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Simeão I da Bulgária

Simeão I, o Grande (em búlgaro: Симеон I Велики; romaniz.: Simeon I Veliki), também chamado de Simão, governou a Bulgári

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Simeão I, o Grande (em búlgaro: Симеон I Велики; romaniz.: Simeon I Veliki), também chamado de Simão, governou a Bulgária entre 893 e 927. Suas campanhas vitoriosas contra os bizantinos, magiares e sérvios levaram seu país à maior expansão territorial de sua história e fizeram dele o mais poderoso país da Europa Oriental na época. Seu reinado foi também um período de inigualável prosperidade cultural e que foi considerado posteriormente como uma era de ouro da cultura búlgara.

Durante o governo de Simeão, o território búlgaro se estendia entre os mares Egeu, Adriático e Negro e sua nova capital, Preslava, rivalizava com Constantinopla. A recém-fundada e independente Igreja Ortodoxa Búlgara se tornou o primeiro patriarcado fora da Pentarquia e as traduções glagolíticas búlgaras de textos cristãos se espalharam por entre os povos eslavos da época. Na segunda metade de seu reinado, Simeão assumiu o título de "imperador" (czar). Até então, ele se intitulava "príncipe" (knyaz).

Simeão nasceu em 864 ou 865 e era o terceiro filho do príncipe Bóris I da dinastia de Crum. Devido a seu pai ter cristianizado a Bulgária em 865, Simeão nasceu e permaneceu cristão por toda a vida. Tendo nomeado o seu filho mais velho, Vladimir, como seu herdeiro aparente ao trono búlgaro, Bóris queria que Simeão se tornasse um clérigo de alta patente, talvez o arcebispo da Bulgária, e, com este objetivo, enviou-o aos treze anos à Universidade de Constantinopla para que recebesse uma educação teológica. Ele adotou o nome de Simeão durante seu noviciado num mosteiro na capital imperial. Na década seguinte (c. 878–888), ele recebeu uma excelente educação e estudou a retórica de Demóstenes e Aristóteles. Ele também aprendeu a falar fluentemente o grego a ponto de ser chamado de "o meio-grego" nas crônicas bizantinas. Especula-se se ele teria sido tutorado pelo patriarca Fócio, algo que não é possível de ser comprovado em nenhuma fonte conhecida.

Por volta de 888, Simeão retornou à Bulgária e se assentou no recém-fundado mosteiro real de Preslava "na foz do Ticha", onde, sob a supervisão de Naum de Preslava, ele se dedicou à tradução de importantes obras religiosas do grego ao antigo eslavônico eclesiástico (búlgaro antigo) juntamente com outros estudantes de Constantinopla. Enquanto isso, Vladimir ascendeu ao trono depois que Bóris se retirou para um mosteiro. Ele tentou reintroduzir o tengriismo no império e provavelmente firmou um pacto contra os bizantinos com Arnulfo da Caríntia, forçando Bóris a sair de seu retiro. Simeão recebeu o trono depois que Bóris depôs Vladimir e ordenou que ele fosse preso e cegado. Sua ascensão foi confirmada numa assembleia em Preslava que também proclamou o búlgaro como a única língua oficial do estado e da Igreja. e mudou a capital de Plisca para Preslava para consolidar a conversão do país ao cristianismo. Não se sabe por que Bóris não colocou seu segundo filho, Gabriel (Gavril), no trono em vez de Simeão.

Guerra comercial contra o Império Bizantino e as invasões magiares

Com Simeão no trono, a longa paz com os bizantinos firmada por seu pai estava prestes a acabar. Um conflito irrompeu quando o imperador Leão VI, o Sábio, supostamente agindo sob pressão de sua amante Zoé Zautsina e do pai dela, Estiliano Zautzes, mudou o mercado aos bens búlgaros de Constantinopla para Salonica, onde os comerciantes búlgaros eram obrigados a pagar pesados impostos. Eles procuraram a ajuda de Simeão, que reclamou com Leão e foi completamente ignorado.

No outono de 894, Simeão invadiu o Império Bizantino a partir do norte e encontrou pouca resistência pois as tropas bizantinas estava concentradas na Anatólia oriental para conter as invasões árabes. Informado da ofensiva búlgara, o surpreso Leão enviou um exército composto de guardas e outras unidades militares que conseguiu juntar na capital para conter Simeão, mas foi completamente destruído em algum lugar do Tema da Macedônia. Os búlgaros prenderam a maior parte dos guardas, que eram mercenários cazares, e assassinaram muitos arcontes, incluindo o general. Porém, Simeão teve que recuar apressadamente para enfrentar uma invasão dos magiares no norte da Bulgária. Estes eventos foram posteriormente chamados de "a primeira guerra comercial na Europa medieval" por historiadores búlgaros.

Incapaz de responder de forma efetiva à campanha búlgara por causa do posicionamento de suas tropas, os bizantinos convenceram os magiares a atacarem a Bulgária prometendo-lhes a ajuda da marinha bizantina na travessia do Danúbio. Leão VI pode também ter firmado um acordo com Arnulfo para assegurar que os francos não apoiariam Simeão contra os magiares. Além disso, o talentoso general Nicéforo Focas foi chamado de volta do sul da Itália para liderar um outro exército em 895 cuja intenção era apenas impressionar os búlgaros. Simeão, sem saber da ameaça ao norte, foi ao encontro das forças de Focas, mas os dois exércitos não chegaram a se enfrentar. Em vez disso, os bizantinos ofereceram a paz, informando Simeão sobre os ataques por terra e por mar bizantinos, mas deixando de fora propositalmente o planejado ataque magiar. Simeão, desconfiado, prendeu o emissário bizantino e ordenou que a rota utilizada pela marinha bizantina para chegar ao Danúbio fosse bloqueada com cordas e correntes até que ele pudesse lidar com as forças de Nicéforo Focas.

Apesar dos problemas provocados por este bloqueio, os bizantinos conseguiram ajudar os magiares, liderados pelo filho de Arpades, Liuntica, em sua travessia do Danúbio, provavelmente em algum lugar perto da moderna cidade de Galaţi, e os ajudaram a pilhar as terras búlgaras. Ao saber da invasão, Simeão marchou ao norte deixando algumas tropas no sul para prevenir um possível ataque de Focas. Os dois encontros de Simeão com o inimigo em Dobruja Setentrional resultaram em vitórias magiares e ele foi forçado a recuar para Drastar. Depois de pilhar a maior parte da Bulgária e chegar às portas de Preslava, os magiares voltaram para casa, mas não antes de Simeão ter concluído um armistício com Bizâncio no verão de 895. A paz ainda teria que esperar, pois Leão VI queria que os prisioneiros bizantinos da guerra comercial fossem soltos.

Campanha contra os magiares e novas guerras contra os bizantinos

Tendo lidado com a pressão dos magiares e dos bizantinos, Simeão estava agora livre para planejar uma campanha retaliatória contra os magiares. Ele negociou a criação de uma força conjunta com os vizinhos orientais dos magiares, os pechenegues, e aprisionaram o enviado bizantino Leão Querosfactes (Choerosfactes) para atrasar a soltura dos prisioneiros até depois da campanha, o que lhe permitiria negociar a paz em condições melhores. Em uma troca de correspondência com o enviado, Simeão se recusou a soltar os prisioneiros e ridicularizou as habilidades astrológicas de Leão VI

Utilizando-se da invasão magiar às terras eslavas vizinhas em 896 como casus belli, Simeão finalmente marchou contra os magiares juntamente com seus novos aliados pechenegues em 896, derrotando-os completamente na Batalha do Buh Meridional. Os magiares foram forçados a abandonar Etelköz para sempre e se mudaram à Panônia. Depois desta vitória, Simeão finalmente soltou os prisioneiros bizantinos em troca dos búlgaros capturados em 895.

Alegando que nem todos os prisioneiros haviam sido soltos Simeão invadiu novamente o Império Bizantino no verão de 896 e marchou diretamente para Constantinopla. Na Trácia bizantina, Simeão teve que enfrentar um exército bizantino juntado às pressas que aniquilou na Batalha de Bulgarófigo (perto da moderna Babaeski, na Turquia) Numa medida desesperada, Leão VI armou prisioneiros árabes e os enviou para lutar contra os búlgaros e conseguiu assim levantar o cerco à capital A guerra terminou com um tratado de paz que perduraria até a morte de Leão VI em 912 cujos termos obrigavam Bizâncio a pagar um tributo anual aos búlgaros. O tratado também obrigava os bizantinos a cederem a área entre o mar Negro e Istranca ao Império Búlgaro. Neste período, Simeão também conseguiu impor sua autoridade sobre a Sérvia e, em troca, reconheceu o Pedro da Sérvia como príncipe.

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