Senhor do Bonfim é um município brasileiro localizado no centro-norte do estado da Bahia. Localizado a 375 quilômetros da capital estadual Salvador, sua população, conforme a estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 78 090 habitantes.
Um dos primeiros exploradores a visitar a região do município de Senhor do Bonfim, a qual teve como habitantes originais os indígenas cariris, foi Robério Dias, no início do século XVII. Foi ele quem nomeou a Serra da Maravilha, localizada no território municipal.
Nos séculos XVII e XVIII, o atual território municipal estava localizado na rota de aventureiros que se dirigiam a Jacobina, tropeiros e vaqueiros, sendo um ponto de parada para eles, muitos dos quais acabaram se fixando nessa região, atraídos pelo clima bom e terras férteis. O povoado que hoje é a sede municipal de Senhor do Bonfim se formou no final do século XVII, a partir de uma rancharia que servia de pouso àqueles que transitavam pela região, e estava localizada nas margens de uma lagoa, hoje drenada.
Em 1697, padres franciscanos criaram, em terras hoje pertencentes ao município de Senhor do Bonfim, a missão de Nossa Senhora das Neves do Sahy, para catequizar os indígenas cariris. Em 1720, foi criada a vila de Santo Antônio de Jacobina e essa missão religiosa foi escolhida para ser sua sede, mas, quatro anos depois, em 1724, a sede da vila foi transferida para a atual sede de Jacobina.
A atual cidade de Senhor do Bonfim foi denominada, em 1750, de Arraial do Senhor do Bonfim da Tapera, em um período em que estava em pleno desenvolvimento, devido à agropecuária.
Atendendo a um pedido da população local, uma Carta Régia de 1° de julho de 1797 elevou o Arraial do Senhor do Bonfim da Tapera à categoria de vila, com o nome de Vila Nova da Rainha, sendo desmembrada da vila de Jacobina e instalada em 1° de outubro de 1799.
Por meio da Lei Provincial n° 2.499, de 28 de maio de 1885, a Vila Nova da Rainha foi elevada à categoria de cidade, recebendo o nome de Bonfim.
No início de 1889, Bonfim foi visitada pelo Conde D’Eu, sendo recebido sem entusiasmo pela população. Ainda nesse mesmo ano, com a Proclamação da República, Bonfim foi o primeiro município da Bahia a aderir à nova forma de governo.
A Lei Estadual n° 1.905, de 6 de agosto de 1926, desmembrou de Bonfim e elevou à categoria de município o distrito de Jaguarari, criado em 1893.
Por meio do decreto-lei estadual n° 141, de 31 de dezembro de 1943, ratificado pelo Decreto Estadual nº 12978, de 1° de junho de 1944, o município de Bonfim passou a se denominar Senhor do Bonfim. Nesse momento, a municipalidade era constituída pelos distritos da sede e de Carrapichel, criado em 1933. Posteriormente, a Lei Estadual n° 628, de 30 de dezembro de 1953, elevou os povoados bonfinenses de Igara, Tijuaçu e Andorinha à categoria de distrito.
Na década de 1970, a economia municipal, que era baseada na pecuária e nas culturas de feijão, mandioca, milho, mamona, ouricuri e sisal, ganhou novas fontes e progrediu, com a expansão do comércio e a instalação de usinas de beneficiamento do leite, sisal, ouricuri e mamona. Nos anos 1980, devido à introdução de produtos e fibras sintéticas, as produções de mamona, sisal e ouricuri entraram em declínio e as indústrias desses produtos saíram do município, mas a intensificação da pecuária diminuiu o impacto na economia bonfinense resultante do declínio dessas culturas e, com isso, Senhor do Bonfim passou a ficar dependente dessa atividade primária.
A Lei Estadual n° 5.026, de 13 de junho de 1989, desmembrou de Senhor do Bonfim o distrito de Andorinha, que foi elevado à categoria de município.
Desde os anos 1990, as secas prolongadas têm causado grandes danos à economia municipal, o que permanece devido à ausência de planejamento do setor primário para a mitigação dos efeitos das secas.
A cidade está localizada no sopé sul da Serra do Gado Bravo, extensão da Chapada Diamantina, na Cordilheira do Espinhaço. Sua altitude, na região central da cidade, é de 453 metros acima do nível do mar, mas possui locais na extensão do município com altitude superior a 600 metros. Por ter localização privilegiada, é sempre verde em todos os meses do ano, sempre abastecida de frutas e verduras da região denominada "Grota", nos vales da cordilheira.
O município de Senhor do Bonfim possui uma divisão geológica-geomorfológica em três unidades principais: Gnáissica, Kinzigítica e Calcissilicática. Essa estrutura geológica contribui para a formação de duas grandes unidades de relevo: o Planalto Residual da Serra de Jacobina e o Pediplano Sertanejo. Nessas unidades de relevo, ocorrem processos de formação de solos que resultam em diferentes tipos de solos: Argissolos, Latossolos, Neossolos e Planossolos. Dentre esses, o Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico é o mais predominante, ocupando cerca de 70% da área total do município.
O Latossolo Vermelho Amarelo é a classe de solo mais representativa em Senhor do Bonfim, cobrindo aproximadamente 69,88% da área do município. Esses solos são caracterizados por serem profundos, bem drenados e com textura média. No entanto, apresentam limitações de uso devido ao baixo teor de fertilidade e à baixa capacidade de retenção de água.
Nos seus domínios encontram-se várias nascentes de rios, todos pertencentes à bacia do Rio Itapicuru. Existem vários açudes no município, como o Açude do Sohen, Açude do Quiçé, Açude da Boa Vista, que ajudam a minorar a falta d'água nos tempos de seca. Esses açudes represam riachos também pertencentes à bacia do rio Itapicuru.
Na área do município é possível observar vários tipos de vegetação, desde a densa mata serrana, remanescente da Mata Atlântica, até a caatinga, sendo um observatório perfeito para quem pretende contemplar ou estudar os aspectos da cobertura vegetal do Nordeste brasileiro.