Sebastião ou Sebastiano (em latim: Sebastianus; em francês: Sébastien; França, c. 256 – 20 de Janeiro de 288) originário de Narbonne e cidadão de Milão, foi um mártir e santo cristão, morto durante a perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano. O seu nome deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável (que seguia a beatitude da cidade suprema e da glória altíssima).
Ele teria chegado a Roma através de caravanas de migração lenta pelas costas do Mar Mediterrâneo, que na época eram muito abundantes por causa do mar mediterrâneo e o Saara e os dias não tão quentes por causa da latitude em torno de 40°. De acordo com Actos apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de 283 d.C., com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão e, por isso, o designaram capitão da sua guarda pessoal, a Guarda Pretoriana. Por volta de 286 d.C, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (que se tornaram símbolo constante na sua iconografia). Foi dado como morto e atirado em um rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Luciana (Santa Luciana, cujo dia é comemorado a 30 de Junho) resgatou seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas.
Existem inconsistências no relato da vida de São Sebastião: o édito que autorizava a perseguição sistemática dos cristãos pelo Império foi publicado apenas em 303 d.C., pelo que a data tradicional do martírio de São Sebastião parece precoce. O simbolismo na História, como no caso de Jonas, Noé e também de São Sebastião, é visto, muitas vezes, como alegoria, mito, fragmento de histórias, uma construção histórica que atravessou séculos.
O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na arte medieval, surgindo geralmente representado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias setas (flechas); três setas, uma em pala e duas em aspa, atadas por um fio, constituem o seu símbolo heráldico.
Tal como São Jorge, Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no século IV e que atingiu o seu auge na Baixa Idade Média, designadamente nos séculos XIV e XV, tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. Embora os seus martírios possam provocar algum ceticismo junto dos estudiosos atuais, certos detalhes são consistentes com atitudes de mártires cristãos seus contemporâneos.
Representação nas artes: literatura, cinema e música
São Sebastião foi o ícone de várias expressões artísticas. Foi tema de pintores da Renascença. Na literatura, São Sebastião teve sua trajetória contada no livro "Perseguidores e Mártires", do escritor italiano Tito Casini. Ainda na literatura, foi um dos personagens centrais do romance "Fabíola" (também intitulado "A Igreja das Catacumbas"), escrito em 1854 pelo Cardeal Nicholas Wiseman.
Em 1911, Debussy produziu um misto de cantata, drama lírico e de balé, "Le Martyrre de Saint Sébastien". A obra de Wiseman foi filmada por Alessandro Blasetti em 1949 na França, estrelando Michèle Morgan, e com o ator italiano Massimo Girotti no papel de São Sebastião. Foi refilmado por Nunzio Malasomma em 1961, na Itália, como "La Rivolta degli Schiavi ("A Revolta dos Escravos), protagonizado pela estrela estadunidense Rhonda Fleming, com o romano Ettore Manni como o santo mártir.
O pintor brasileiro Eliseu Visconti teve sua tela "Recompensa de São Sebastião" premiada com a medalha de ouro na Exposição Universal de Saint Louis, realizada em 1904 nos Estados Unidos.
Festejos em homenagem a São Sebastião
No Brasil, ele é celebrado com festas e feriados no dia 20 de janeiro como padroeiro de várias cidades:
Acre: Epitaciolândia, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo e Xapuri.
Alagoas: Joaquim Gomes, Messias, Rio Largo, Barra de Santo Antônio, Belém, Ibateguara e Monteirópolis.
Amazonas: Atalaia do Norte, Caapiranga e São Sebastião do Uatumã.
Bahia: São Sebastião do Passé, Cocos (Padroeiro da cidade), homenageado na cidade levando o seu nome em um hospital público, uma clínica particular e uma rua. Seabra e Vale do Capão (município de Palmeiras) onde é Padroeiro, Belo Campo, Brumado, Algodões (Distrito de Quijingue) em Caturama, Ibiassucê, Alcobaça, Caravelas, Ilhéus, Itambé, Trancoso, Caraíva, Igaporã, Paxo (Distrito de Paramirim), Cumuruxatiba, Barreiras, Maraú, Mascote, Barra do Rocha, Pau a Pique (município de Casa Nova), Porto Novo (Santana) e Una. Festa do Bumba Meu Boi América Dourada, Comunidade em Irecê e também na Comunidade de Gameleira em Barra do Mendes Chapada Velha-Diamantina.
Ceará: Nova Olinda (Onde ocorre um dos maiores festejos da Região Metropolitana do Cariri, o hasteamento do pau da bandeira, que atrai romeiros e turistas de várias regiões), Apuiarés, Cuncas (Barro), Choró, Ipaumirim, Ipu, Mangabeira (Lavras da Mangabeira), Campo Lindo (Reriutaba), Maranguape, Icapuí (Manibú), Monsenhor Tabosa, Mulungu, José de Alencar (Iguatu), Lima Campos (Icó), Fazenda Facão, Distrito de Belém (Quixeramobim), Pedra Branca, Candeia São Sebastião (Baturité), Laranjeiras (Banabuiú), Campanário (Uruoca), Dom Quintino (Crato), Sítio Areias (Abaiara), Itapipoca (segundo padroeiro), Aquiraz (segundo padroeiro), Pasta (Solonópole), Boa Hora (Pacoti), Palestina e Cajueiro (Meruoca), Sitio Traíras - São Sebastião (Milhã), Adrianópoles (Granja).
Espírito Santo: Itarana, Jerônimo Monteiro, Afonso Cláudio e Viana.
Goiás: Itaberaí, Itauçu, Itaguaru, Cristalina, Rio Verde, Bonfinópolis, Palmeiras de Goiás, Palminópolis, Pires do Rio, Santa Cruz de Goiás e Rianápolis.