Sidarta Tollendal Gomes Ribeiro (Brasília, 16 de abril de 1971) é um neurocientista, capoeirista e escritor brasileiro. É professor titular e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN).
É escritor de diversos livros e escreve em uma coluna bimestral, SementeAr, do veículo de comunicação independente umaúma, é formando do Grupo Capoeira Brasil e já foi colunista do Jornal Folha de S.Paulo e da revista Carta Capital (2022-2023).
É Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (1993), Mestre em Biofísica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994), Doutor em Comportamento Animal pela Universidade Rockefeller (2000) com Pós-Doutorado em Neurofisiologia pela Universidade Duke (2005). Membro permanente das Pós-Graduações da UFRN em psicobiologia, bioinformática e neurociências. Exerceu no triênio 2009-2011 a função de secretário da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC). De 2011-2015 foi coordenador do comitê brasileiro do Pew Latin American Fellows Program in the Biomedical Sciences. Desde 2011 é membro do comitê científico da Latin American School of Education, Cognitive and Neural Sciences (LA School), que em 2014 recebeu o prêmio inaugural Exemplifying the Mission of the International Mind, Brain and Education Society. Foi coordenador de núcleo do projeto de avaliação de crianças em risco para transtorno de aprendizagem (ACERTA - CAPES/Observatório da Educação). Investigador associado sênior do Centro FAPESP de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (Neuromat). Membro desde 2015 da Plataforma Brasileira de Política de Drogas. Editor nos periódicos PLoS One (editor acadêmico), PLoS Mental Health (editor de seção), editor associado no Frontiers in Integrative Neuroscience e Frontiers In Psychology - Language Sciences e editor de revisão na Frontiers in Psychiatry e Frontiers in Neurology. Membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e do Instituto Chacruna de Plantas Psicodélicas. Eleito em 2016 membro da Academia de Ciências da América Latina (ACAL). Membro desde 2016 do Conselho de Administração da Rede Nacional de Ciência para a Educação (CpE). Eleito em 2017 e 2019 para a Diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), como terceiro-secretário. Eleito em 2021 para o Conselho da SBPC. Recebeu em 2022 a Medalha do Mérito Educacional "Noilde Ramalho" da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e em 2023 a Medalha Pedro Ernesto da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Atualmente o neurocientista também integra o grupo de pesquisa em saúde mental do Centro de Estudos Estratégicos (CEE) no Núcleo de Estudos Avançados (NEA) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)- RJ.
Sidarta é formando do Grupo Capoeira Brasil e discípulo de Mestre Caxias, sob a supervisão do Mestre Paulinho Sabiá.
Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (1989-1993)
Mestre em Biofísica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994)
Doutor em Comportamento Animal pela Rockefeller University (1995-2000)
Pós-doutorado em Neurofisiologia pela Duke University (2000-2005)
Atualmente, o laboratório de Sidarta Ribeiro faz pesquisa nas interfaces entre eletrofisiologia, etologia e biologia molecular, atuando principalmente nos seguintes temas:
Neurociência aplicada à educação;
Genes imediatos e plasticidade neuronal;
Psiquiatria neurocomputacional.
Papel Político na Defesa do Uso da Cannabis Para Fins Terapêuticos
Sidarta Ribeiro é defensor de longa data do uso de cannabis e seus derivados no tratamento de diversas condições de saúde. Dentre suas primeiras obras, o livro de divulgação científica “Maconha, Cérebro e Saúde” (Editora Reviver), de 2007, escrito em co-autoria com Renato Malcher-Lopes, foi um esforço de desmistificar uma série de falácias e mentiras contadas sobre a maconha, tendo como base a ciência, em prol de uma discussão racional sobre a planta.
Em seu livro mais recente, "Flores do Bem" (Editora Fósforo, 2023), ele traça a história dessa planta, que foi provavelmente uma das primeiras a serem domesticadas na China há cerca de 12 mil anos, e sua difusão pelos continentes asiático, africano, europeu e americano. Trata dos usos medicinais ou de cultivo e outras formas de uso, realizados por diferentes culturas há milhares de anos. Também conta parte da história da proibição no Brasil e como está sendo construída a história da regulamentação do seu uso medicinal em termos mundiais e, mais especificamente, no Brasil. Traçando um paralelo com as centenas de raças de cães selecionadas artificialmente por humanos, a partir do cruzamento de animais com características de interesse, Sidarta diz que esse foi o mesmo processo das centenas - talvez milhares - de variantes genéticas que foram criadas desde a domesticação da planta. Assim, Sidarta refere-se à planta como “cãonnabis”, em que as variantes podem servir a diferentes propósitos medicinais, por conterem diferentes concentrações e proporções entre as centenas de terpenos, flavonoides e canabinóides, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), comparando ao processo de domesticação e cruzamento de raças de cães realizados ao longo da história da humanidade. Sidarta também faz um paralelo ao uso dos antibióticos, segundo ele, “com impactos abrangentes e multifacetados que vão da neurologia e da psiquiatria à oncologia, endocrinologia e geriatria, a maconha está para a medicina do século 21 como os antibióticos estiveram para a medicina do século 20.”
Desde a década de 1990, o neurocientista é engajado em discussões científicas e políticas a respeito da maconha e é reconhecido como referência na luta antiproibicionista no Brasil. Pela importância do trabalho de divulgação que tem feito, em 2023 recebeu a Medalha Pedro Ernesto, uma distinção honorífica concedida pela então vereadora Luciana Boiteux em nome da Comissão Especial de Cannabis Medicinal em reconhecimento à dedicação de Sidarta na defesa do uso da cannabis para fins terapêuticos.
Medalha Pedro Ernesto da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (2023);