Shelley Winters, nome artístico de Shirley Schrift (St. Louis, 18 de agosto de 1920 — Beverly Hills, 14 de janeiro de 2006) foi uma premiada atriz norte-americana cuja carreira durou sete décadas. Ela ganhou dois Oscars por O Diário de Anne Frank (1959) e Quando Só o Coração Vê (1965), além de duas indicações por Um Lugar ao Sol (1951) e O Destino de Poseidon (1972). Na televisão, ela teve um papel recorrente na sitcom Roseanne. Winters também escreveu três livros autobiográficos.
Uma das mais respeitáveis atrizes da "era de ouro" de Hollywood, Shelley Winters começou a carreira nos anos 40, quando se mudou para Nova Iorque, e onde estudou no famoso Actors Studio, na época ainda dirigido por seu fundador Lee Strasberg. Logo, ela foi para Hollywood, contratada pela Columbia Pictures. No estúdio, atuou em papéis quase sempre secundários e muitas vezes nem creditados. Após uma passagem pela Broadway, retornou a Hollywood, assinando com a Universal Pictures. Lá, interpretou seu primeiro personagem de importância, no filme A Double Life, em 1947.
O reconhecimento como atriz de talento veio em 1951, através de sua atuação em A Place in the Sun, de George Stevens. Por este papel, recebeu sua primeira indicação ao Oscar na categoria de "Melhor Atriz". Nos anos 50, Shelley atuou em importantes filmes, como Executive Suite (1954), de Robert Wise; The Night of the Hunter (1955), único filme dirigido por Charles Laughton; The Big Knife (1955), de Robert Aldrich; e The Diary of Anne Frank (1959), novamente dirigida por George Stevens. Por esse filme, recebeu o Oscar de "Melhor Atriz Coadjuvante".
Em 1962, a atriz interpretou a mãe da ninfeta "Lolita", no filme homônimo, dirigido por Stanley Kubrick e baseado em romance de Nabokov. Os críticos consideram essa como a sua melhor atuação e, por ela, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de "Melhor Atriz Coadjuvante". O segundo Oscar veio com Quando só o coração vê (A Patch of Blue, de 1965), dirigido por Guy Green. Ainda nos anos 60, Shelley Winters apareceu em outros produções, como Como conquistar as mulheres (Alfie, de 1966), refilmado em 2004, e Harper – O caçador de aventuras (Harper, de 1966).
Nos anos 70, a atriz recebeu nova indicação ao Oscar e ganhou seu único Globo de Ouro, desta vez pela personagem obesa e com talento para a natação, em O destino do Poseidon, de Ronald Neame. Winters engordou vários quilos para o papel, e nunca mais os perdeu. Shelley Winters teve ainda mais cinco participações de destaque no cinema, em 1971 em "Quem espancou Tia Roo? (Who slew auntie Roo?), na comédia Próxima parada, bairro boêmio (Next Stop, Greenwich Village, de 1975), dirigido por Paul Mazursky; no suspense O inquilino (The Tenant, de 1976), dirigido por Roman Polanski; em S.O.B. (idem, de 1981), dirigido por Blake Edwards; e a adaptação de Henry James, Retrato de uma dama (The Portrait of a Lady, de 1996), de Jane Campion.