Neste Dia

Samantha Smith

Pacifista e atriz americana (1972-1985)

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Samantha Reed Smith (29 de junho de 1972 – 25 de agosto de 1985) foi uma menina estadunidense, chamada de "a mais jovem embaixadora dos EUA" e "embaixadora da boa-vontade" na União Soviética durante sua curta vida. Ela ficou famosa nestes dois países depois que, em 1982 durante a Guerra Fria, escreveu uma carta ao Sr. Iúri Andropov, então Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, que, surpreendentemente, enviou-lhe uma resposta em carta escrita por ele mesmo, incluindo um convite pessoal para visitar a União Soviética. O convite foi aceito e depois de sua visita à URSS, ela participou de atividades pacifistas no Japão, acompanhada pela mídia dos dois países. Além de suas atividades como Pacifista, Samantha escreveu um livro sobre sua viagem à União Soviética e atuou em uma série de televisão (Agente de Alto Risco/Lime Street), atuando ao lado de Robert Wagner. Prematuramente, aos 13 anos, morreu junto com seu pai num acidente de avião.

Samantha Smith nasceu no estado do Maine, na pequena cidade de Houlton, filha de Arthur e Jane Smith. Seu pai era professor de literatura e redação na Universidade do Maine, e sua mãe era assistente social do Departamento de Serviços Humanos do Maine, ambos trabalhavam na cidade de Augusta, capital do Maine.

Samantha gostava de praticar hóquei, andar de patins, ler e estudar ciências, além de jogar no time de softball de sua escola. Com cinco anos de idade, ela escreveu uma carta para a Rainha Elizabeth II, expressando a sua admiração pela rainha. Em 1980, quando Samantha acabara de terminar a segunda série, a família mudou-se para a cidade de Manchester, no mesmo estado, onde continuou os estudos na Escola Primária de Manchester.

Foi sua mãe, Jane Smith, quem descreveu como aconteceram os eventos que levaram sua pequena filha a escrever a histórica carta.

Após Iúri Andropov se tornar dirigente da URSS, os principais jornais e revistas estadunidenses publicaram sua foto em capas e matérias um tanto quanto negativas sobre e expectativas pessimistas quanto às "ameaças" que sua ascensão representava à paz mundial. Durante este período, houve diversas manifestações antinucleares na Europa Ocidental e na América do Norte, e havia expectativa para o filme de televisão The Day After ("O Dia Seguinte"), da ABC, sobre a vida após uma hecatombe com armas nucleares provocada por uma guerra deflagrada entre as duas superpotências. O presidente dos EUA, Ronald Reagan também esboçara o conceito de détente, e ordenara a instalação dos mísseis de cruzeiro e dos mísseis MGM-31 Pershing II na Europa Ocidental. A União Soviética estava envolvida na Guerra do Afeganistão havia três anos, o que contribuía para a tensão internacional.

Foi uma matéria de capa da revista Time (edição de 22 de novembro de 1982) que chamou a atenção de Samantha. Ela teria então perguntado à sua mãe: "Se as pessoas estão com tanto medo dele, por que alguém não escreve uma carta para ele perguntando se ele vai provocar uma guerra ou não?", ao que Jane teria respondido: "Por que você não faz isso?".

Em novembro de 1982, quando Samantha estava na quinta série, ela escreveu ao líder soviético Andropov, tentando entender por que as relações entre a URSS e os EUA estavam tão tensas.

Sua carta foi publicada no jornal soviético Pravda. Samantha ficou feliz ao descobrir que a sua carta tinha sido publicada, no entanto, ela não tinha recebido nenhuma resposta. Então, ela enviou uma carta ao embaixador da União Soviética nos Estados Unidos perguntando-lhe se o Sr. Andropov tinha a intenção de responder a sua carta. Em 26 de abril de 1983, ela recebeu uma resposta escrita pelo próprio Iúri Andropov.

Assediada pela mídia, Samantha foi entrevistada por Ted Koppel e Johnny Carson, entre outros, e teve sua história divulgada em várias reportagens pelas grandes redes americanas.

Meu nome é Samantha Smith. Tenho dez anos de idade. Parabéns pelo seu novo emprego. Eu estou preocupada sobre a Rússia e os Estados Unidos estarem se preparando para iniciarem uma guerra nuclear. O senhor votará para que haja uma guerra ou não? Se não, por favor diga-me como o senhor vai ajudar a não haver uma guerra. O senhor não precisa responder esta pergunta, mas eu gostaria de saber por que o senhor quer conquistar o mundo ou pelo menos nosso país. Deus fez o mundo para nós vivermos juntos em paz e não para brigarmos.

Eu recebi a sua carta, que é como muitas outras que me chegaram recentemente vindas do seu país e de outros países ao redor do mundo.

Parece-me, eu posso dizer pela sua carta, que você é uma menina corajosa e honesta, assemelhando-se a Becky, a amiga de Tom Sawyer no famoso livro de seu compatriota Mark Twain. Este livro é bem conhecido e amado no nosso país por todos os meninos e meninas.

Você escreve que está ansiosa sobre se vai haver uma guerra nuclear entre os nossos dois países. E vocês perguntaram o que nós estamos fazendo alguma coisa para não haver a guerra.

Sua pergunta é a mais importante de todos aquelas que colocam o homem a pensar. Eu vou responder-lhe de forma séria e honesta.

Sim, Samantha, nós da União Soviética estamos fazendo de tudo para que não haja guerra na Terra. Isso é o que todos os soviéticos querem. Isso é o que o grande fundador do nosso estado, Vladimir Lenin, nos ensinou.

Os soviéticos sabem bem que a guerra é uma coisa terrível. Quarenta e dois anos atrás, a Alemanha nazista, que atentou à supremacia sobre todo o mundo, atacou o nosso país foi, queimou e destruiu milhares de nossas cidades e aldeias, mataram milhões de soviéticos: homens, mulheres e crianças.

Nessa guerra, a qual terminou com a nossa vitória, nós estávamos em aliança com os Estados Unidos: juntos nós lutamos para a libertação de muitas pessoas dos invasores nazistas. Eu espero que você saiba sobre esta história das suas aulas na escola. E hoje nós queremos muito mais viver em paz, para negociar e cooperar com todos os nossos vizinhos nesta terra, com os distantes e os próximos. E certamente com um grande país como os Estados Unidos da América.

Na América e no nosso país existem armas nucleares, armas terríveis que podem matar milhões de pessoas em um instante. Mas nós não queremos que elas sejam sempre utilizadas. Essa é precisamente a razão pela qual a União Soviética solenemente declarou por todo o mundo que nunca, nunca, irá utilizar primeiro as armas nucleares contra qualquer país. Em termos gerais, nós propomos interromper a produção delas e ainda a proceder à supressão de todo o seu estoque existentes na Terra.

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