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Simão Fidati

Frade e escritor italiano

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Simão Fidati, O.E.S.A. (Cássia, c. 1295 – Florença, 2 de fevereiro de 1348), conhecido também como Simão de Cássia, foi um presbítero italiano, pertencente à Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. Promotor de uma teologia afetiva, baseada na espiritualidade agostiniana e oposto ao método escolástico, ele é considerado o precursor da Devotio Moderna. Ele foi beatificado em 1833 pelo Papa Gregório XVI e sua memória é celebrada no dia 16 de fevereiro.

A vida de Simão é conhecida por meio de um escrito composto por seu discípulo, Giovanni da Salerno, logo após sua morte.

Ele nasceu entre 1280 e 1295 em Cássia (Úmbria), provavelmente na família Fidati. Tendo iniciado os estudos seculares, conheceu Angelo Clareno, líder dos Franciscanos Espirituais, que o convenceu a dedicar-se às ciências sagradas. Simão então entrou para o convento agostiniano em sua cidade natal.

Após sua ordenação, aprofundou seus conhecimentos nas Sagradas Escrituras e na teologia, sem nunca aceitar qualquer título acadêmico. Ele se preparou assim para a pregação e direção espiritual, que constituíram a maior parte de suas atividades durante vinte e sete anos, em Perúgia, Siena, Florença, Bolonha, Pisa e Roma. A companhia deste homem sedento de solidão e meditação era procurada tanto por clérigos como por leigos, em particular artistas (Taddeo Gaddi, aluno de Giotto) e políticos (Tommaso Corsini).

Por volta de 1333, ele fundou duas comunidades femininas: uma para meninas e outra para mulheres arrependidas (convertidas), em Florença. Em Cássia, ele também fundou uma associação de leigos piedosos, os "Amigos do Bom Jesus", que mais tarde Santa Rita de Cássia viria a conhecer antes de se tornar uma freira agostiniana. Ele morreu em Florença, vítima da grande peste, em 2 de fevereiro de 1348. Suas relíquias repousam na Basílica de Santa Rita, em Cássia. Em 1833, foi beatificado pelo Papa Gregório XVI.

O milagre eucarístico de Cássia ocorreu em 1330, em Siena. Naquele ano, um padre, chamado para ajudar um camponês moribundo, colocou a hóstia consagrada numa das páginas de seu breviário. Depois de ouvir a confissão do doente, ele abriu o livro e viu que a hóstia estava escorrendo sangue e grudada no papel. O padre disse que retornaria mais tarde e foi falar com o irmão Simão Fidati, que estava pregando na cidade.

Simão tomando conhecimento do caso, trouxe consigo duas páginas ensanguentados com a hóstia liquefeita, com o consentimento do padre e passou a pregar sobre a presença transubstanciada de Jesus na Eucaristia. Ao retornar à Úmbria, ele deixou uma parte da página ensanguentada no convento de Perúgia e levou outra página, aquela com a hóstia estava liquefeita em sangue, para seu convento de Cássia. Desde então, começou a veneração pública do milagre, que está exposto na Basílica de Santa Rita de Cássia, junto ao túmulo do Beato Simão.

Além de uma copiosa coleção de cartas (Epistolario) nas quais sua doutrina é condensada, Simão Fidati deixou duas obras notáveis: De gestis Domini Salvatoris, um comentário completo sobre os Evangelhos, escrito em 1328, e L'ordine della vita christiana, um guia de espiritualidade ascético, destinado a almas simples, iniciado por volta de 1333.

Sua obra foi continuada por Giovanni da Salerno, e seu pensamento difundido por seus irmãos agostinianos, o que explica a influência que sua espiritualidade pôde exercer, algumas décadas depois, no caminho místico de Santa Rita de Cássia. Simão aparece assim como a personalidade mais importante da escola agostiniana do século XIV, ainda que a sua amizade com Angelo Clareno e a originalidade da sua teologia o pudessem tornar suspeito aos olhos dos críticos, alguns até suspeitando que fosse um precursor de Lutero. Na realidade, por meio de suas escolhas metodológicas e temáticas, ele anuncia a Devotio Moderna, um amplo movimento de espiritualidade que se desenvolveria nos círculos agostinianos da Holanda, no final do século XIV.

Cristocentrismo, anti-intelectualismo, recolhimento na interioridade, meditação na Escritura e recurso aos Padres da Igreja: essas características da Devotio moderna já estão claramente expressas na obra teológica de Simão Fidati.

Antes de atingir a inteligência, ele quer tocar o coração de seus leitores. Ele, portanto, rejeita o método escolástico, para seguir a linha afetiva traçada pelo agostinianismo medieval. A espiritualidade torna-se assim a base de um ensinamento em que a inteligência do coração prevalece sobre o raciocínio abstrato, ainda que esta exaltação da graça e da vontade seja temperada por uma sábia moderação: para o autor, uma penitência que comprometesse a saúde seria um pecado. O que realmente importa é a humildade, a abnegação, a obediência ao Pai, porque a essência da vida cristã consiste em deixar-se transformar por Deus, imitando Cristo-homem, o Servo Sofredor. É por isso que Simão afirma que é absolutamente necessário tornar-nos semelhantes em alma e corpo a Cristo, como Ele se fez semelhante a nós, se quisermos ser coroados com Ele.

Associada a uma espiritualidade da Cruz, esta christiformitas será encontrada na mística de Santa Rita, bem como no discurso ascético de A Imitação de Cristo, obra clássica da Devotio Moderna. Ela interpreta o ideal da sequela Christi como um desprezo pelo benefício das virtudes passivas, mas também como uma fuga do mundo, em referência às origens eremíticas da ordem agostiniana: em última análise, aos olhos de Simão, o deserto é sempre, para o discípulo, espaço onde necessariamente se realiza a escolha radical e o encontro decisivo com Deus.

Sua obra mais importante é De gestis Domini Salvatoris, que ele iniciou em 6 de setembro de 1338 em Roma e à qual dedicou os últimos anos da sua vida. Após sua morte, a obra foi popularizada e adaptada por Giovanni da Salerno. É uma exposição muito detalhada da vida e dos ensinamentos de Cristo, considerado como corpo místico e arquétipo da perfeição. Simão Fidati se recusa a tomar Aristóteles e Platão como guias e toma Cristo como seu único modelo. Com a Encarnação, "a eternidade desceu ao tempo, a imensidão à medida, o infigurável à figura, a saciedade à fome, a fonte à sede".

Lista de santos e beatos católicos

Bellini, P. (1990). Dictionnaire de spiritualité ascétique et mystique. Simon Fidati de Cascia (em francês). XIV. Paris: Beauchesne. pp. 873–876

Chiron, Y. (2001). La véritable histoire de sainte Rita (em francês). [S.l.]: Librairie Perrin. p. 93-95

Menestò, Enrico (1997). Simone Fidati. Dizionario Biografico degli Italiani (em italiano). 47. [S.l.: s.n.]

Fidati, Simone (1733). Gesta Salvatoris Domini Nostri Jesu Christi seu Comentaria Super IV (PDF). Ratisbona: Evangelista

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