São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Sudeste e tem por limites os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, além do Oceano Atlântico a sudeste. É dividido em 645 municípios e sua área total é de 248 219,481 km², o que equivale a 2,9% da superfície do Brasil, sendo pouco maior que o Reino Unido. Sua capital é o município de São Paulo e seu atual governador é Tarcísio de Freitas.
Com 44 milhões de habitantes, cerca de 22% da população brasileira, é o estado mais populoso do Brasil e a subdivisão nacional mais populosa do continente americano, com mais habitantes do que todos os outros países da América do Sul, exceto Argentina e Colômbia. A população paulista é uma das mais diversificadas do país e descende principalmente de italianos, que começaram a emigrar para o país no fim do século XIX, de portugueses, que colonizaram o Brasil e instalaram os primeiros assentamentos europeus na região, de povos ameríndios nativos, de povos africanos e de migrantes de outras regiões do Brasil. Outras grandes correntes imigratórias, como de árabes, alemães, chineses, espanhóis e japoneses, também tiveram presença significativa na composição étnica da população local.
A área que hoje corresponde ao território paulista já era habitada por povos indígenas desde, ao menos, aproximadamente 10 000 a.C. Estudos recentes, como as pesquisas no sítio arqueológico Rincão I, no centro geográfico do estado, sugerem que a ocupação humana no atual território paulista pode ter se iniciado há 17 mil anos atrás, no último máximo glacial. Desde o fim do século XV, nos anos de 1498, antes da chegada oficial dos portugueses em 1500, o litoral da região já era visitado por navegadores portugueses e espanhóis e habitado por europeus, como o Bacharel de Cananeia, que morava no território de Cananéia, o primeiro povoado brasileiro de origem europeia, estabelecido ainda na era pré-cabralina. Foi em 1532, no entanto, que o português Martim Afonso de Sousa fundou a Vila de São Vicente, o núcleo da Capitania de São Vicente, considerada o primeiro assentamento europeu formalmente instituído na América Portuguesa e oficialmente reconhecida como a primeira cidade do Brasil, marco inicial do processo da colonização efetiva do país após o período pré-colonial. Nela também ocorreram as primeiras eleições do continente americano. No século XVII, os bandeirantes paulistas intensificaram a exploração do interior da colônia, o que acabou por expandir os domínios territoriais dos portugueses na América do Sul e catalisar a formação do contínuo cultural da Paulistânia. No século XVIII, após a instituição da Capitania de São Paulo, a região começa a ganhar peso político. Após a independência, durante o Império, São Paulo começa a se tornar um grande produtor agrícola (principalmente de café), o que acaba por criar uma rica oligarquia rural regional, que iria se alternar no comando do governo brasileiro com as elites mineiras durante o início do período republicano. No final do século XIX, o estado é um dos primeiros a iniciar um processo de industrialização em larga escala, impulsionado pelo capital cafeeiro e imigração italiana, e sua população se torna rapidamente uma das mais urbanas da federação.
A economia de São Paulo é muito forte e diversificada, possuindo a maior produção industrial, científica e tecnológica do país — sendo o maior polo nacional de pesquisa e desenvolvimento e detentor das melhores universidades e institutos —, a maior produção mundial de suco de laranja, açúcar e etanol, e o maior PIB entre todos os estados brasileiros, sendo o único, ao lado de Rio de Janeiro, a ultrapassar a faixa de 1 trilhão de reais, com um produto interno bruto de 3,4 trilhões de reais. Em 2023, a economia paulista respondia por cerca de 31,5% do total de riquezas produzidas no país — o que tornou o estado conhecido como a "locomotiva do Brasil" —, e isso se reflete em suas cidades, muitas das quais estão entre as mais ricas e desenvolvidas do país. O PIB paulista equivale à soma das economias de Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia; portanto, se fosse um país soberano, seu PIB nominal seria o 21.º maior do mundo (estimativa de 2020). Além da grande economia, São Paulo é o destino turístico brasileiro mais procurado por turistas nacionais e internacionais em virtude de suas belezas naturais, suas praias, seu patrimônio arquitetônico, histórico e cultural e gastronômico, estâncias do interior, clima, com locais inscritos como Patrimônio da Humanidade da UNESCO, e grande vocação aos setores de serviços, negócios, entretenimento, eventos, moda, cultura, lazer, ecoturismo, saúde, educação e diversos outros. O estado também é rico em manifestações culturais e religiosas, sendo seu interior berço da cultura, culinária e música caipira, e o litoral, da cultura caiçara. São Paulo é matriz de inúmeros pratos e invenções conhecidos nacional e internacionalmente, tais quais o afogado, a caipirinha (Patrimônio Cultural Brasileiro), coxinha, curau, feijão tropeiro, paçoca, picanha, chuveiro elétrico, filtro de barro, entre inúmeros outros. Possui elevados índices sociais em comparação ao registrados no restante do país, como o melhor desempenho em saneamento básico e no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e a menor taxa de homicídios, o segundo maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de escolaridade e renda domiciliar, o terceiro maior PIB per capita e expectativa de vida, a terceira menor taxa de analfabetismo, além da quarta menor taxa de mortalidade infantil e de pobreza entre as unidades federativas brasileiras.
A região do atual estado de São Paulo já era habitada por povos ameríndios desde, ao menos, aproximadamente 10 000 a.C., conforme evidenciado por estudos feitos em antigos sítios arqueológicos em diferentes pontos do território paulista, tais como os sítios Caetetuba, Bastos, Boa Esperança II e Lagoa do Camargo. Existem mesmo registros, como estudos no sítio arqueológico Rincão I, que sugerem que a ocupação humana antiga já estava presente em São Paulo há 17 mil anos, durante o último máximo glacial. Existem, ainda, vários sítios arqueológicos na porção central do estado, tais como Caetetuba, Alice Boer e Rincão I, que compartilham padrões semelhantes de trabalhar as rochas em pontas de pedra e artefatos plano-convexos semelhantes entre si, de maneira que são vistos como integrantes de uma mesma antiga ancestral cultura, vinculada a indústria lítica Rioclarense. Estes antigos grupos humanos seriam caçadores-coletores, vivendo como nômades e seminômades no atual território paulista, vivendo diretamente do que podiam obter da terra local. Por volta do ano 1 000, se estima que o litoral paulista foi invadido por povos tupis procedentes da Amazônia.
Quando da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, o litoral e o Planalto Paulista eram habitados predominantemente por indígenas tupis-guaranis, como os tupiniquins, tupinambás e carijós, mas existiam também alguns que pertenciam a tribos jês, como os guaianás e os guaramomis. Já o interior era, em grande parte, ocupado por ameríndios falantes de idiomas macro-jê, como os caingangues, caiapós e xavantes, embora existissem alguns territórios ocupados pelos guaranis.
Registros históricos indicam a presença portuguesa na região litorânea de Cananéia ainda no final do século XV. Segundo a obra Cananeia – O Primeiro Povoado do Brasil, A Verdadeira História, a localidade situava-se próxima à linha de demarcação estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas (1494), tendo sido considerada ponto estratégico para a manutenção dos limites meridionais das terras atribuídas a Portugal. Para assegurar essa presença sem provocar conflitos com a Espanha, teria sido deixado na região, entre 1498 e 1499, um colonizador português — descrito como letrado e diplomático — com a função de fixar-se no local, preservar costumes lusos e atuar como referência de ocupação. Uma vertente historiográfica identifica esse colonizador como o chamado Bacharel de Cananeia. No entanto, a historiografia clássica registra versão diferente, a de que ele teria chegado ao litoral sul do atual estado de São Paulo na expedição de 1501–1502, comandada por Gonçalo Coelho, da qual participou o cartógrafo florentino Américo Vespúcio. Apesar disso, registros históricos relatam que o Bacharel já se encontrava na região em 1502. Esses registros apontam, assim, para a existência de um núcleo de presença europeia, com presença anterior à era pré-cabralina.