Neste Dia

São José

Esposo da Virgem Maria, pai terreno de Jesus e santo

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José de Nazaré, conhecido como São José, foi o esposo da Virgem Maria e o pai adotivo e legal de Jesus Cristo, conforme testemunhado pelos Evangelhos segundo Mateus, Lucas e João. Descendente da casa real de David, pertenceu à linhagem messiânica prometida no Antigo Testamento e exerceu um papel essencial no mistério da Encarnação, ao acolher Maria e assumir a missão de proteger e educar o Messias.

São José é venerado como santo pelas Igrejas Católica, Ortodoxas, Anglicana e Luterana, sendo reconhecido como modelo de justiça, silêncio contemplativo, trabalho honesto e obediência à vontade de Deus. A liturgia da Igreja Católica, bem como de diversas tradições cristãs ocidentais, dedica-lhe o dia 19 de março, sob títulos tradicionais como Esposo da Virgem Maria e Tutor de Nosso Senhor. Além disso, desde 1955, a Igreja celebra também São José Operário em 1.º de maio, apresentando-o como Padroeiro dos Trabalhadores, em razão de sua vida simples e laboriosa como carpinteiro. José também empresta seu nome a muitas igrejas e lugares ao redor do mundo.

Por sua fidelidade conjugal, castidade notável e dedicação paternal a Jesus, José é considerado Padroeiro das Famílias, sendo proposto como exemplo para pais, esposos e homens cristãos em geral. O Papa Pio IX, em 1870, declarou-o solenemente Patrono e Protetor da Igreja Católica, confiando-lhe o cuidado espiritual do Corpo Místico de Cristo, assim como outrora cuidara da Sagrada Família. A piedade cristã também o invoca como patrono dos doentes e de uma boa morte, segundo a tradição de que teria falecido na presença de Jesus e Maria.

Na iconografia cristã, São José é frequentemente representado com lírios ou nardo, símbolos de sua pureza e integridade moral, e várias imagens suas receberam coroações canônicas concedidas por Papas. Com o desenvolvimento da Mariologia, cresceu também o campo teológico da Josefologia, dedicado ao estudo de sua missão na história da salvação, levando à criação de centros acadêmicos especializados desde meados do século XX. A veneração especial tributada a São José recebe, na teologia católica, o nome de protodulia, distinta da latria (devida somente a Deus), da hiperdulia (reservada à Virgem Maria) e da dulia (prestada aos demais santos).

Segundo um dos apócrifos, José, já em idade avançada, teria sido reunido, pelo Sumo Sacerdote, com os jovens de Jerusalém, todos descendentes de David, para saber qual deles seria o pai do Messias prometido. Cada um dos jovens tinha um cajado de madeira e Deus responderia florindo o cajado do escolhido. O que teria acontecido com José foi que cresceu um lírio em seu cajado. É uma tradição não confirmada pela Igreja. A idade dele, no entanto, não é confirmada pela Igreja, com fontes divergindo se era um jovem ou se já era um homem maduro ou idoso.

Os Evangelhos e a Sagrada Tradição Apostólica afirmam que o verdadeiro genitor de Jesus é Deus Pai: Maria, já tendo sido prometida em casamento a José, concebeu miraculosamente, sem que houvesse tido relações maritais com ninguém, por intermédio do Espírito Santo. Para o casal, tratou-se de um momento dramático, uma vez que, quando tomou ciência de que a esposa estava grávida de um filho que não era seu, José sentiu-se decepcionado e resolveu romper com ela, mas sem expô-la publicamente. O evangelista Mateus assim relata o episódio:

No entanto, após uma experiência mística num sonho, no qual um Anjo lhe aparecera, voltou atrás e reconheceu legalmente o Menino Jesus como seu legítimo filho.

Tendo assumido a guarda do menino, José ficou conhecido como suposto pai de Jesus. O evangelista Lucas relata esse título:

A profissão de José é mencionada pelo evangelista Mateus quando afirma, no capítulo 13 e versículo 55 de seu Evangelho, que Jesus era filho de um tektōn (τέκτων): termo grego que costuma receber várias interpretações. Ainda que a tradição lhe atribua estritamente a profissão de carpinteiro, o fato é que o título grego é genérico, sendo usado para designar os trabalhadores envolvidos em atividades econômicas ligadas à construção civil. Outras vertentes costumam considerar José como sendo um canteiro, ou seja, um operário que talhava artisticamente blocos de rocha bruta.

Os evangelhos reivindicam que Jesus, antes de iniciar sua vida pública, desempenhou a profissão do pai. O primeiro evangelista que atribui-lhe o título é Marcos, que refere-se a Jesus como "o Carpinteiro", no capítulo VI, versículo 3 da sua narrativa sinótica que relata uma sua visita a Nazaré na qual seus compatriotas chamavam-no ironicamente pela profissão para desqualificá-lo como pregador.

Mateus, por sua vez, retoma o mesmo episódio na sua versão do evangelho, mas com uma variante:

A tradicional tradução da expressão grega tektōn por carpinteiro se deve ao fato de que os Padres da Igreja e a própria Vulgata de São Jerônimo versavam-na para o nominativo latino făbĕr, fabri: termo que denota o artesão.

As notícias dos evangelhos sinóticos sobre São José são escassíssimas. Lucas e Mateus narram episódios cristocêntricos em que o carpinteiro está envolvido, dizendo que José era descendente do rei Davi e residia no pequeno povoado de Nazaré; João apenas o menciona como membro da Sagrada Família; ao passo que Marcos sequer cita expressamente seu nome.

As versões dos dois evangelistas que pormenorizam a árvore genealógica de Jesus divergem no que se refere a quem teria sido o pai de José:

A teologia protestante tenta elucidar essa discrepância, afirmando que Lucas, na verdade, estivesse registrando a genealogia de Maria, ao passo que Mateus, esse sim, a de José. Segundo esta vertente, Mateus segue a linhagem de José segundo a lei, remontando a Salomão, filho de Davi; Lucas, por sua vez, estaria seguindo a linhagem consanguínea de Jesus, por meio de Maria, esposa de José, mencionando Natã, filho de Davi. Como não havia designação própria para genro, José teria sido considerado um filho de Eli por ter se casado com Maria, filha de Eli. A interpretação é compartilhada pela Igreja Católica, cuja tradição considera ser Eli (Eliaquim ou Joaquim) o pai de Maria.

Os evangelhos resumem em poucas palavras a infância de Jesus, um período aparentemente normal, durante o qual, na oficina de José, o menino se preparava para a sua missão. Apenas um momento escapa a essa normalidade e é descrito por Lucas.

Quando Jesus tinha 12 anos, José levou-o juntamente com Maria em peregrinação até Jerusalém para as festividades da Páscoa. Transcorridos, porém, os dias da festa, enquanto voltava para casa, Jesus ficou na Cidade Santa, sem que José e Maria percebessem. Depois de tê-lo procurado por três dias entre a multidão de peregrinos, foram finalmente encontrá-lo no templo, discutindo as escrituras com os doutores da Lei. De acordo com o evangelista Lucas, sua mãe o repreendeu, falando-lhe da preocupação que afligiu-a assim como ao marido. Jesus, por sua vez, afirma ter Deus por Pai, na presença de José.

No entanto, ainda que tivesse ciência de que José não fosse seu genitor, o adolescente Jesus comportava-se diante dele como um verdadeiro filho, respeitando-o. É o que confirma o trecho subsequente da mesma narrativa de Lucas.

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