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Ryan White

Ryan Wayne White (Kokomo, 6 de dezembro de 1971 – Indianápolis, 8 de abril de 1990) foi um adolescente americano de Koko

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Ryan Wayne White (Kokomo, 6 de dezembro de 1971 – Indianápolis, 8 de abril de 1990) foi um adolescente americano de Kokomo (Indiana) que ficou em evidência por ter sido expulso da escola em função de estar com o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Portador de hemofilia, Ryan infectou-se durante um tratamento sanguíneo, e quando do diagnóstico de aids, foram-lhe estimados apenas seis meses de vida. Embora os médicos dissessem que ele não oferecia riscos aos demais estudantes, a aids era uma doença pouco compreendida em seu tempo e quando White tentou retornar à escola, muitos pais e professores em Kokomo manifestaram-se contrários à sua presença. Uma longa batalha legal com o sistema escolar e a cobertura midiática dessa luta fizeram de Ryan White uma celebridade e um porta-voz para a pesquisa sobre a doença e a educação pública. Para a surpresa dos médicos, White viveu por cinco anos além da previsão e morreu em abril de 1990, pouco antes de completar o ensino secundário.

Antes de White, a aids era uma doença amplamente associada aos homossexuais, em função dos primeiros diagnósticos. Essa percepção mudou quando White e outras pessoas famosas com a doença, tais como Magic Johnson, os Irmãos Ray, Kimberly Bergalis e Arthur Ashe, apareceram na mídia para defender a causa das pesquisas e da educação pública. O Congresso dos Estados Unidos aprovou o Ryan White Care Act logo após a morte de White. A lei foi prorrogada em 2006 e novamente em 30 de outubro de 2009: os programas baseados nos fundos dessa lei são a maior fonte de serviços para pessoas com o vírus HIV nos Estados Unidos da América.

Ryan White nasceu no Hospital Saint Joseph Memorial em Kokomo (Indiana), filho de Jeanne Elaine (Hale) e Hubert Wayne White. Ele foi circuncidado, porém o sangramento não parou. Quando Ryan tinha três dias de idade, médicos diagnosticaram uma severa hemofilia do tipo A, uma doença hereditária referente a desordens na coagulação do sangue, associada ao cromossomo X, que causa hemorragia severa mesmo em ferimentos pequenos. Para o tratamento, ele recebeu transfusões de Fator VIII, um produto sanguíneo criado do plasma de não hemofílicos, uma fonte comum e cada vez mais usada para o tratamento de hemofílicos na época.

Saudável durante a maior parte de sua infância, ele ficou extremamente doente, com pneumonia, no final de 1984. Em 17 de dezembro de 1984, durante uma retirada parcial do pulmão, White foi diagnosticado com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS/SIDA). A comunidade científica pouco sabia sobre essa doença na época: cientistas apenas descobriram no início daquele ano que o HIV era a causa da doença. White tinha recebido um tratamento à base de Fator VIII contaminado com o HIV. Em função de o HIV ter sido identificado há pouquíssimo tempo como o causador da aids, muito do Fator VIII armazenado tinha sido contaminado em função de os médicos não saberem como diagnosticar a doença; logo, não sabiam o que estava infectado. Entre os hemofílicos tratados com fatores sanguíneos entre 1979 e 1984, aproximadamente 90% foram infectados com o vírus HIV, e boa parte deles não sabiam que estavam infectados e nem que o HIV pudesse ser contraído através do sangue. Na época do diagnóstico, sua contagem de Linfócito T auxiliar caiu para 25 (um indivíduo saudável sem o HIV tem uma contagem de aproximadamente 1 200). Os médicos predisseram que White teria apenas seis meses de vida.

Após o diagnóstico, White estava demasiado doente para retornar à escola, mas no início de 1985 começou a sentir-se melhor. Sua mãe pediu para que Ryan pudesse voltar à escola, mas os responsáveis pela escola negaram. Em 30 de junho de 1985, uma requisição formal para permitir a readmissão na escola foi negada pelo superintendente da Western School Corporation, James O. Smith, dando início a uma batalha legal que durou oito meses.

A escola na qual White estudava, Western School Corporation in Russiaville (Indiana), enfrentou enorme pressão de muitos pais e do corpo docente para impedir a entrada de Ryan após a ampla divulgação do diagnóstico. 117 pais (de um total de 360 estudantes) e 50 professores fizeram um abaixo-assinado encorajando as autoridades escolares a expulsarem White. Em função do grande medo e ignorância sobre a doença, o diretor e mais tarde o conselho escolar concordaram. A família White promoveu uma ação no sentido de revogar a proibição. Os Whites inicialmente promoveram a ação na Corte distrital da capital do estado, Indianápolis, que no entanto se recusou a apreciar o caso antes do esgotamento das vias administrativas. Em 25 de novembro de 1985, o Departamento de Educação de Indiana decidiu que a escola deveria seguir as orientações do Conselho de Saúde de Indiana e White foi autorizado a frequentar a escola.

As maneiras pelas quais o HIV se espalhou pelo mundo ainda não estavam totalmente compreendidas na década de 1980. Os cientistas sabiam que a doença se espalhava pelo sangue e que não era transmitida por eventuais contactos, mas ainda em 1983, a Associação Médica Americana acreditava que a doença pudesse se espalhar no contacto doméstico. Crianças com aids ainda eram poucas: no tempo da rejeição de White, os centros de controle de doenças atestavam a existência de apenas 148 casos pediátricos da doença nos Estados Unidos. Muitas famílias em Kokomo acreditavam que sua presença fosse um risco inaceitável. Quando White teve a permissão de ir à escola por um dia em fevereiro de 1986, 151 de 360 estudantes ficaram em casa. Ele também trabalhava como entregador de jornais e muitas das pessoas na região da qual ele fazia as entregas cancelaram as assinaturas, acreditando que o vírus pudesse ser transmitido através do papel.

O comissário estadual de saúde de Indiana, doutor Woodrow Myers, que teve grande experiência no tratamento de pacientes com aids em São Francisco, e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças declararam que White não oferecia risco a outros estudantes, mas o conselho escolar e muitos pais ignoraram tais declarações. Em fevereiro de 1986, o New England Journal of Medicine publicou um estudo no qual 101 pessoas haviam tido contacto estreito mas não sexual com pessoas doentes. O estudo concluiu que o risco de infecção era "mínimo a inexistente", mesmo quando o contacto incluía o compartilhamento de escovas de dentes, barbeadores, pentes e copos; dormir na mesma cama e abraços e beijos.

Quando White foi finalmente readmitido em abril, um grupo de famílias retirou suas crianças, colocando-as em outra escola. Ameaças de violência e de processos persistiram. De acordo com a mãe de White, as pessoas na rua gritavam "nós sabemos que você é bicha" para Ryan. Os editores e colunistas do jornal Kokomo Tribune, que apoiaram White tanto editorialmente como financeiramente, também foram chamados de homossexuais e ameaçados de morte por suas ações.

White frequentou a Western Middle School no oitavo ano entre 1986 e 1987, mas estava profundamente infeliz e tinha poucos amigos. Era-lhe pedido que comesse em utensílios descartáveis e que usasse banheiros separados. As ameaças continuaram. Quando uma bala trespassou a sala de estar da casa dos White, a família decidiu deixar a cidade de Kokomo. Após terminar o ano letivo, a família mudou-se para Cicero (Indiana), onde White matriculou-se na Hamilton Heights School Corporation. Em 31 de agosto de 1987, um "muito nervoso" White foi cumprimentado pelo diretor da escola, Tony Cook, pelo superintendente escolar Bob G. Carnal e muitos estudantes que, bem-educados sobre a natureza da doença, estavam sem qualquer medo de tocar a mão de White.

A publicidade dada ao caso de White catapultou-o para o centro das atenções, em meio a uma onda crescente de cobertura da aids na mídia. Entre 1985 e 1987, o número de notícias referentes à doença na imprensa americana dobrou. Enquanto estava isolado pela escola, White apareceu com frequência na televisão e em jornais para relatar suas tribulações com a doença. Depois, tornou-se conhecido como símbolo da crise da aids, aparecendo em eventos educacionais e de levantamento de fundos para a doença. White participou de numerosos eventos em prol de crianças com aids. Muitas celebridades apareceram com ele, desde o julgamento até o restante de sua vida, de forma a ajudar na desestigmatização social das pessoas com a doença. Os cantores John Mellencamp, Elton John e Michael Jackson, o ator Matt Frewer, o saltador Greg Louganis, o presidente Ronald Reagan e a primeira-dama Nancy Reagan, o cirurgião-geral Charles Everett Koop, o técnico do time de basquete masculino da Universidade de Indiana Bob Knight e o jogador de basquete Kareem Abdul-Jabbar fizeram amizade com White. Ele também tornou-se amigo de muitas crianças com aids ou com outras condições debilitantes.

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