O SMS Blücher foi o último cruzador blindado operado pela Marinha Imperial Alemã. Projetado em resposta aos mais novos cruzadores blindados britânicos, sua construção em fevereiro de 1907 no Estaleiro Imperial de Kiel e foi lançado ao mar em abril de 1908, sendo comissionado na frota alemã em outubro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 210 milímetros montados em seis torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de dezessete mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 24 nós.
O Blücher entrou em serviço já obsoleto por conta do desenvolvimento dos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible, que tinha entrado em serviço alguns anos antes. O primeiro ano de serviço do Blücher transcorreu tranquilamente como parte da Frota de Alto-Mar, porém no final de 1911 foi transferido para ser usado como um navio-escola de artilharia. Ele exerceu esta função durante a maior parte de sua carreira em tempos de paz. Suas principais atividades no período consistiram na realização de exercícios de treinamento pelo Mar Báltico e Mar do Norte.
A Primeira Guerra Mundial começou em agosto 1914, com o cruzador participando de ações de bombardeio litorâneo contra o Reino Unido, primeiro em novembro contra a cidade de Great Yarmouth e depois em dezembro contra as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. Esteve presente na Batalha de Dogger Bank em 24 de janeiro de 1915, quando foi alvejado várias vezes por navios britânicos a ponto de ter sua velocidade reduzida. O Blücher acabou ficando para trás e os britânicos concentraram todas as suas forças nele, afundando-o depois de alvejá-lo e torpedeá-lo várias vezes.
A Segunda Lei Naval foi aprovada pela Dieta Imperial em 1900 e previa catorze cruzadores blindados. Estes eram projetados para desempenharem diferentes funções: enfrentar as forças de reconhecimento do inimigo e também lutar como parte da linha de batalha. Também havia a necessidade de servirem no império colonial alemão para protegerem interesses econômicos no estrangeiro. O primeiro cruzador blindado da Marinha Imperial Alemã foi o SMS Fürst Bismarck no final da década de 1890, sendo sucedido pelo SMS Prinz Heinrich, a Classe Prinz Adalbert, Classe Roon e Classe Scharnhorst. Cada novo projeto incorporou melhoramentos incrementais sobre seu predecessor, como aumento da velocidade máxima, canhões mais numerosos e poderosos e uma blindagem mais eficaz. De forma geral, os cruzadores blindados alemães tinham menos blindagem que suas contrapartes da Marinha Real Britânica.
O desenvolvimento de cruzadores blindados seguiu um padrão similar em outras marinhas nas décadas de 1890 e 1900. Cada novo desenvolvimento gerou mais competições entre rivais, especialmente uma perene entre as várias marinhas europeias. O almirante sir John Fisher, o Primeiro Lorde do Mar da Marinha Real Britânica, concluiu no início da década de 1900 que construções futuras não deveriam incluir couraçados ou cruzadores blindados, mas sim um novo tipo de navio capital que combinaria as melhores características dos dois. Esta nova embarcação ficaria conhecida como cruzador de batalha e teria o mesmo armamento de um couraçado com a velocidade de um cruzador blindado.
A construção naval alemã da época era regida pela Lei Naval, aprovada em 1898 e emendada em 1900. Sob estes termos, navios antigos como os ironclads SMS König Wilhelm e os dois membros da Classe Kaiser, reconstruídos como cruzadores blindados na década de 1890, só poderiam ser substituídos em 1910. Uma nova emenda aprovada em 1906 aumentou para vinte no número de cruzadores blindados da Marinha Imperial, significando que a construção de uma embarcação nova poderia começar imediatamente.
O desenvolvimento do sucessor da Classe Scharnhorst começou no início de 1905; os alemães não sabiam na época dos pensamentos de Fisher sobre futuros desenvolvimentos navais. A Classe Minotaur, a mais recente de cruzadores blindados da Marinha Real, seria armada com canhões de 234 milímetros e acreditava-se que classes posteriores teriam seis ou oito canhões desse tamanho. A equipe de projeto alemã produziu em resposta dois projetos, chamados "A" e "B", que em sua maior parte eram versões aprimoradas da Classe Scharnhorst. "A" tinha o mesmo armamento de oito canhões de 210 milímetros, já "B" tinha uma bateria principal de doze armas de 210 milímetros. Ambas as variantes teriam uma blindagem significativamente melhorada, incluindo um aumento de vinte por cento na espessura do cinturão principal.
Como o novo navio seria encomendado sob o nome provisório de "E", as duas versões foram renomeadas para "E1" e "E2". Mais caldeiras foram adicionadas a fim de aumentar a velocidade máxima, com até cinco chaminés sendo usadas para a exaustão. O custo de "E2" levou a uma terceira variante, que eliminou torres de artilharia laterais em favor de casamatas para três armas em cada lateral. Outra variante, "E5", tinha um armamento de oito canhões de 210 milímetro, quatro em duas torres duplas e as restantes em torres individuais. "E6" manteve a disposição de "E5", mas substituiu o armamento secundário de dez armas de 149 milímetros por oito canhões de 170 milímetros. Mais duas outras versões, "E7" e "E8", eram bem similares, mas a primeira era ligeiramente menor, enquanto a "E8" voltava com as armas de 149 milímetros.
Foi considerado usar de bateria principal canhões calibre 45 de 240 milímetros, mas foi determinado que eram muito grandes e caros, então todos os trabalhos seguintes prosseguiram com a arma de 210 milímetros. "E9" foi apresentado em setembro, sendo significativamente maior que os anteriores. Este teria doze canhões principais, igual ao "E2". Seguiram-se "E10" e "E11" ainda no mesmo mês, com as mudanças sendo principalmente no número de armas secundárias e no espaçamento das torres de artilharia principais a partir de experiências da recente Guerra Russo-Japonesa. A proposta "E15" do final de setembro estabeleceu as características que seriam incorporadas ao navio final. Mais experimentações ocorreram até março de 1906, produzindo os projetos "E17" a "E23", mas todos foram considerados muito caros. Enquanto isso, "E15" foi refinado até a proposta definitiva "E16B", que era meio nó mais rápido que "E15" e reduziu as quatro chaminés do projeto anterior para apenas duas chaminés grandes.
A Dieta Imperial aprovou o financiamento para o Blücher em 26 de maio de 1906 junto com aquele para os dois primeiros couraçados da Classe Nassau, como previsto na emenda da Lei Naval. O navio seria muito maior e mais poderoso que seus predecessores, mas manteve a designação de cruzador blindado a fim de esconder sua natureza. A construção foi autorizada pelo imperador Guilherme II em 21 de junho, mas as obras só foram começar no início de 1907. Nesta altura, os cruzadores de batalha britânicos, que se tornariam a Classe Invincible, estavam aproximando-se de seus lançamentos e os detalhes de seus armamentos ficaram conhecidos. Já era tarde de mais para os alemães alterarem seu projeto, parcialmente porque isto acarretaria enormes aumentos em relação ao dinheiro já autorizado, assim a construção prosseguiu como planejado. Os canhões britânicos de 305 milímetros eram mais poderosos do que as armas alemãs de 210 milímetros, mas ambas tinham uma alcance muito similar, enquanto o Blücher tinha uma melhor blindagem. O historiador Aidan Dodson considerou que o cruzador blindado alemão era "um projeto de forma geral mais equilibrado" do que a Classe Invincible.
O Blücher tinha 161,1 metros de comprimento da linha de flutuação e 161,8 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca normal de 24,5 metros, porém redes antitorpedo foram posteriormente instaladas nas duas laterais, o que aumentava a boca para 25,62 metros. Tinha um calado de 8,84 metros à vante e 8,56 metros à ré. Seu deslocamento normal era de 15 842 toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a 17,5 mil toneladas. Seu casco foi construído com armações de aço transversais e longitudinais, tendo treze compartimentos estanques e um fundo duplo que abrangia aproximadamente 65 por cento do comprimento do casco.