Silvio Santos OMC, nome artístico de Senor Abravanel (em hebraico: סניור אברבנאל; Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1930 – São Paulo, 17 de agosto de 2024), foi um apresentador de televisão, empresário, produtor, radialista e cantor brasileiro, conhecido como o "Rei da Televisão Brasileira", além de ser amplamente reconhecido como a maior referência na história da comunicação do país. Iniciou sua carreira de comunicador na rádio, posteriormente chegando à televisão, onde consagrou-se como uma figura central na cultura popular e entretenimento brasileiro por mais de seis décadas, conquistando o carinho do público e a expansão de seus negócios, através da fundação do Grupo Silvio Santos. Ao longo da sua vida, Silvio também esteve envolvido em outras áreas como a música e a política.
Nascido no bairro da Lapa, na região central da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil e sede do então Distrito Federal, era filho primogênito de um casal de imigrantes judeus sefarditas vindo em 1924 para o Brasil, Alberto Abravanel e Rebeca Caro. Trabalhando como camelô, vendedor e também na rádio, Silvio estreou na televisão no início da década de 1960 como apresentador do Vamos Brincar de Forca, exibido pela TV Paulista, que posteriormente tornou-se o Programa Silvio Santos, agrupamento de vários programas de auditório e quadros, de enorme sucesso no país. Mais tarde, tornou-se o proprietário do Grupo Silvio Santos, conglomerado que inclui entre suas empresas o Sistema Brasileiro de Televisão (popularmente conhecido por SBT), uma das maiores redes de televisão do Brasil, a Liderança Capitalização (administradora do título Tele Sena), a Jequiti e a TV Alphaville. Seu patrimônio líquido foi estimado em 1,3 bilhão de dólares em 2013, sendo a única celebridade brasileira na lista de bilionários da revista Forbes. Em 2025, as herdeiras de Silvio Santos revelaram que Silvio Santos deixou fortuna de 6,4 bilhões de reais.
Silvio nunca se aposentou oficialmente, porém afastou-se da televisão em 2022, quando, em setembro, fez sua última gravação como apresentador, exibida no ano seguinte. Em julho de 2024, foi internado com H1N1, tendo recebido alta dois dias depois. Contudo, morreu vítima de broncopneumonia em 17 de agosto de 2024, aos 93 anos, depois de ser internado novamente com a mesma doença. Silvio foi sepultado na manhã de domingo, 18 de agosto, no Cemitério Israelita do Butantã, na região Oeste da capital paulista. A cerimônia foi fechada ao público, restrita a amigos e parentes, atendendo a um pedido dele. O corpo foi sepultado pouco antes das nove horas e o enterro durou cerca de vinte minutos, desde a chegada do caixão.
Silvio deixou esposa, seis filhas, catorze netos e quatro bisnetos. Em seu primeiro casamento, com Maria Aparecida Vieira, teve suas duas primeiras filhas, Cintia (mãe do ator Tiago Abravanel) e Silvia. O casal esteve junto até 1977, quando Cidinha — como era popularmente conhecida — morreu em decorrência de um câncer. O comunicador casou-se pela segunda vez com Íris Abravanel em 1981, com quem permaneceu até o final da vida e teve outras quatro filhas, Daniela, Patrícia, Rebeca e Renata. Silvio recebeu diversos prêmios e homenagens, incluindo quase trinta troféus Imprensa, dezesseis troféus Internet e dez troféus Roquette Pinto, além de ser agraciado pela Ordem do Mérito das Comunicações e homenageado por blocos carnavalescos.
Senor Abravanel nasceu em 12 de dezembro de 1930, na Travessa Bemtevi, no bairro da Lapa, na região central da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil e sede do Distrito Federal. Filho primogênito de um casal de imigrantes vindo em 1924 para o Brasil: Alberto Abravanel (1897–1976), um imigrante judeu sefardita nascido na cidade de Tessalônica (hoje parte da Grécia), e Rebecca Caro (1907–1989) também judia de origem sefardita nascida na cidade de Esmirna (hoje parte da Turquia). Ambos os pais nasceram como súditos do Império Otomano. Silvio possuía outros cinco irmãos: Beatriz (a mais velha), Perla, Sara (Sarita), Leon (Léo) e Henrique (o mais novo). Seus pais estão sepultados no Cemitério Comunal Israelita do Caju, Rio de Janeiro.
A mãe de Senor é quem o chamava de "Silvio", porque era mais fácil de decorar. O sobrenome artístico surgiu quando foi participar do programa de calouros comandado pelo apresentador Jorge Curi e o produtor Mário Ramos, tendo dito momentos antes de entrar no ar: "que todos os santos me ajudem".
Educação e serviço no Exército Brasileiro
Senor e o irmão Léo frequentaram a Escola Primária Celestino da Silva, na rua do Lavradio, perto de onde moravam (rua Gomes Freire). Terminado o primário, estudaram na Escola Técnica de Comércio Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, onde Senor se formou técnico em contabilidade. O primeiro tipo de produto que começou a comercializar foi capa para título de eleitor (o Brasil entrava numa fase de redemocratização após a ditadura do Estado Novo). Sua voz começou a chamar a atenção e foi chamado para fazer um teste na Rádio Guanabara. Passou em primeiro lugar, mas preferiu voltar a trabalhar como camelô porquê faturava mais.
Em 1948, por causa do serviço militar obrigatório, serviu o Exército Brasileiro na Escola de Paraquedistas, no bairro de Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde se destacou com saltos considerados bons. Silvio Santos e Tony Tornado foram recrutas no mesmo período no Exército.
Década de 1950–1960: Início no rádio
Enquanto seguia no Exército, Silvio Santos voltou para o rádio. Como não atuava como paraquedista aos domingos, passou a trabalhar na Rádio Mauá nesse dia da semana, acompanhando o programa de Silveira Lima. Depois, transferiu-se para a Rádio Tupi. Nessa época, chegou a fazer algumas figurações para a TV Tupi. Também trabalhou na Rádio Continental, de Niterói.
Por trabalhar em Niterói, Silvio era usuário do serviço de barcas do Rio de Janeiro. Ao perceber que podia colocar um sistema de música para animar as viagens, apostou nesse novo tipo de serviço e pediu demissão da Continental. Conseguiu a aparelhagem e criou um serviço que trazia música e propagandas. O sucesso foi tanto que as barcas passaram a ter um bar e um bingo, onde o consumidor comprava um refrigerante e ganhava uma cartela para concorrer a prêmios como jarras e quadros.
Com o êxito no sistema de barcas, Silvio passou a ser o principal cliente da Antarctica na venda de refrigerantes e cervejas. Logo, passou a ser amigo de um dos diretores da empresa. Quando a barca ficou em reparos, Silvio foi convidado a ir para São Paulo. Conseguiu uma vaga na Rádio Nacional de São Paulo e continuou a carreira de empresário, criando uma revista chamada Brincadeiras para Você. Criou também uma caravana para se apresentar aos sábados e domingos em circos e clubes ao lado de outros artistas, que acabou ganhando o nome de "Caravana do Peru que Fala" devido ao apelido dado pelo amigo Manuel de Nóbrega, que fazia brincadeiras com Silvio em seu programa no rádio, deixando-o vermelho. Em 1958, Silvio participou de alguns "teledramas" na TV Paulista.
Em 1958, Manuel de Nóbrega administrava junto com um alemão o Baú da Felicidade, que vendia brinquedos a prazo. O radialista contribuía com anúncios na Rádio Nacional, enquanto o sócio tocava a empresa. Entretanto, ele passou a ter dificuldades com a companhia, que não conseguia entregar os baús de brinquedos. Manuel havia sido traído pelo sócio alemão que ficou com o dinheiro.
Silvio assumiu a empresa, atendendo a um pedido de Manuel. Ao conhecer a sede, descobriu que o Baú da Felicidade funcionava numa espécie de "porão" na rua Líbero Badaró. Silvio pediu ao alemão para que fosse embora, e pediu para que Manuel de Nóbrega continuasse a fazer os anúncios na Rádio Nacional.
O negócio passou a crescer sob o comando de Silvio Santos, que mudou a sede da empresa além de conseguir uma parceria com a Estrela na fabricação de 40 mil bonecas. Manuel de Nóbrega deixou a empresa sem jamais ter conhecido a sede (ele mesmo não se considerava um homem de negócios), fazendo com que Silvio assumisse o controle da companhia. O Baú passou a ser base dos programas que Silvio viria a apresentar na televisão. Dessa forma, Silvio manteve o sistema de crediário, mas criou lojas em que as pessoas poderiam trocar os carnês quitados por brinquedos ou eletrodomésticos.