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Silvio Tendler

Silvio Tendler ORB (Rio de Janeiro, 12 de março de 1950 – Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2025) foi um cineasta, docume

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Silvio Tendler ORB (Rio de Janeiro, 12 de março de 1950 – Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2025) foi um cineasta, documentarista, historiador e professor brasileiro. Irmão do artista plástico Sidnei Tendler, ficou conhecido como "o cineasta dos vencidos" ou "o cineasta dos sonhos interrompidos" por retratar em sua obra figuras da história brasileira cujos projetos políticos foram interrompidos, como João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Marighella. Com mais de 70 filmes e diversas séries em sua filmografia, é um dos documentaristas de maior público do cinema brasileiro. É um dos documentaristas de maior público do cinema nacional, sendo o diretor de três das maiores bilheterias do gênero no país: O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981), Jango (1984) e Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980).

A trajetória de Tendler começou no movimento cineclubista do Rio de Janeiro em meados da década de 1960. Em 1968, tornou-se presidente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro e realizou seu primeiro documentário, sobre a Revolta da Chibata, após conhecer pessoalmente o marinheiro João Cândido. Devido à repressão da ditadura militar, os negativos originais do filme foram destruídos.

Após uma breve passagem pelo curso de Direito na PUC-Rio e enfrentar um Inquérito Policial Militar por sua militância política, Tendler mudou-se para o Chile em 1970, entusiasmado com a vitória de Salvador Allende. Lá, trabalhou em projetos culturais do governo. Em 1972, mudou-se para a França para aprofundar seus estudos, onde se tornou parte de um círculo de documentaristas influentes. Ligado a nomes como Chris Marker e Jean Rouch, integrou o coletivo que realizou o filme La Spirale (1975), uma análise do golpe de Estado no Chile. Em Paris, formou-se em História pela Universidade Paris VII, onde trabalhou com o historiador Pierre Vidal-Naquet, e concluiu seu mestrado no seminário "Cinema e História", de Marc Ferro, com uma tese sobre Joris Ivens.

Ao retornar ao Brasil em 1976, Tendler começou a produzir seus filmes mais icônicos. Em plena transição da ditadura militar para a democracia, seus documentários resgataram a memória de um Brasil democrático e desenvolvimentista. Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980), com 800 mil espectadores, e Jango (1984), com 1 milhão, não apenas foram sucessos de bilheteria, mas também cumpriram um papel político crucial ao contrapor o otimismo da era pré-1964 à sisudez do regime militar. Anos mais tarde, ele completaria o que chamou de "Trilogia Presidencial" com Tancredo: A Travessia (2011).

Em 1981, fundou a Caliban Produções Cinematográficas, que se tornou referência no cinema documental historiográfico. No mesmo ano, dirigiu o sucesso de bilheteria O Mundo Mágico dos Trapalhões.

Fiel a uma perspectiva de esquerda, Tendler desenvolveu um estilo de "documentarista autor", em que seus filmes eram construídos em torno de suas convicções e interpretações da história. Sua obra abrangeu figuras como Josué de Castro, Milton Santos e Carlos Marighella. Um de seus projetos mais ambiciosos, Utopia e Barbárie (2009), levou quase 20 anos para ser concluído e apresenta um afresco da segunda metade do século XX com depoimentos de intelectuais como Augusto Boal e Susan Sontag.

Entre 2011 e 2014, dirigiu a Trilogia da Terra, uma série de documentários que abordam a questão agrária e os perigos dos agrotóxicos.

Atuação acadêmica e institucional

Paralelamente à sua carreira no cinema, Silvio Tendler teve uma intensa atuação acadêmica e institucional. Desde 1979, foi professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Foi presidente da Associação Brasileira de Cineastas e membro fundador de importantes entidades, como a Fundação do Novo Cinema Latino-Americano.

Paralelamente à carreira de cineasta, foi professor no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio desde o final dos anos 1970. Teve também forte atuação política e institucional, tendo sido Secretário de Cultura e Esporte do Distrito Federal sob o governo Cristovam Buarque e coordenador de audiovisual na UNESCO na década de 1990.

Por mais de uma década, Silvio Tendler enfrentou as complicações de uma neuropatia diabética. Em 2011, a doença o deixou tetraplégico, mas após um longo processo de recuperação, ele retomou os movimentos e a capacidade de filmar. Esse período de sua vida foi registrado no documentário A Arte do Renascimento (2015), de Noilton Nunes.

Silvio Tendler morreu em 5 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro, aos 75 anos, em decorrência de uma infecção generalizada. Deixou a mulher, Fabiana Versasi, e a filha, Ana Rosa Tendler.

La Spirale (1975) - como assistente de direção de Chris Marker - sobre os eventos que ocorreram no Chile, desde de a eleição de Salvador Allende, até o Golpe Militar.

Os Anos JK - Uma Trajetória Política (1980)

Festival de Gramado (1980): Prêmio Especial do Júri, Melhor Montagem

Troféu Margarida de Prata – C.N.B.B. (1980)

Melhor Montagem – Associação Paulista dos Críticos de Arte (1981)

Prêmio São Saruê – F.C.C.R.J. (1981)

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