São Miguel do Oeste é um município localizado no oeste do estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil. Sua população em 2024, conforme estimativas do IBGE, era de 46 969 habitantes.
A cidade se destaca pela qualidade de vida, estando entre as melhores do país: ocupa o 37º lugar no IDH nacional e o 10º em Santa Catarina.
É a maior cidade do estado de Santa Catarina próximo à fronteira com a Argentina, ostentando o título de capital do extremo oeste catarinense, polarizando importantes órgãos e instituições de saúde, segurança e educação. É a cidade polo para mais de 20 municípios do extremo oeste catarinense, sediando a Região Geográfica Imediata de São Miguel do Oeste. Está inserida na Região Geográfica Intermediária de Chapecó, cidade da qual está distante 128 km.
É muito utilizada como ponto de parada de turistas argentinos, paraguaios e chilenos que visitam as praias catarinenses ou por brasileiros a caminho das Cataratas do Iguaçu.
São Miguel do Oeste foi fundado em 15 de fevereiro de 1954. A sua população é na grande maioria gaúcha, descendentes de italianos e alemães. O nome da cidade é uma mescla do nome de seu padroeiro, São Miguel Arcanjo, e do nome do distrito que deu origem a cidade, Vila Oeste.
Parte da área territorial do grande município de Chapecó, que se transformaria na região Extremo Oeste de Santa Catarina, teve a colonização iniciada no princípio dos anos 1920, quando os atuais municípios de Itapiranga e Mondaí, localizados na divisa com o Rio Grande do Sul, receberam os primeiros habitantes. Em diversas regiões do estado do Rio Grande do Sul se propagavam informações sobre a diversidade e quantidade de madeira e as potencialidades da faixa territorial localizada entre o rio Uruguai e o estado do Paraná, o que logo despertou o interesse comercial de colonizadores gaúchos. Nesse período da história, ocorreram as primeiras expedições após o evento das disputas territoriais entre Argentina, Paraná e Santa Catarina. Distante cerca de 70 quilômetros da divisa com o Rio Grande do Sul, Vila Oeste viria a ser colonizada a partir do início dos anos 1940, quando chegaram ao local as primeiras famílias trazidas pela colonizadora Barth, Benetti & Cia Ltda (de sócios Willy Barth, Alberto Dalcanale, Gastão Luiz Benetti, Manuel Passos Maia, Dionisio de Carli e Reinoldo Decarli). Surpresos com a riqueza da região, mas apreensivos com as dificuldades que enfrentariam pela total falta de estrutura, os primeiros moradores iniciaram os trabalhos de exploração da madeiras, instalaram serrarias e construíram as primeiras casas. A partir de 1943 os moradores passaram a ter ajuda da colonizadora, através do seu gerente, Olímpio Dal Magro, comerciante no Rio Grande do Sul, que foi convidado pela empresa para administrar a colonização da região Extremo Oeste catarinense. A companhia tinha um projeto inicial conhecido como "plano piloto", feito pelo Engenheiro Simão Ruas. Esse projeto foi abandonado, pois foi considerado pequeno demais para a cidade que estaria saindo do papel. Naquela ocasião, Ricardo Brüggemann, ficou a cargo da execução de um novo projeto, com a previsão de ruas que medissem 20 metros cortadas por avenidas de 25 metros de largura. Pronto o projeto, ao construir a Avenida Getúlio Vargas, criou-se um impasse quando a diretoria da empresa não concordou com o que chamou de "desperdício de terras". Olímpio Dal Magro impôs, como condição de sua permanência na administração da colonizadora, respeito ao traçado por ele proposto. Assim, os titulares da empresa tiveram que concordar com o plano de Olímpio Dal Magro, relativo a largura das ruas que permaneceram de 20 metros, bem como, respeitando a Avenida Getúlio Vargas que já estava feita. Somente as demais avenidas foram eliminadas do projeto por não verem necessidade uma vez que as ruas tinham largura necessária. Hoje, as ruas Sete de Setembro, Almirante Tamandaré, e Almirante Barroso seriam avenidas como a atual Getúlio Vargas.
É de autoridade de Olímpio Dal Magro, a contratação, em 1947, do primeiro médico que atendeu a população da região, bem como a construção do primeiro hospital de São Miguel do Oeste e a construção da estrada que liga São Miguel do Oeste a Dionísio Cerqueira, chamada de Estrada do Colono, sem nenhum recurso público.
Em 1946 surgiu um movimento em pró da transformação da localidade em município, vindo a ser chamado de Monte Castelo. Pedro Mallmann era o primeiro delegado e junto com uma comitiva foram a Chapecó para transformar o distrito em município.
A área territorial seria extensa: da divisa do Paraná e Argentina, até os rios Chapecó e Uruguai. Mas a tentativa caiu por terra, em 18 de setembro de 1946. Apenas 11 dias antes da instalação de Monte Castelo, entrou em vigor a Nova Constituição Federal, extinguindo os Territórios do Iguaçu e Ponta Porã, devolvendo-os aos seus estados de origem. Em 1949, foi criada a Sociedade Amigos de Vila Oeste, que tinha como meta a transformação da localidade em distrito de Chapecó. Ela serviu para unir a população e, a partir dela, passou-se a apresentar as reivindicações junto ao município sede. Precisava-se de correio, estradas e policiamento. Frequentemente a comissão viajava levando os pedidos dos habitantes. Somente em 1950 foi instalado o distrito, então a Sociedade Amigos de Vila Oeste, extinguiu-se. A busca então passou a ser pela emancipação do distrito. Em 1952, quando o deputado estadual Lenoir Vargas Ferreira, atendendo um pedido da população da então Vila Oeste, propôs uma emenda a Constituição Catarinense, que todos os distritos de até 90 km da fronteira pudessem se emancipar, independentemente do número de habitantes. Somente assim que a Vila Oeste conseguiu se emancipar e transformar-se em São Miguel do Oeste, e assim receber apoio do governo para o progresso vir. A primeira família que se estabeleceu na região foi a de Francisco Ferrasso (11 de Junho de 1940), seguindo-se a de Ângelo Longhi, Reinaldo Pimentel, Caetano Silvestre, Carlos Loesch, Fernando Lohmann, Aureliano Lazarotto, Guerino Andreatta e Olímpio Dal Magro, Pedro Mallmann.
Desde a criação até o ano de 2009, 27 pessoas ocuparam o cargo de prefeito miguel-oestino, sendo elas: Leopoldo Olavo Erig, Walnir Bottaro Daniel, Olímpio Dal Magro, Firmino Dal Bosco, Avelino De Bona, Pedro Waldemar Ramgrab, Alexandre Castelli, Leolino João Baldissera, Nilton Castanheira, Ernesto Giehl, Hélio Wasum, Oswaldo Gruber, Ademar Quadros Mariani, Jarcy Antônio De Martini, Augusto Paulo Zorzo, Achylles Priori, Zilto Pedro Simioni, Luiz Basso, Airton José Macarini, José Carlos Zandavali Fiorini, Alcino Ecker, Armelindo Massocco, Gilmar Baldissera, Maria Lúcia Werlang, Lirio Antônio Dalmina, João Carlos Valar, Anacleto Ortigara, Moacir Martello e Nelson Foss da Silva. O primeiro prefeito foi Leopoldo Olavo Erig, até então vereador de Chapecó, que renunciou, e cedeu o cargo a Walnir Bottaro Daniel, que permaneceu até o dia 15 de novembro de 1954, quando aconteceu pela primeira vez eleições no município.
Então Olímpio Dal Magro, colonizador e precursor da região foi eleito prefeito. Entre suas principais obras estão a construção e implantação dos Colégios São José e La Salle Peperi, a abertura de estradas até Bandeirante, Romelândia, Paraíso, Anchieta, Campo Erê, e San Pedro, ligando o município com a Argentina e a construção do aeroporto municipal. Em 1959 foi eleito Avelino de Bona. Suas principais obras foram a construção do estádio municipal, da PCH Salto das Flores, a praça Walnir Bottaro Daniel e a implantação do aeroporto. Após renunciar por motivos particulares, De Bona deu lugar a Leolino João Baldissera e Alexandre Castelli, que concluíram o mandato. Leolino Baldissera teve como principais realizações a interiorização do governo estadual, sendo que por três dias, São Miguel do Oeste virou capital de estado.
Também foi um dos responsáveis pela vinda do BESC, além de contribuição para a vinda efetiva de energia elétrica e linhas telefônicas para a cidade. Começou as obras do quartel da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, além do novo prédio do Hospital e Maternidade Vitória T. Missen, a construção do Hospital Cristo Redentor, e da atual Igreja Matriz. Alexandre Castelli por sua vez, teve em seu mandato a abertura da agência do Banco do Brasil, a inauguração da delegacia regional e da cadeia pública. Após vencer em 1965, assumiu os destinos do município Pedro Waldemar Ramgrab. O seu governo foi caracterizado como o período de maior crescimento no município. Foi