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Serra (Espírito Santo)

Município brasileiro do estado do Espírito Santo

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Serra é um município brasileiro do estado do Espírito Santo. É o mais populoso município do estado, com 520 653 habitantes, conforme censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a censo populacional do IBGE de 2010, a Serra tem 409.324 habitantes, ocupando o posto de município mais populoso do estado. Porém este número pode ser maior, chegando a 421.677 moradores se considerarmos os bairros que não são contabilizados para o município da Serra, pois o IBGE exclui como população da Serra, os habitantes dos bairros Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Bairro de Fátima), Conjunto Carapina I e Hélio Ferraz, considerados como pertencentes à cidade de Vitória. Isto está de acordo com a atual divisão territorial entre os municípios, em vigor pela Lei 1.919 de 3 de janeiro de 1964. Além destes, parte dos bairros Eurico Salles, Jardim Carapina e Carapebus fazem parte de Vitória de acordo com esta lei.

Segundo o censo brasileiro de 2022, a composição religiosa da cidade era de 35,67% católicos, 40,11% evangélicos ou protestantes, 0,73% espíritas, 0,58% umbandistas ou candomblecistas, 0,02% religião tradicional, 7,01% outras religiões, 15,76% irreligiosos, 0,05% desconhecidos e 0,07% não declarados.

Evolução demográfica da cidade da Serra

Não pertenciam à Serra Nova Almeida (até 1938), Carapina e Queimado (até 1943).

Período pré-colonial e colonização

Antes da colonização europeia, a faixa litorânea hoje correspondente a Serra integrava território de povos indígenas do tronco tupi, com destaque para os Tupiniquim e grupos aliados, que mantiveram contato e conflito com colonos desde o século XVI no âmbito da capitania do Espírito Santo. A presença missionária jesuítica estruturou aldeamentos como o de Nova Almeida, onde se ergueu a Igreja e Residência dos Reis Magos, exemplar arquitetônico associado à catequese e à ocupação litorânea setecentista.

Formação administrativa e desenvolvimento

A ordenação civil avançou no século XVIII: a freguesia da Serra foi criada por Carta Régia em 24 de maio de 1752; em 2 de abril de 1833, elevou-se a vila (desmembrada de Vitória), e em 6 de novembro de 1875 alcançou a categoria de cidade, pela Lei Provincial nº 06. Ao longo do século XX, o território passou por sucessivas redefinições distritais: criação de Itapocu (1921), incorporação de Nova Almeida (1938) e anexação de Carapina e Queimado (1943), conformando, em 1960, cinco distritos (Serra, Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado).

Ciclos econômicos e demografia

Durante o período colonial e imperial, engenhos de açúcar e lavouras de subsistência marcaram a economia litorânea capixaba, enquanto o café se expandiu no século XIX e estruturou redes de colonização e circulação na província. A integração territorial foi dinamizada pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, cuja implantação no início do século XX conectou o litoral capixaba ao interior mineiro, reforçando o papel logístico da capital e de seu entorno. A partir dos anos 1960–1980, políticas de industrialização e “grandes projetos” no entorno do Porto de Tubarão (inaugurado em 1º de abril de 1966) e dos terminais de Praia Mole aceleraram a urbanização, com criação do Centro Industrial de Vitória (CIVIT) e instalação do parque siderúrgico da ArcelorMittal Tubarão (antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, cuja implantação se iniciou em 1976 e as operações em 1983). Tais transformações implicaram forte crescimento populacional e expansão de bairros operários e conjuntos habitacionais contíguos ao CIVIT nas décadas de 1970–1980, conforme séries censitárias do IBGE analisadas por estudos acadêmicos locais. No plano demográfico e cultural, a metrópole capixaba também recebeu fluxos de imigrantes italianos e pomeranos desde o fim do século XIX, cuja presença se projetou sobre a Grande Vitória e regiões próximas, influenciando formas de ocupação e trabalho.

Integração metropolitana e transformações recentes

A institucionalização da Região Metropolitana da Grande Vitória ocorreu em 1995, pela Lei Complementar estadual nº 58, incluindo, entre outros, Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana e Serra; nos anos seguintes, alterações legais incorporaram Guarapari e Fundão, consolidando a escala metropolitana de planejamento (COMDEVIT e PDUI). Na faixa costeira serrana, balneários como Jacaraípe e Manguinhos — historicamente núcleos pesqueiros — foram intensamente loteados e urbanizados na segunda metade do século XX, acompanhando a expansão da malha urbana metropolitana.

Dentre os pontos de cultura do município destacam-se algumas instituições. Um dos principais locais de conservação cultural é o Museu Histórico da Serra, inaugurado no ano de 2007, no casarão que pertenceu a família de Judith Leão Castello Ribeiro, primeira mulher a tornar-se deputada no Brasil. Como parte do acervo estão documentos, móveis, objetos (como cachimbos, binóculos e espelhos), obras de artes e itens relacionados a história de seus moradores ilustres e sobre a constituição do município.

Outra instituição de renome é a Casa de Congo, importante instituição do estado do Espírito Santo inaugurada em 2000, pela Secretaria da Cultura (Secult), que visa reunir o acervo e a memória do congo no município.

O município ainda é contemplado com duas bibliotecas municipais, além da biblioteca vinculada à Câmara municipal do município, uma biblioteca móvel e duas organizadas de maneira comunitária, isto é, desvinculada do poder público estatal e sem vínculos com a iniciativa privada.

O patrimônio edificado inclui a Igreja e Residência dos Reis Magos (Nova Almeida), vinculada à ação missionária do período colonial e reconhecida por sua relevância histórica e artística. No distrito de Queimado, as ruínas da antiga Igreja de São José compõem o sítio associado à Insurreição do Queimado (1849), movimento de escravizados que integra a memória da resistência negra no Espírito Santo, objeto de estudos acadêmicos e ações de preservação.

O município conta com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, pesquisa realizada no ano de 2021, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alcançando uma marca de R$ 37,27 bilhões. O município possuí uma certa vantagem pelo fato de ser cortado pela BR 101, acesso próximo ao aeroporto de Vitória e também pela Estrada de Ferro Vitória Minas, meios que acabam contribuindo para uma presença significativa de empresas de logística na cidade. Em 2022 foi feito um levantamento pelo Índice de Concorrência dos Municípios (ICM) sobre a ordem burocrática de alguns municípios Brasileiros ao lidar com o seguimento empresarial, Serra acabou levando a melhor colocação do estado em segurança jurídica, colocando a cidade em uma boa posição para se investir.

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