Savo Milošević (Bijeljina, 2 de setembro de 1973) é um ex-futebolista e treinador de futebol sérvio nascido na atual Bósnia-Herzegovina.
Artilheiro da Eurocopa 2000, quando estava em seu melhor momento de carreira, também foi o segundo maior artilheiro da extinta Seleção Iugoslava, abaixo de Stjepan Bobek.
Milošević era um atacante alto elogiado pelo bom "faro de gol" e por saber jogar coletivamente, sendo a principal referência ofensiva da então Iugoslávia nos primeiros anos do século XXI. Também defendeu a igualmente extinta Seleção Servo-Montenegrina; apenas ele e Dejan Stanković estiveram em Copas do Mundo por elas duas, participando ambos das de 1998 e de 2006.
Ele é parente distante de Slobodan Milošević, com ambos tendo ancestrais em comum originários de Montenegro. Apesar dessa relação, o futebolista não guardou proximidade familiar, inclusive alinhando-se politicamente na oposição ao ex-presidente. Chegaria a declarar em 2005, ao enfrentar justamente a Seleção Bósnia, que "meu nome é uma coisa, mas como eu me sinto é diferente".
Milošević começou a praticar futebol aos seis anos e, aos quatorze, ingressou nas categorias de base do Partizan. Em setembro de 1990, começou a integrar as seleções de base da então República Socialista Federativa da Iugoslávia, inicialmente na equipe sub-18, pelas eliminatórias à edição de 1992 da Eurocopa dessa categoria.
Estreou aos 19 anos no time principal do Partizan. Na mesma época, integrou em 1992 a Seleção Iugoslava sub-20 que foi vice-campeã do tradicional Torneio de Toulon. O elenco possuía, dentre outros, Albert Nađ, Željko Tadić e Dejan Petković, a quem o atacante viria a se referir como um "amigo" a despeito dos constantes enfrentamentos no dérbi com o Estrela Vermelha.
No Partizan, marcou ao todo 79 gols em 119 partidas, ganhando primeiramente o campeonato iugoslavo de 1992–93. Na temporada seguinte, a de 1993–94, venceu tanto o campeonato como a Copa da Iugoslávia, além de ser também o artilheiro do campeonato. As diferentes guerras civis no processo de dissolução da Iugoslávia, contudo, faziam UEFA e FIFA banirem desde 1992 a seleção principal, retirando-a da Eurocopa daquele ano e das eliminatórias à Copa do Mundo FIFA de 1994 e à Eurocopa 1996.
O primeiro jogo de Milošević pela seleção adulta foi justamente o primeiro com os quais os Plavi (já reduzidos às repúblicas da Sérvia e de Montenegro) foram reautorizados a jogar, na antevéspera do natal de 1994, contra o Brasil. Na ocasião, entrou no decorrer de derrota por 2-0 em Porto Alegre, substituindo Predrag Mijatović. Ao fim da temporada 1994-95, Milošević, novamente artilheiro do campeonato iugoslavo, foi vendido ao Aston Villa.
Milošević chegou ao novo time como a contratação mais cara feita até então pelo clube de Birmingham. Sofreu para se aclimatar plenamente, pela falta de fluência no inglês e pelo fator mental da Guerra da Bósnia, que ainda ocorria. Mas pôde protagonizar o título da Copa da Liga Inglesa em 1996, brilhando na final ao abrir o placar e fornecer a assistência para o terceiro gol dos Villains sobre o Leeds United.
Aquela Copa da Liga cresceu de relevo com o tempo por representar por décadas o último troféu expressivo ganho pelo Villa, equipe que desde 1987 vinha iniciando franca decadência após um promissor início de década de 1980 que incluíra a conquista da Liga dos Campeões de 1981–82. Depois da Copa da Liga de 1996, o clube só voltou a ter um título após trinta anos, encerrando o jejum com a Liga Europa da UEFA de 2025–26.
Embora reconhecido pelos treinadores que teve na Premier League como um atleta disciplinado e empenhado mesmo em meio aos problemas pessoais, Milošević, a despeito da exibição decisiva no título de 1996, não se consolidou plenamente no Aston Villa. Sua média de gols, embora aceitável, era criticada por quem esperava mais dele - mas as constantes finalizações desperdiçadas fariam tabloides britânicos chamarem-no maldosamente pelo trocadilho Miss-a-lot-ović ("perde-muito-gol-ović"). Viria a ser dispensado em 1998 justamente após reagir a críticas da torcida: em janeiro daquele ano, cuspira em direção a setor das arquibancadas onde ouvira reclamações após um gol perdido quando o clube já perdia de 5-0 para o Blackburn Rovers, chegando a precisar de ajuda policial para ser protegido de alguns segmentos mais exaltados com seu protesto. Em 2000, o jornal The Guardian, embora reconhecesse a recuperação do sérvio, o consideraria a décima "pior contratação" estrangeira do futebol inglês.
Ele pôde ir à Copa do Mundo FIFA de 1998, embora sem a titularidade, participando de somente dois jogos: as vitórias sobre Irã e Estados Unidos, ainda na primeira fase; as referências ofensivas iugoslavas principais eram os montenegrinos Predrag Mijatović e Dejan Savićević. Milošević depois seguiu carreira no Real Zaragoza, onde tornou-se estrela local.
Ainda em 1998, Milošević destacou-se contra a Seleção Brasileira, em amistoso ocorrido em setembro: com sete minutos de jogo, encobriu o goleiro (André Döring) para abrir o placar em São Luís do Maranhão. A partida foi acompanhada em especial no Brasil por marcar a estreia de Vanderlei Luxemburgo como técnico canarinho e o regresso de Dejan Petković (então no Vitória) à Seleção Iugoslava após anos ausente. No Zaragoza, Milošević conseguiu cerca de vinte gols cada em duas temporadas, protagonizando elogiado quarto lugar em La Liga de 1999-2000 - um ponto abaixo do vice-campeão Barcelona.
Em 1999, ele sobressaiu-se em duelos contra a dupla principal: contra o próprio Barcelona, marcou ambos os gols de triunfo de 2-0, em 20 de junho, na temporada do bicampeonato seguido do adversário em La Liga; contra o Real Madrid, também marcou dois gols, em 3 de dezembro. Foi em chamativa goleada de 5-1 dentro do estádio Santiago Bernabéu, na qual Milošević marcou o primeiro e o último gol zaragocista, tornando-se inclusive o líder da artilharia do campeonato naquele momento.
O 5-1 foi o pior resultado que o clube da capital sofria em casa em 25 anos. Ironicamente, o Real Madrid terminaria a temporada vencendo a Liga dos Campeões da UEFA de 1999–00, fazendo com que ocupasse no lugar do próprio Zaragoza a última vaga espanhola na edição seguinte do torneio embora os madrilenhos terminassem uma colocação abaixo em La Liga. O sérvio, por sua vez, chegou a entrar no primeiro semestre de 2000 em chamativa seca de gols, mesmo que contribuísse com assistências. Para o jornal As, foi ainda assim o melhor jogador daquela temporada no futebol espanhol, à frente até de Raúl e de Salva, o qual foi o artilheiro ao fim daquela edição de La Liga.
Em meio a essas temporadas de Milošević como zaragocista entre 1998 e 1999, a Seleção Iugoslava classificou-se à Eurocopa 2000 enquanto seu território chegava a ser novamente bombardeado, na Guerra do Kosovo - até o presidente Slobodan Milošević aceitar cessar-fogo em junho. Ter o mesmo sobrenome dele trazia problemas ao atacante, que em 8 de setembro de 1999, pelas eliminatórias, abriu o placar de vitória de 4-2 em Skopje sobre a antiga república iugoslava da Macedônia.
No mês seguinte (em 9 de outubro de 1999), participou de duelo balcânico ainda mais tenso, em encontro pela rodada final contra a rival Seleção Croata: foi titular no empate em 2-2, dentro de uma Zagreb hostil aos antigos inimigos da ainda recente Guerra de Independência da Croácia. O resultado classificou sérvios e montenegrinos em primeiro lugar e deixou os adversários, recentemente terceiro colocados na Copa do Mundo FIFA de 1998, sob "luto", ultrapassados na segunda colocação pela Irlanda e consequentemente eliminados.
Milošević veio ser protagonista da própria Euro 2000: sua seleção, que acabaria desfalcada do astro Savićević por lesão, fez campanha considerada mediana, mas Milošević terminou a competição na artilharia. Na estreia, marcou o primeiro e o terceiro de três gols com os quais a Iugoslávia, em espaço de cinco minutos, pôde empatar partida que perdia por 3-0 para a rival Eslovênia, em um dos melhores jogos daquela competição.