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Silvério Gomes Pimenta

Arcebispo de Mariana e primeiro arcebispo negro do Brasil

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Silvério Gomes Pimenta (Congonhas do Campo, 12 de janeiro de 1840 — Mariana, 30 de agosto de 1922) foi um professor, orador sacro, poeta, biógrafo, prelado e arcebispo de Mariana, foi o primeiro prelado eleito membro da Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 19. Presidiu, em 1903, o Primeiro Sínodo da Diocese de Mariana.

Foi o primeiro arcebispo negro da história do Brasil.

Filho de uma humilde família de ascendência africana, Dom Silvério era o primogênito entre cinco irmãos, filhos de Antônio Alves Pimenta e Purina Gomes de Araújo. A família vivia com recursos limitados, enfrentando muitas dificuldades, que se agravaram ainda mais com a morte de seu pai, quando Silvério tinha apenas quatro anos de idade.

Sendo órfão de pai ainda cedo, Dom Silvério Gomes cedo teve de empregar-se como caixeiro para sustentar a mãe e quatro irmãos menores. Demonstrando desde cedo aptidão para o estudo, seu padrinho obteve para ele uma vaga no Colégio de Congonhas, dos padres lazaristas. Afilhado de crisma de D. Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana, este concedeu-lhe matrícula no Seminário da cidade. Ali entrou aos 14 anos.

De origem humilde e aluno gratuito, Silvério trabalhou como porteiro do Seminário durante os sete anos de sua formação. Foi ordenado diácono em 21 de abril de 1862 e padre aos 22 anos por seu padrinho, em 20 de julho.. Após a ordenação, optou por permanecer no Seminário, dedicando-se à missão de mestre e diretor espiritual dos jovens vocacionados. Foi professor de Latim, Filosofia e História Universal, durante 12 anos.

A intensa dedicação de Padre Silvério, tanto no Seminário quanto em outras atividades pastorais, acabou comprometendo sua saúde, levando-o a um período de repouso forçado. Atendendo ao conselho de amigos e superiores, viajou à Itália com o reitor do Seminário, Pe. João Baptista Cornagliato, para recuperar-se. Durante a viagem, viveu uma experiência marcante ao ser recebido pelo Papa Pio IX, então mantido sob vigilância em Roma, com quem conversou sobre o Brasil em fluente italiano e de quem recebeu a bênção. Mais tarde, participaria como padre conciliar no Primeiro Concílio Vaticano, marcando de forma significativa sua trajetória eclesiástica.

Com a morte de Dom Viçoso, em 1875, Padre Silvério assumiu a administração da Diocese de Mariana como vigário capitular, conduzindo-a com sabedoria e dedicação até a nomeação do novo bispo. Nesse período, deu continuidade à obra de seu mestre e padrinho, destacando-se como firme defensor da abolição da escravidão. Denunciava em suas pregações os maus-tratos aos escravizados e incentivava os senhores a permitirem sua participação na vida religiosa, além de publicar artigos e cartas em apoio à causa abolicionista.

Homem de profunda sensibilidade pastoral, criou a chamada “Páscoa dos Presos”, quando levava o Santíssimo Sacramento em procissão até o cárcere, levando conforto espiritual e esperança aos detentos, gesto que refletia sua compaixão e zelo cristão.

Ainda como vigário capitular, escreveu a obra “Vida de Dom Viçoso”, primeira biografia do venerável bispo, na qual homenageou aquele que considerava seu grande mestre.

Com a eleição de Dom Antônio Correia de Sá e Benevides como Bispo de Mariana, em 1877, Pe. Silvério pretendia retornar ao Seminário e aos estudos, mas, reconhecendo sua competência e dedicação, o novo bispo o nomeou Vigário-Geral da Diocese, confiando-lhe novamente papel central na condução pastoral da Igreja de Mariana.

Como Vigário-Geral, ao lado de Dom Benevides, Monsenhor Silvério iniciou medidas para que o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos passasse à administração direta da Diocese, antes mantido pela Irmandade local.

Com o agravamento da saúde de Dom Benevides, que já não podia exercer plenamente suas funções, o próprio bispo solicitou à Santa Sé a nomeação de Mons. Silvério como seu bispo auxiliar. Reconhecido por suas virtudes e dedicação, foi nomeado em 1890 como bispo titular de Câmaco e auxiliar de Mariana, sendo sagrado em São Paulo por Dom Pedro Maria de Lacerda, tornando-se o primeiro bispo consagrado no Brasil após a Proclamação da República.

Dom Silvério entregou-se com vigor ao ministério episcopal, destacando-se pelas extensas visitas pastorais. A primeira, em 1891, percorreu longas distâncias por cidades como Ponte Nova, Ubá, Lima Duarte, Formiga, Lavras e São João del-Rei, em jornadas exaustivas, muitas vezes sem conforto, alimentação ou abrigo.

Durante as visitas, mantinha uma rotina exemplar: levantava-se às quatro e meia da manhã para oração e meditação, participava de todas as missas, celebrava a sua ao final da manhã e dedicava o meio-dia ao ensino do catecismo às crianças. À tarde, realizava crismas e atendimentos pastorais, encerrando o dia ouvindo os fiéis e oferecendo-lhes consolo espiritual. Sua vida simples e incansável tornou-se exemplo de fé, zelo e dedicação apostólica.

Entre 1895 e 1896, Dom Silvério manteve seu ritmo incansável de visitas pastorais, até que, em 16 de julho de 1896, enfrentou a perda de seu grande mentor e amigo, Dom Benevides, fato que comoveu profundamente o clero e os fiéis mineiros.

Pela experiência adquirida como vigário capitular, visitador delegado e bispo auxiliar, Dom Silvério foi naturalmente escolhido para sucedê-lo no governo da diocese. Recebeu a notícia de sua eleição episcopal durante uma visita pastoral e tomou posse em 9 de maio de 1897, realizando sua entrada solene na Sé de Mariana no dia 16 do mesmo mês, diante de grandes autoridades civis e eclesiásticas, entre elas o presidente de Minas Gerais, Dr. Bias Fortes.

Como bispo titular de Mariana, dedicou-se com zelo à conservação das igrejas matrizes e à melhoria das condições paroquiais. Criou as Associações das Damas do Coração de Jesus para auxiliar os párocos na preservação dos templos, ampliou o Seminário, destinando-lhe recursos próprios, e fundou um educandário na Zona da Mata. Também iniciou gestões para a criação de um novo bispado em Pouso Alegre, visando facilitar a assistência pastoral no sul de Minas.

Em 1906, ao completar 160 anos, a Diocese de Mariana era uma das maiores do país, com cerca de 3 milhões de fiéis, 300 paróquias e 500 sacerdotes. Nesse mesmo ano, por bula do Papa Pio X, foi elevada à categoria de Arquidiocese, tornando-se sede metropolitana das dioceses de Goiás, Diamantina e Pouso Alegre.

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