O SMS Zrínyi foi um couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Austro-Húngara e a terceira e última embarcação da Classe Radetzky, depois do SMS Erzherzog Franz Ferdinand e SMS Radetzky. Nomeado em homenagem à família nobre húngara Zrínyi, sua construção começou em novembro de 1908 nos estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino e foi lançado ao mar em abril de 1910, sendo comissionado na frota austro-húngara em novembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal de quatro canhões de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, possuía um deslocamento carregado de dezesseis mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de vinte nós.
Seu serviço em tempos de paz consistiu principalmente de cruzeiros pelo Mar Mediterrâneo. Com o início da Primeira Guerra Mundial, o Zrínyi participou do Bombardeio de Ancona em maio de 1915. Entretanto, teve pouco o que fazer pelo restante do conflito devido a Barragem de Otranto, permanecendo a maior parte do tempo atracado na base de Pola. Em outubro de 1918, com a derrota iminente, a Áustria-Hungria planejou entregar sua frota para o Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios, porém alguns oficiais tomaram o Zrínyi e se renderam para a Marinha dos Estados Unidos. Ele foi entregue a Itália sob os termos do Tratado de Saint-Germain-en-Laye de 1919 e depois desmontado.
O Zrínyi tinha 138,8 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 24,6 metros e um calado que chegava em 8,1 metros. O navio possuía um deslocamento projetado de 14 741 toneladas, porém esse valor podia chegar em até 16,1 mil toneladas quando totalmente carregado com suprimentos de combate. Seu sistema de propulsão era composto por doze caldeiras Yarrow que impulsionavam dois motores de tripla-expansão com quatro cilindros, que chegavam a produzir um total de 19,8 mil cavalos-vapor (14,6 mil quilowatts) de potência. As couraçados da Classe Radetzky foram os primeiros navios de guerra da Áustria-Hungria a serem equipados com caldeiras que também podiam funcionar com óleo combustível. Era capaz de chegar a uma velocidade máxima de 20,5 nós (38 quilômetros por hora). Ele carregava 1 350 toneladas de carvão, o que permitia um alcance de quatro mil milhas náuticas (7,4 mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora).
A bateria principal consistia em quatro canhões Škoda K/10 de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, uma localizada à frente da superestrutura e outra atrás. Seus armamentos secundários tinham oito canhões de 240 milímetros montados em quatro torres duplas, enquanto a bateria terciária continha vinte canhões Škoda L/50 de cem milímetros montados em casamatas, dois canhões Škoda L/18 de 66 milímetros e quatro canhões Škoda L/44 de 47 milímetros. Uma reforma realizada em 1917 instalou quatro canhões antiaéreos Škoda K/16 de 66 milímetros. Por fim, foi equipado com três tubos de torpedo de 450 milímetros, dois na proa e um na popa. Sua blindagem consistia em um cinturão de cem a 230 milímetros de espessura, enquanto atrás ficava uma antepara de 54 milímetros. O convés era protegido por uma blindagem de 48 milímetros. As torres de artilharia principais eram blindadas com laterais de 250 milímetros e tetos de sessenta milímetros, já as torres secundárias tinham laterais de duzentos milímetros e tetos de cinquenta milímetros. Por sua vez, as casamatas eram protegidas por placas de 120 milímetros.
O Zrínyi foi construído pelos estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino em Trieste. Seu batimento de quilha aconteceu no dia 15 de novembro de 1908 e ele foi lançado ao mar em 12 de abril de 1910. A madeira de teca usada em seu convés foi o único material que a Áustria-Hungria comprou fora do país para construí-lo. O couraçado foi completado no dia 15 de julho de 1911 e foi comissionado na frota austro-húngara em 22 de novembro de 1911. Ele foi nomeado em homenagem à família nobre húngara Zrínyi.
Ele partiu em 1912 para um cruzeiro pelo Mediterrâneo Oriental na companhia de seus dois irmãos. Os três couraçados mais o contratorpedeiro SMS Streiter deixaram Pola em 26 de março e seguiram para a Grécia. Primeiro pararam em Fasana e depois em diversos portos gregos pelo Mar Jônico; em Patras eles se juntaram ao cruzador blindado SMS Kaiserin und Königin Maria Theresia e depois passaram por Corinto, Itea, Navarino, Zacinto, Argostoli e Cefalônia. Toda a força retornou para a Áustria-Hungria no dia 28 de abril. Os três couraçados da Classe Radetzky, juntamente com o cruzador de reconhecimento SMS Admiral Spaun, o cruzador protegido SMS Aspern e mais dois contratorpedeiros da Classe Huszár, partiram em 4 de novembro para um cruzeiro pelo Levante, ao mesmo tempo que visitaram regiões devastadas pelas Guerras dos Balcãs. O Zrínyi se separou do restante do grupo em 8 de novembro e seguiu para Salonica, parando no dia seguinte em Cavala, onde permaneceu até 16 de novembro. Ele retornou para Salonica no dia 17 e ficou atracado no local até o dia 24. Ele se reuniu de volta com toda a força no dia seguinte e todos retornaram para a base de Pola em 2 de dezembro.
O Zrínyi e seus dois irmãos participaram em 1913 de uma demonstração naval internacional no Mar Jônico em protesto à Primeira Guerra Balcânica. Navios de outras marinhas incluíram o couraçado pré-dreadnought britânico HMS King Edward VII, o couraçado pré-dreadnought italiano Ammiraglio di Saint Bon, o cruzador blindado francês Edgar Quinet e o cruzador rápido alemão SMS Breslau. A ação mais importante realizada pela flotilha combinada, que estava sob o comando do almirante britânico Cecil Burney, foi o bloqueio do litoral de Montenegro. O objetivo do bloqueio era impedir que reforços sérvios apoiassem o Cerco de Escodra, onde os montenegrinos estavam sitiados por uma força albanesa e otomana. Devido à pressão gerada pelo bloqueio, a Sérvia recuou seu exército de Escodra, que foi ocupada por uma força aliada.
As três embarcações da Classe Radetzky deixaram a base naval de Pola em 19 de março de 1913 e chegaram na cidade montenegrina de Meljine, na entrada da Baía de Cátaro, dois dias depois. Em conexão ao bloqueio internacional do litoral montenegrino, os couraçados austro-húngaros seguiram para Antivari em 2 de abril, em seguida se deslocando para a foz do rio Bojana no dia seguinte, onde os outros navios estrangeiros da força de protesto estavam esperando. O Zrínyi depois passou por Antivari e em 23 de abril chegou em Cátaro. O couraçado permaneceu na foz do Bojana até 29 de junho, com exceção de uma breve passada em Pola entre os dias 5 e 20 de junho, quando seguiu para Meljine e depois para uma breve estadia em Cátaro. O Zrínyi teve mais um período em Bojana entre 25 de julho e 3 de agosto, retornando para Teodo no dia seguinte.
Os primeiros hidroaviões usados em combates, da fabricante francesa Donnet-Lévêque, foram operados do Zrínyi e seu dois irmãos durante o bloqueio. Entretanto, a Marinha Austro-Húngara não ficou satisfeita com seus desempenhos, pois os navios não tinham espaço suficiente nos conveses, além da falta de guindastes por onde poderiam facilmente içar os aviões de volta para o convés. As aeronaves foram depois transferidas para um espaço da marinha em Teodo. Os novos couraçados dreadnought da Classe Tegetthoff começaram a entrar em serviço em 1913 e, consequentemente, os navios da Classe Radetzky foram transferidos para a 2ª Divisão da 1ª Esquadra.
A Primeira Guerra Mundial começou em julho de 1914. Na época, os couraçados da Marinha Austro-Húngara consistiam na Classe Radetzky, nos dreadnoughts da Classe Tegetthoff e nos pré-dreadnoughts mais antigos das classes Habsburg e Erzherzog Karl. Junto com o restante da frota, o Zrínyi foi mobilizado no final do mês com o objetivo de apoiar a fuga dos cruzadores alemães Breslau e SMS Goeben, que estavam servindo no Mediterrâneo. As duas embarcações partiram de Messina, na Itália, cercada por navios britânicos, e foram para o Império Otomano. A flotilha austro-húngara navegou até Brindisi e depois retornaram para casa, sem nunca terem entrado em combate.