência de seu marido, Fernando Henrique Cardoso, o 34.º presidente do Brasil, destacando-se por conferir caráter institucional e técnico às políticas sociais desenvolvidas no período. Considerada uma das intelectuais mais influentes do país no campo das ciências sociais, Ruth Cardoso foi também membro da Academia Brasileira de Ciências.

Durante sua atuação como primeira-dama, coordenou a criação e presidiu o programa Comunidade Solidária, iniciativa voltada ao combate à pobreza e à promoção do desenvolvimento social por meio da articulação entre Estado, sociedade civil e setor privado. O programa tornou-se referência internacional em políticas públicas participativas e contribuiu para a formulação de ações posteriores na área social no Brasil. Ao contrário da tradição assistencialista associada ao cargo, Ruth Cardoso enfatizou a autonomia das comunidades e a valorização das organizações não governamentais, defendendo uma abordagem baseada em cidadania, inclusão social e fortalecimento institucional.

Na produção acadêmica, Ruth Cardoso dedicou-se especialmente ao estudo das transformações sociais nas grandes cidades, dos novos movimentos urbanos e das formas contemporâneas de organização popular, sendo pioneira na análise da sociedade civil brasileira durante a redemocratização. Sua obra influenciou gerações de pesquisadores e consolidou-se como referência na antropologia política latino-americana. Após sua morte, em 2008, recebeu diversas homenagens oficiais e acadêmicas, sendo lembrada como uma figura que uniu rigor intelectual, compromisso democrático e atuação pública inovadora.

Ruth Vilaça Correia Leite nasceu em Araraquara, no interior do estado de São Paulo. Era filha do contador José Correia Leite e de sua esposa, a professora e farmacêutica Maria Vilaça Correia Leite. Tinha uma irmã gêmea, Raquel, que morreu ainda muito jovem. A casa em que vivia sua família ficava no centro da cidade, hoje é uma agência bancária (um padrão comum nas cidades brasileiras é a expansão do setor terciário privado engolindo trechos ou até totalmente zonas residenciais, inclusive em bairros semi-centrais e outras zonas menos centrais). Ela viveu em sua cidade natal até os dezoito anos, quando se mudou para estudar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP).

Em 1951, Ruth Leite conheceu seu futuro marido, Fernando Henrique Cardoso, então um estudante de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Casaram-se em fevereiro de 1953 e tiveram três filhos juntos: Paulo Henrique, nascido em 1954; Luciana, nascida em 1958; e Beatriz, nascida em 1960.

Cursou o ensino fundamental no Grupo Escolar Antônio Joaquim de Carvalho, em Araraquara, entre os anos de 1939 e 1941. Posteriormente, estudou no Colégio Des Oiseaux, na capital do Estado.

Na década de 1970, tornou-se pioneira no reconhecimento emergencial de movimentos feministas, étnico-raciais e de orientação sexual classificados por ela como "novos movimentos sociais”.

Na área da antropologia, Ruth recebeu alguns títulos acadêmicos por meio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Em 1952, formou-se em bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais, continuando em 1959, o mestrado em Sociologia com o tema "o papel das associações juvenis na aculturação dos japoneses". O doutorado em Ciências Sociais concluiu no ano de 1972, com a tese: "Estrutura familiar e mobilidade social: estudo dos japoneses no Estado de São Paulo". Em 1988, obteve pós-doutorado pela Columbia University e New York University, em Nova York, nos Estados Unidos.

Atuou como docente e pesquisadora na USP; no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap); na pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional do Rio de Janeiro; na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e na Universidade do Chile, ambas em Santiago; na Maison des Sciences de l’Homme em Paris; e nas universidades de Berkeley e Columbia, nos Estados Unidos.

Ruth Cardoso tornou-se primeira-dama do Brasil com a posse de Fernando Henrique Cardoso em 1 de janeiro de 1995.

Durante os dois mandatos de seu marido, se manteve influente em seus diálogos intelectual e político e promoveu ações de assistência social voltadas as políticas de combate à pobreza no país. No primeiro dia de governo de FHC, aplicou a extinção da Legião Brasileira de Assistência (LBA), sempre comandado pela primeira-dama do país desde Darcy Vargas.

Exerceu cargos de destaque como o de coordenadora do conselho assessor do Banco Interamericano de Desenvolvimento sobre Mulher e Desenvolvimento. Ruth ressaltava "que, ao contrário dos homens, que seriam competitivos, as mulheres são colaborativas e precisam ser colocadas no centro das políticas de desenvolvimento". Foi membro da junta diretiva da United Nations Foundation da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Comissão da Organização Internacional do Trabalho sobre as Dimensões Sociais da Globalização e da Comissão sobre a Globalização.

Recepção de autoridades estrangeiras

Em julho de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso e a primeira-dama Ruth Cardoso recepcionaram em Brasília, o presidente da África do Sul Nelson Mandela. Foram convidadas 120 pessoas para sua recepção, que assistiram a shows da Mangueira, escola de samba do Rio de Janeiro, além de capoeira, maculelê e de Boi de Parentins.

A primeira-dama Ruth Cardoso e o presidente Fernando Henrique Cardoso, receberam no Palácio do Planalto, em 2 de maio de 1999, a rainha Margarida II da Dinamarca, o príncipe consorte Henrique e o príncipe herdeiro Frederico, que estiveram em visita oficial ao Brasil durante duas semanas. Após visitar o Congresso Nacional, foi oferecido a ela pelo casal Cardoso um banquete em homenagem à visita da família real dinamarquesa ao Brasil.

Trabalhou na criação do Programa Comunidade Solidária, implantado em 1995 pelo governo para o combate da extrema pobreza, que funcionava nos âmbitos governamental e sociedade civil. O programa veio em substituição aos extintos órgãos da Legião Brasileira de Assistência e Conselho Nacional de Segurança Alimentar.

Em 29 de outubro de 2000, Ruth Cardoso viajou até, nos Estados Unidos, para participar de uma cerimônia em Hyde Park, em Nova York, onde recebeu pelo Comunidade Solidária a medalha Eleanor Roosevelt Val-Kill, dada a personalidades que tenham se destacado em trabalhos sociais.

Dentro do Comunidade Solidária, outros programas como a Alfabetização Solidária também ganharam destaque. O programa destinado a combater o analfabetismo dos jovens entre 12 e 18 anos. Foi premiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

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