Seleção Brasileira de Futebol, apelidada de Seleção Canarinho (em homenagem à camisa amarela), representa o Brasil no futebol internacional masculino e é administrada pela Confederação Brasileira de Futebol, a entidade máxima do futebol no Brasil. É membro da FIFA desde 1923 e membro fundador da CONMEBOL desde 1916. Também foi membro da Confederação Panamericana de Futebol (CPF) de 1946 a 1961.
O Brasil é a seleção mais vitoriosa da Copa do Mundo da FIFA, sendo coroada vencedora cinco vezes: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Também tem o melhor desempenho geral na competição da Copa do Mundo, tanto em termos proporcionais quanto absolutos, com um recorde de 76 vitórias em 114 partidas disputadas, 129 de saldo de gols, 247 pontos e 19 derrotas. É a única seleção nacional a ter jogado em todas as edições da Copa do Mundo sem nenhuma ausência nem necessidade de playoffs e a única equipe a ter vencido a Copa do Mundo em quatro continentes diferentes: uma vez na Europa (a edição de 1958 na Suécia), uma vez na América do Sul (a edição de 1962 no Chile), duas vezes na América do Norte (a edição de 1970 no México e o torneio de 1994 nos Estados Unidos) e uma vez na Ásia (a edição de 2002 co-organizada pela Coreia do Sul e Japão). O Brasil também foi a equipe mais bem-sucedida na extinta Copa das Confederações da FIFA, vencendo-a quatro vezes, em 1997, 2005, 2009 e 2013. Com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, o Brasil é um dos dois únicos países, sendo o outro a França, a ter vencido todas as competições masculinas de 11 jogadores da FIFA em todas as faixas etárias.
O Brasil tem a maior classificação média Elo do futebol ao longo do tempo. No sistema de classificação da FIFA, o Brasil detém o recorde de mais vitórias no primeiro ranking do Time do Ano, com 13. Muitos comentaristas, especialistas e ex-jogadores consideram a seleção brasileira de 1970 a maior seleção de todos os tempos. Outras seleções brasileiras também são muito estimadas e aparecem regularmente listadas entre as melhores seleções de todos os tempos, como as seleções brasileiras de 1958-62 e as seleções do período de 1994-02, com menções honrosas para o talentoso time de 1982. Em 1996, a seleção brasileira alcançou 35 jogos consecutivos invicta, feito que manteve como recorde mundial por 25 anos.
O Brasil desenvolveu muitas rivalidades ao longo dos anos, sendo as mais notáveis com a Argentina —conhecida como Superclássico das Américas em português, a Itália —conhecida como Clássico Mundial, o Uruguai —conhecido como Clássico do Rio Negro, devido ao traumático Maracanaço, e a Holanda devido a vários encontros importantes entre as duas seleções em várias Copas do Mundo.
1914–1938: A formação e os primórdios
A Seleção Brasileira foi formada pela primeira vez em 21 de julho de 1914. Fez seu primeiro jogo contra o Exeter City, da Inglaterra, no campo do Fluminense Football Club, em 21 de julho daquele ano. O resultado da partida é disputado. Algumas fontes afirmam que o Exeter perdeu por 2 a 0 para o Brasil, com gols de Oswaldo Gomes e Osman, enquanto outras afirmam um empate de 3 a 3, particularmente na mídia inglesa à época. A equipe jogou ainda naquele ano em dois jogos contra a Seleção Argentina, sendo um amistoso em 20 de setembro e outro oficialmente, valendo a Copa Roca em 27 de setembro, competição que visava a aproximar mais estes dois países. O Brasil venceu por 1 a 0 em Buenos Aires (gol de Rubens Salles), consagrando-se campeão do torneio, sendo esse o primeiro de vários títulos conquistados pela seleção Canarinho.
O primeiro título relevante conquistado pela Seleção Brasileira foi o Campeonato Sul-Americano de 1919, atual Copa América,com Friedenreich marcando o gol do título sobre o Uruguai, no Estádio das Laranjeiras construído pelo Fluminense para esta ocasião, já que o governo brasileiro não tinha o dinheiro para financiar este evento internacional. Em 1922, o Fluminense ampliou o seu estádio e a Seleção Brasileira conquistou o segundo título relevante de sua história, o bicampeonato do Sul Americano de Seleções. A competição foi disputada no Brasil como homenagem ao centenário da independência do Brasil.
Na Copa do Mundo FIFA de 1930, quando Preguinho marcou o primeiro gol da história da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, na estreia contra a Iugoslávia, em que o Brasil perdeu por 2 a 1, e na Copa do Mundo de 1934, o Brasil foi eliminado logo na primeira fase. Porém, a Copa do Mundo de 1938 foi um sinal do que viria, uma vez que o Brasil terminou em um bom terceiro lugar, com Leônidas da Silva terminando a competição como artilheiro e melhor jogador.
Deve-se lembrar, contudo, que nas Copas de 1934 e 1938, houve reclamações brasileiras contra a arbitragem das partidas nas quais o Brasil foi eliminado, em 1934 contra a Espanha (oitavas de final) e em 1938 contra a Itália (semifinal). Em 1934, os brasileiros reclamaram do árbitro alemão Alfred Birlem, que anulou um gol de Luisinho quando a partida ainda estava 2 a 1 para a Espanha (segundo os brasileiros, o gol foi legal), e o zagueiro espanhol Quincoces tirou com a mão uma bola, chutada pelo brasileiro Patesko, no momento em que a bola ia entrar no gol. O árbitro não marcou o pênalti. Porém, em um outro lance, o árbitro marcou um pênalti a favor do Brasil, batido por Valdemar de Brito e defendido pelo goleiro espanhol Zamora.
Já em 1938, o Brasil perdeu de 2 a 1 para a Itália na semifinal. O segundo gol italiano derivou-se de pênalti, cometido por Domingos da Guia sobre o italiano Piola. Domingos agrediu Piola em revide a uma agressão deste, que o árbitro (o suíço Hans Wüthrich) desconsiderou, marcando apenas a infração do brasileiro. Ademais, algumas fontes afirmam que, no momento do ocorrido, a bola não estava em jogo, havia saído pela linha de fundo, de modo que a marcação do pênalti teria sido ilegal. Outras fontes alegam que a bola não havia saído, porém que estava fora do lance, longe de Domingos da Guia e Piola, de modo que a marcação do pênalti teria sido, no mínimo, desnecessariamente rigorosa. Não só a imprensa brasileira, mas também a imprensa do país-sede da Copa, a França, considerou a marcação do pênalti rigorosa demais. O Brasil chegou a fazer protesto formal à FIFA contra o juiz suíço Hans Wüthrich pela marcação do citado pênalti, porém a FIFA homologou o resultado final da partida. O jornalista francês A Chantrel escreveu que o árbitro deveria ter expulsado Domingos da Guia, mas jamais ter dado pênalti, pois a bola não estava em jogo, porém esse jornalista afirma que a Itália dominou o Brasil no jogo. Além disso, Leônidas, considerado o melhor jogador do Brasil, desfalcou o Brasil contra a Itália por exaustão muscular, mas 3 dias depois disputou a decisão de 3º lugar contra a Suécia, marcando 2 gols. A "rápida" recuperação de Leônidas gerou controvérsia e várias críticas, alegando que ele teria condições de jogar a partida anterior. Também surgiram calúnias de que Leônidas teria sido "comprado" pela Itália, ou que o próprio Leônidas teria fingido suas dores musculares como forma de buscar uma melhor premiação financeira (o popular "bicho") por jogar. Leônidas processou o autor das acusações.
Nas duas ocasiões (1934 e 1938), a campeã da Copa acabou sendo a Itália. Curiosidade: após eliminar o Brasil em 1934, a Espanha foi eliminada pela futura campeã Itália, em uma partida na qual o árbitro suíço René Mercet "ajudou" tanto os italianos que simplesmente acabou sendo posteriormente desfiliado do quadro de árbitros da Federação Suíça de Futebol pela sua atuação na Copa.
1949-1954: Copa América, derrota para Uruguai e derrota para Hungria
Já em 1949, Brasil sediou mais uma edição do Campeonato Sul-Americano. A Seleção Brasileira foi campeã, vencendo 7 a 0 a Paraguai no jogo final em São Januário, e assim, acabou com um jejum de títulos oficiais de 27 anos. O anterior, tinha sido na Copa América de 1922. Esse foi o período mais longo da história da Seleção sem conseguir títulos oficiais de sua Seleção principal. Os gols do jogo final foram marcados por Ademir de Menezes (três gols) Tesourinha (dois gols) e Jair (dois gols).