Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf ( PRONÚNCIA; Mårbacka, 20 de novembro de 1858 — 16 de março de 1940) foi uma escritora sueca vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1909, e uma das escritoras suecas mais lidas e de maior sucesso internacional. Entre as suas obras mais conhecidas estão "A Saga de Gösta Berling", "Jerusalém" e "A Viagem Maravilhosa de Nils Holgersson através da Suécia".
O trabalho de Selma Lagerlöf está profundamente enraizado em lendas nórdicas, e nas fábulas folcloricas que absorvera durante sua infância em Värmland. Sua obra se afastou do movimento realista dominante e descreveu de uma maneira romântica e imaginativa a vida camponesa e a paisagem do norte da Suécia.
Selma Lagerlöf foi uma pioneira dentro e fora da fronteiras Suecas. Foi a primeira mulher a receber o Prémio Nobel de Literatura (1909), a primeira a tornar-se membro da Academia Sueca (1914) e também a primeira a ser promovida como Doutor Honoris Causa em uma universidade sueca (Universidade de Uppsala, 1907).
Suas obras foram traduzidas para mais de 60 idiomas e logo transformadas em teatro, ópera e cinema.
Uma das suas obras – A Saga de Gösta Berling – está incluída no Cânone Cultural da Suécia (Sveriges kulturkanon), uma lista oficial de obras e realizações particularmente importantes para a herança cultural do país.
Selma nasceu na paróquia de Östra Ämtervik, província da Värmland, oeste da Suécia, numa casa senhorial chamada Mårbacka, pertencente à sua família. Lagerlöf pertencia à família sacerdotal Lagerlöf de Värmland. Era filha de Erik Gustaf Lagerlöf, tenente do Regimento Real da Värmland e Louise Lagerlöf, cujo pai era um comerciante muito bem-sucedido e dono de uma fundição.
Selma era a quinta criança entre os seis filhos do casal. Ela nasceu com uma displasia no quadril, o que causou o deslocamento de suas articulações. Com três anos e meio, Selma adoeceu, ficando com ambas as pernas completamente paralisadas. A menina recuperou-se posteriormente, entretanto, as sequelas dificultaram seu relacionamento com outras crianças da mesma idade.
Selma fora uma criança quieta e era considerada muito séria para sua idade, porém desde cedo manifestara grande amor pela leitura, com frequência era vista lendo poesia quando pequena. Sua avó ajudou a criá-la, sempre narrando à menina inúmeros contos de fadas e histórias de fantasia. Ao crescer, Selma era modesta e mancava um pouco.
Como outras crianças de classe abastada, as crianças da família Lagerlöf receberam educação em casa, com tutores e professores particulares. Estes vinham para a residência, onde educavam os jovens em inglês e em francês. Selma terminou de ler seu primeiro romance aos sete anos, Osceola, de Thomas Mayne Reid. Depois da leitura, Selma disse à família que decidira se tornar escritora quando crescesse.
Ainda jovem, Selma começou a escrever histórias e versos baseados em figuras de seus livros preferidos, como os sultões de "As Mil e uma Noites", os cavaleiros de Walter Scott e os reis das sagas de Snorri Sturluson, historiador e poeta medieval da Islândia.
Em 1868, aos 10 anos, Selma terminou de ler a Bíblia. Por volta dessa época, seu pai ficou muito doente e ela esperava que ele se recuperasse caso lesse a Bíblia de uma ponta a outra. Seu pai viveu por mais 17 anos depois disso.
A venda de Mårbacka, sua amada propriedade familiar, logo após a doença de seu pai, teve um grande impacto em sua vida. Algumas fontes apontam que Erik Lagerlöf era alcoólatra, algo que a filha nunca discutia. Erik não queria que Selma tivesse mais educação além do básico, nem que se envolvesse com movimentos anticonservadores. Mais tarde, já galardoada com o Nobel de Literatura, ela compraria Mårbacka de volta, onde residiria pelo resto da vida. Selma terminou os estudos no Seminário Real (Högre lärarinneseminariet), onde se tornou professora no mesmo ano em que seu pai morreu.
De professora rural a escritora de sucesso
Selma estudou no Seminário Real, em Estocolmo, de 1882 a 1885. Trabalhou como professora de ensino médio em uma escola para moças na área rural, em Landskrona, de 1885 a 1895, enquanto aprimorava suas habilidades de escrita, com interesse nas lendas que aprendeu quando era criança. O ofício de professora era algo que Selma gostava, bem como gostava de seus alunos.
Em 1885, a família de Selma, mediante a doença do pai e as dívidas do irmão Johan, perdeu Mårbacka. Secretamente, Selma desejava trabalhar o suficiente para recuperar a propriedade da família. Foi auxiliada pela baronesa Sophie Lejonhufvud Adlersparre (Esselde), que a incentivou a publicar seus versos em Dagny, a revista literária feminista fundada por ela.
Em 1890, participou de uma competição literária promovida pela revista sueca Idun com alguns capítulos de um romance que estava escrevendo já há algum tempo, e cuja ideia, baseava-se nas lendas e fábulas aprendidas em Värmland durante a infância. Ela não apenas ganhou a competição como também ganhou um contrato para a publicação do livro que apenas seria lançado no ano seguinte sob o título "Gösta Berlings saga" ["A Saga de Gösta Berling", 1891]. No começo, sua escrita recebeu críticas mornas, mas depois que o famoso crítico dinamarquês, Georg Brandes reagiu positivamente ao romance, sua popularidade cresceu.. Com esse primeiro livro, Selma reagiria contra o realismo da literatura contemporânea sueca de escritores, como August Strindberg. Com o tempo "Gösta Berlings saga" passaria a figurar entre as leituras preferidas do público sueco.
Após o sucesso do primeiro livro, veio a coletânea de contas "Osynliga länkar" ["Laços Invisíveis", 1894], que ajudaria a consolidar ainda mais o nome de Lagerlöf como uma das autoras mais queridas da Suécia. Nessa mesmo ano, em Estocolmo, Selma conhece Sofia Elkan, escritora de romances históricos, com a qual manterá correspondência e amizade pelo resto da vida. Por muitos anos, elas liam e criticavam os trabalhos uma da outra. Selma costumava dizer que Sophie influenciou fortemente seu trabalho e que ela frequentemente discordava da direção que Selma queria tomar na construção de seus livros. Com Sophie Elkan, ela viajou para a Itália e também para a Palestina e outras partes do Oriente. Na Itália, a lenda de uma imagem do Menino Jesus que havia sido substituída por uma versão falsa inspirou o romance "Antikrists mirakler" ["Os Milagres do Anticristo"] (1897), obra ambientada na região da Sicília, e que explora a interação entre os sistemas morais cristão e socialista. É também o único romance de Lagerlöf que se passa inteiramente fora da Suécia.
Já no final do século, publicaria uma segunda coletânea de contos initulada "Drottningar i Kungahälla" ["As Rainhas de Kungahälla"] (1899) e, no mesmo ano, a novela En herrgårdssägen ["A Lenda de uma Quinta Senhorial"] (1899), concebido sobre o tema de A Bela e a Fera e no qual a autora aborda assuntos como depressão e ansiedade por meio do protagonista da história, Gunnar Hede.