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Ruy Ferraz Fontes

Ruy Ferraz Fontes (São Paulo, 1 de abril de 1961 – Praia Grande, 15 de setembro de 2025) foi um delegado de polícia bras

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Ruy Ferraz Fontes (São Paulo, 1 de abril de 1961 – Praia Grande, 15 de setembro de 2025) foi um delegado de polícia brasileiro, atuante na Polícia Civil do Estado de São Paulo, onde exerceu o cargo de delegado-geral da corporação entre 2019 e 2022. Destacou-se pelo combate pioneiro ao crime organizado paulista, em particular ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (FDSBC), onde também concluiu uma pós-graduação lato sensu em Direito Civil. Realizou especializações em administração geral e financeira em órgãos públicos e participou de cursos internacionais relacionados à repressão ao narcotráfico e ao terrorismo, em países como França e Canadá. Além disso, atuou como professor Assistente de Criminologia e Direito Processual Penal da Universidade Anhanguera e também como professor de Investigação Policial pela Academia da Polícia do Estado de São Paulo.

Iniciou a carreira na Polícia Civil de São Paulo no início da década de 1980, atuando em diferentes unidades do interior e da capital. Foi delegado titular em delegacias como a do município de Taguaí, além de ter chefiado setores estratégicos como a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc), a Delegacia de Investigações sobre Furtos e Roubos a Bancos, no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e a Delegacia de Polícia Especializada em Homicídios, vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Também ocupou a direção do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Fontes atuou por mais de 40 anos na corporação, até a sua aposentadoria em 2023.

No Deic, Ruy Ferraz Fontes se tornou o primeiro delegado a investigar a atuação da facção no estado. Em maio de 2002, Fontes divulgou um inédito organograma do PCC, que trazia no topo o nome de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e da ex-mulher dele, a advogada Ana Maria Olivatto, assassinada a tiros em Guarulhos após ser jurada de morte pela cúpula da facção à época por supostamente colaborar com a polícia. Nesse momento, expressos no relatório de Fontes, também integravam o primeiro escalão José Márcio Felício, o Geleião e de César Augusto Roriz Silva, o Cesinha, fundadores do PCC que foram jurados de morte pelo Marcola, após a morte de sua ex-mulher.

Nesse cenário, em novembro de 2002, após ser excluído da organização, Geleião concedeu informações ao Deic sobre o PCC, fato que contribuiu para que 16 lideranças da facção fossem isoladas, em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) na penitenciária de Presidente Bernardes, e posteriormente indiciadas por Fontes pelo crime de formação de quadrilha.

Em 2003, o delegado divulgou outro organograma da facção. Dessa vez, após as alterações internas geradas pelas disputas de liderança no ano anterior, figuravam como líderes, ao lado de Marcola, os nomes de Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, e Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu.

Em 2006, Fontes foi o responsável por indiciar toda a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo o líder Marcola, antes de serem isolados no presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau.

Em janeiro de 2019, foi nomeado delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, durante o governo de João Doria, permanecendo no cargo até abril de 2022. Nesse período, conduziu políticas de reorganização administrativa da corporação e intensificou operações de enfrentamento ao crime organizado.

Após sua saída da Delegacia Geral e posterior aposentadoria da Polícia Civil, Fontes assumiu em janeiro de 2023 o cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, onde permaneceu até sua morte. No município, fazia a gestão de recursos humanos, gestão de patrimônio e era responsável pela última fase dos processos licitatórios. Ele acompanhava também os processos administrativos relacionados ao pagamento de salários.

Ruy Ferraz Fontes foi morto em 15 de setembro de 2025, aos 64 anos, em Praia Grande, município de São Paulo. O crime, de alta repercussão midiática, ocorreu quando deixava a prefeitura, sendo alvo de uma emboscada praticada por homens armados. O veículo em que estava foi perseguido, colidiu com um ônibus e capotou, momento no qual criminosos dispararam diversos tiros de fuzil contra ele. A investigação inicial apontou indícios de execução planejada, com suspeita de envolvimento do PCC, em razão de sua longa trajetória de combate à facção. Pouco antes de sua morte, Fontes havia relatado a pessoas próximas preocupações com a própria segurança, afirmando que se encontrava sem estrutura de proteção adequada e exposto a riscos.

Christino, Marcio Sergio; Tognolli, Claudio (6 de dezembro de 2017). Laços de sangue: A história secreta do PCC. São Paulo: Matrix. ISBN 978-85-8230-425-9

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