Maria de La Salette Arraiano Tavares (Lourenço Marques, África Oriental Portuguesa, 31 de março de 1922 – Lisboa, 30 de maio de 1994), conhecida como Salette Tavares, foi uma escritora, poeta e ensaísta portuguesa.
Salette Tavares nasceu a 31 de março de 1922, na cidade de Lourenço Marques (atualmente Maputo). Era filha do comerciante Francisco Tavares Duarte e de Guilhermina Arraiano Tavares, doméstica, ambos naturais da Covilhã (freguesias de Santa Maria e Conceição, respetivamente).
Aos onze anos mudou-se para Sintra (Portugal) e viveu sempre em Lisboa até 1994, ano em que morreu, a 30 de maio, aos 72 anos.
Fez o curso de Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa, licenciando-se em 1948 com a tese Aproximação ao pensamento concreto de Gabriel Marcel, que seria publicada nesse mesmo ano, em Lisboa.
A 5 de junho de 1950, casou civilmente em Lisboa com José Francisco Aranda García (Saragoça, Espanha, c. 1925 – 28 de julho de 1989), então estudante e mais tarde crítico de cinema e escritor surrealista, filho de Francisco Aranda Millán e de Gloria García Bernal, doméstica, natural de Ateca (província de Saragoça). A 21 de junho de 1950, casaram catolicamente na Sé de Lisboa. Por sentença transitada em julgado a 16 de julho de 1964, foi decretada a separação judicial de pessoas e bens entre o casal, que, contudo, permaneceu casado até à morte de José Aranda, em 1989.
Na década de 1950, lecionou História no ensino liceal e iniciou investigações com barro e olaria, experiências que viriam a traduzir-se na criação dos primeiros objetos de poesia espacial. Em 1957, publicou o primeiro volume de poesia, intitulado Espelho Cego. Foi também durante este período que obteve uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, através da qual fez uma especialização em Estética (em França e Itália, com Mikel Dufrenne, Étienne Souriau e Gillo Dorfles).
Em 1959, traduziu e prefaciou a edição portuguesa de Pensamentos de Pascal. No mesmo ano, traduziu As maravilhas do cinema de Georges Sadoul. Uma tradução de Fuenteovejuna, de Lope de Vega, permanece, até hoje, inédita.
Em 1964, a par de ter colaborado com “Brin Cadeiras” no primeiro número da revista Poesia Experimental (António Aragão e Herberto Helder orgs.,Cadernos de Hoje), viajou para os Estados Unidos, onde visitou as cidades de Nova Iorque, Chicago e Filadélfia. Durante esse período, estabeleceu contacto com Philip Johnson, Frank Lloyd Wright e Mies Van der Rohe, tendo visitado vários museus e coleções particulares.
É considerada uma das figuras incontornáveis da Poesia Experimental Portuguesa, tendo participado em diversas atividades promovidas no decorrer dos anos 1960-1980. Integrou a exposição coletiva Visopoemas (1965), participou no happening Concerto e Audição Pictórica (realizado na Galeria Divulgação, com Jorge Peixinho, António Aragão, E. M. de Melo e Castro, Mário Falcão, Clotilde Rosa e Manuel Baptista) e, em 1966, voltou a colaborar no segundo número da revista Poesia Experimental, apresentando “Brincade Iras / irras / B irras”.
Durante os anos 1960, escreveu Poemas do Soporífero, obra que permaneceu inédita até à sua inclusão em Obra Poética 1957-1971, e publicou as obras Concerto em Mi Maior para Clarinete e Bateria (1964), 14563 Letras de Pedro Sete (1965) e Quadrada (1967).
Após o regresso a Portugal, lecionou Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo publicado as lições correspondentes, sem ilustrações, na revista Brotéria. Um livro intitulado A Dialética das Formas, que constitui uma versão mais completa dessas mesmas lições, esteve composto em 1972, mas permanece inédito.
No ano de 1971, publicou Lex Icon, obra cuja edição italiana (1977) conta com um prefácio da autoria de Gillo Dorfles. Em 2024, a obra foi traduzida para inglês por Isabel Sobral Campos e Kristofer J. Petersen-Overton, tendo sido publicada pela editora norte-americana Ugly Duckling Presse.
Durante os anos 1970, Salette Tavares foi presidente da AICA portuguesa, tendo também dado a conhecer a sua obra em diversas exposições, em Portugal e no estrangeiro. Em 1979, apresentou a exposição retrospetiva Brincar, na Galeria Quadrum.
Foi responsável pela divulgação, em Portugal, da Teoria da Informação de Abraham Moles, da análise estruturalista da arquitetura e da Estética Nova de Wilhelm Worringer.
1979 - Retrospectiva da sua poesia visual na Galeria Quadrum, numa exposição chamada Brincar
2010 - Exposição "Desalinho das Linhas" no Centro Cultural de Belém (CCB).
2013 - Exposição "Poesia Experimental Portuguesa" em Serralves no Centro de Ovar
2014 - Exposição no CAM - Fundação Calouste Gulbenkian, onde foram reunidos diversos trabalhos seus, abarcando a produção literária e a prática artística, estendendo-se à poesia visual, à sua exploração tridimensional, e à produção de objectos.