São Vicente, oficialmente Estância Balneária de São Vicente, é um município brasileiro do estado de São Paulo e primeira cidade do Brasil. Pertencente à Região Metropolitana da Baixada Santista, sua população, no censo de 2022, era de 329 911 habitantes, sendo a terceira cidade mais populosa do litoral paulista, atrás apenas de Santos e Praia Grande. Sua área territorial é de 148,151 km², o que lhe confere uma densidade demográfica de 2 226,86 habitantes por km².
São Vicente marca o início efetivo da colonização no Brasil e torna-se o primeiro núcleo institucionalizado em todo o território brasileiro, estando entre as cidades mais antigas continuadamente habitadas do continente americano. Fundada em 1532 pelo militar e administrador colonial português Martim Afonso de Sousa, na Capitania de São Vicente, a criação da vila atendeu às ordens do Rei Dom João III de Portugal. A ilha onde a cidade se estabeleceu havia sido descoberta anteriormente, em 1502, durante a expedição de Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio, que a batizaram em homenagem a São Vicente Mártir, tornando-a a primeira vila da América Portuguesa. Em 22 de agosto de 1532, realizou-se ali a primeira eleição do continente americano, na qual foram escolhidos os primeiros oficiais da Câmara, função atualmente equivalente ao cargo de vereador. Por todos esses marcos históricos, São Vicente é reconhecida como o "berço da colonização portuguesa" e também como o "berço da democracia americana", tendo, inclusive, servido de inspiração para modelos democráticos posteriores, como o dos Estados Unidos.
Com um PIB de mais de 6 bilhões de reais, sua economia é baseada nos serviços, comércio e no turismo, com boa infraestrutura hoteleira e gastronômica. Segundo o Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) de 2023, São Vicente é uma das melhores cidades para empreender no Brasil. Parte do município se estende pelo continente, em duas porções distintas: o bairro de Japuí, ligado à cidade por uma ponte construída em 1914 pelo engenheiro Saturnino de Brito no caminho que ruma à Praia Grande, e o distrito de Samaritá, que inclui também os bairros do Humaitá, Parque Continental, Parque das Bandeiras, Jardim Rio Branco, Samaritá, Vila Nova São Vicente, Vila Ema e o Quarentenário, situados ao longo da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, entre Cubatão, Praia Grande e os contrafortes da Serra do Mar, estendendo-se até a Terra Indígena Rio Branco, na divisa com os municípios de Itanhaém e São Paulo.
São Vicente preserva diversos sítios e edifícios históricos construídos desde o século XVI, os quais testemunham o processo de ocupação e desenvolvimento do país. Entre eles, destaca-se a Casa de Taipa, a primeira casa do Brasil, construída entre 1516 e 1520; o Parque Cultural Vila São Vicente, onde há apresentações no Teatro José Anchieta, espaço para apresentações artísticas e oficinas culturais que homenageia o jesuíta José de Anchieta, pioneiro da dramaturgia brasileira; a Igreja Matriz de São Vicente Mártir, no local onde havia sido construída a primeira igreja matriz do Brasil; o Engenho dos Erasmos, que marca o início da cultura canavieira nacional, a qual se iniciou na Capitania de São Vicente, a Biquinha de Anchieta, a Ponte Pênsil e a Encenação da fundação da Vila de São Vicente, considerada pelo Guinness World Records o "maior espetáculo teatral realizado em areia de praia do mundo". Abriga o São Vicente Atlético Clube. Devido à sua importância histórica, política e cultural, além de suas belezas naturais e praias, cultura e culinária caiçara, é um importante destino turístico do Brasil, sendo procurada, em especial, nos setores do turismo histórico, cultural, arquitetônico, ecoturismo e o turismo de sol e praia. Anualmente, recebe mais de 2 milhões de turistas e é reconhecida como uma Estância Balneária.
A Ilha de São Vicente originalmente era denominada Gohayó e teve como primeiros habitantes os indígenas tapuias, expulsos para o interior por volta do ano 1000 pelos tupis, que conquistaram a região.
A Ilha de Gohayó foi descoberta em 22 de janeiro de 1502, pela expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio, e, por ser o dia do santo mártir Vicente de Saragoça, foi batizada como Ilha de São Vicente.
Nas primeiras décadas do século XVI, existiu, onde hoje é o centro de São Vicente, um povoado, fundado pelo enigmático Bacharel de Cananeia, um degredado português que se fixou no litoral de São Paulo provavelmente entre 1498 e 1502. Em 1526, essa povoação descrita como sendo "de dez ou doze casas, uma feita de pedra com seus telhados e uma torre para defesa contra os índios no tempo de necessidade. Estão providos de coisas da terra, de galinhas de Espanha e de porcos, com muita abundância de hortaliças". Dessa forma, o Bacharel de Cananeia pode ser considerado o verdadeiro fundador de São Vicente.
Entre 1530 e 1532, a expedição liderada pelo fidalgo português Martim Afonso de Sousa explorou a costa brasileira. No dia 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso e um grupo de colonos portugueses desembarcaram na Ilha de São Vicente e o fidalgo ordenou ali a construção de casas, igreja, pelourinho, fortim, estaleiro e edifícios de órgãos administrativos, assim fundando a vila de São Vicente, sob oposição dos indígenas locais. Em 22 de agosto de 1532, ocorreram as primeiras eleições do continente americano, para escolher os membros da Câmara Municipal de São Vicente, motivo pelo qual a cidade é conhecida como o berço da democracia nas Américas.
"Sustentou, por espaço de três anos, contínuas guerras com os bárbaros índios carijós, guaianases e tamoios, que os conquistou apesar da oposição que neles achou, sendo-lhe necessário valer de todo o seu esforço contra a contumácia com que lhe resistiu; porque, na posse da liberdade natural, reputavam em menos as vidas que a sujeição do poder estranho; mas, vencidos em vários encontros, cedeu a rebeldia para que, com maior merecimento e glória, fundasse Martim Afonso a vila de S. Vicente".
Martim Afonso também introduziu a cultura canavieira na região de São Vicente, mas ela durou pouco tempo, devido às condições geográficas desfavoráveis. As primeiras cabeças de gado a chegarem ao Brasil vieram do arquipélago de Cabo Verde, em 1534, para a capitania de São Vicente.
No início da colonização portuguesa, o Padre José de Anchieta contribuiu na catequização dos índios e na harmonização do povoado através do colégio vicentino. Ele ministrou suas aulas de catecismo junto à denominada "Bica da Fonte do Povoado", que, atualmente, é fonte histórica denominada afetivamente como "Biquinha".
A Guerra de Iguape ocorreu entre os anos de 1534 e 1536, na região de São Vicente. Em virtude de uma interpretação particular do Tratado de Tordesilhas, alguns espanhóis, liderados por Ruy Garcia de Moschera, instalaram-se nos arredores da província vicentina. Aliados aos índios carijós, fundaram uma vila (a I-Caa-Para) e venceram algumas batalhas contra corsários franceses. Quando as forças de defesa luso-brasileiras enfrentaram o contingente espanhol, foram prontamente derrotadas. Em contrapartida, Garcia de Moschera e seus seguidores embarcaram no navio francês e atacaram a vila de São Vicente, que saquearam e incendiaram, levando inclusive o Livro do Tombo, deixando-a praticamente destruída, matando dois terços dos seus habitantes. No entanto, em virtude das incursões sistemáticas das forças luso-brasileiras (que arregimentaram outros índios rivais, "de serra acima", cf. Donato, p. 89), os espanhóis foram forçados a se retirarem: primeiro, para a Ilha de Santa Catarina e, depois, para Buenos Aires.
No final do ano de 1541, ocorreu o pior desastre natural em São Vicente, quando uma onda gigante, um possível maremoto, danificou seriamente a vila, destruindo essa povoação, que abrigava um total de 150 habitantes. O porto, que funcionava como fonte da economia, mudou-se para onde está hoje. A Igreja Matriz, a Casa do Conselho, a Cadeia, os estaleiros, o pelourinho e inúmeras casas foram destruídos. A Vila teve que ser reconstruída um pouco mais distante do mar.