Sismo de Valdivia de 1960, ou Grande Sismo do Chile (designado oficialmente Grande Terremoto de Valdivia de 1960), foi um sismo de magnitude de 9,5 MW com epicentro próximo a Lumaco, província de Malleco, Região de Araucanía, ocorrido às 19h11 UTC (15h11 no horário local) do dia 22 de maio de 1960. O epicentro foi 160km de Valdivia e a 570 km ao sul de Santiago com o hipocentro situado a uma profundidade de 33 km, sendo o mais violento sismo já registrado cientificamente. O sismo atingiu o grau 9 da escala Richter — uma magnitude considerada "Excepcional" — e uma intensidade XII na escala de Mercalli, o último grau da escala que corresponde à 'destruição total da paisagem' (Cataclismo).
O sismo foi sentido em diferentes partes da Terra e produziu um tsunami que afetou diversas localidades ao largo do Oceano Pacífico, como Havaí e Japão e a erupção do vulcão Puyehue. Cerca de 5 700 pessoas perderam a vida e mais de 2 milhões ficaram feridas por causa desta catástrofe. Tsunamis produzidos pelo tremor causaram 62 mortes no Havaí e 31 nas Filipinas nas horas seguintes, e réplicas do primeiro abalo puderam ser sentidas por mais de um ano. Os estragos chegaram a ameaçar seriamente a realização da Copa do Mundo FIFA de 1962, já programada para ocorrer no país.
O número de vítimas e os prejuízos deste desastre nunca foram conhecidos com precisão. Diversas estimativas quanto ao número total de mortes diretamente associadas ao sismo e tsunamis foram publicadas, com a USGS a citar estudos e números de 2 231, 3 000, ou 5 700 mortes, enquanto outras fontes usam estimativas de 6 000 mortes. Várias fontes estimam o custo monetário entre 400 milhões e 800 milhões de dólares norte-americanos (equivalentes a 2,9 e 5,8 bilhões de dólares aos custos de 2010, corrigidos pelo efeito da inflação).
Os terremotos chilenos de 1960 foram uma sequência de fortes terremotos que afetaram o Chile entre 21 de maio e 6 de junho do mesmo ano. O primeiro foi o terremoto de Concepción, que alcançou uma magnitude de 8,1MW, seguido pelo mais forte o terremoto de Valdivia.
Às 06h02 de 21 de maio de 1960, um forte terremoto sacudiu grande parte do Chile. 12 epicentros foram registrados na costa da península de Arauco, atual região de Biobio. O movimento teve uma magnitude de 7,3 -7,5Ms e alcançou a intensidade máxima de X na escala de Mercalli, atingindo todo centro-sul do país afetando principalmente as cidades de Concepción, Talcahuano, Lebu, Chillán, Los Ángeles e Angol, e foi sentido em Norte Chico e na província de Llanquihue. O primeiro tremor causou graves danos a vários edifícios e obras rodoviárias. Os segundo e terceiro tremores ocorreram no dia seguinte às 06h32 e às 14h55; semelhantes ao anterior, agitou e derrubou edifícios que já estavam danificados pelo primeiro evento. No entanto, não houve mortes já que grande parte da população tinha evacuado de suas casas por medo de deslizamentos de terra. As telecomunicações para o sul do país foram cortadas e o presidente Jorge Alessandri cancelou a tradicional cerimônia de comemoração da Batalha de Iquique para supervisionar os esforços das assistências de emergência. O terremoto efetivamente interrompeu e terminou a marcha dos mineiros de carvão de Lota em Concepción, onde exigiam salários mais altos.
O terremoto de Valdivia ocorreu às 15h11 em 22 de maio, ele começou com uma ruptura tectônica de proporções nunca antes registrada na história da humanidade. O epicentro deste grande terremoto começou na área perto de Temuco e gradualmente expandiu para o sul em uma sucessão de quebras epicentrais ao longo da costa sul do Chile. O evento maciço quebrou toda a zona de subducção entre a península de Arauco (Bío-Bío) e da península de Taitao (Aysén). Finalmente, chegou a 9,5 MW e durou cerca de 10 minutos, principalmente devido à grande dispersão geográfica de quase 1 000 km de norte a sul. Estudos subsequentes argumentam que, na realidade, foi uma sucessão de 37 ou mais terremotos cujos epicentros cobriu uma área total de 1 350 km. Em suma, o cataclismo devastou todo o território chileno entre Talca e Ilha de Chiloé, que equivale mais de 400 000 quilômetros quadrados.
A área mais afetada foi Valdivia e seus arredores. Nesta cidade do sismo atingiu uma intensidade entre XI e XII na graus na escala Mercalli. Grande parte dos edifícios desabou imediatamente, enquanto o Rio Calle-Calle inundou as ruas do centro da cidade. Os sistemas de eletricidade e água foram totalmente destruídos. Testemunhas relataram liquefação do solo. Apesar das fortes chuvas de 21 de maio, a cidade estava sem água. O rio ficou marrom com sedimentos de deslizamentos de terra e estava cheio de detritos flutuantes, incluindo casas inteiras. A falta de água potável tornou-se um problema sério em uma das regiões mais chuvosas do Chile.
Um tsunami provocado pela ruptura tectônica foi devastador, afetando a costa chilena entre Concepción e Chiloé. Aldeias costeiras, como Toltén, foram atingidas. Em Corral, principal porto de Valdivia, o nível da água subiu 4 metros antes de recuar (às 16h10), arrastando barcos localizados na Baía —principalmente os navios Santiago, San Carlos e Canelos—. Às 16h20, uma onda de 8 metros de altura atingiu a costa entre Concepción e Chiloé a mais de 150 Km/h, matando centenas de pessoas de várias localidades. Dez minutos depois o mar recuou, arrastando ruínas de cidades costeiras, uma outra onda de 10 metros foi relatada dez minutos depois. Vários navios foram completamente destruídos, com excepção Canelos, que encalhou depois de ser arrastado por mais de 1,5 km para o interior de Valdivia.
Dois dias após o terremoto, o vulcão Cordón Caulle, que se localiza perto do vulcão Puyehue, entrou em erupção. Outros vulcões também podem ter entrado em erupção, mas nenhum foi registrado devido à pouca comunicação no Chile na época. O número relativamente baixo de mortos no Chile (5 700) é explicado em parte pela baixa densidade populacional na região.
O sismo foi um megassismo resultante da liberação da tensão mecânica entre a subducção da Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. O hipocentro foi relativamente superficial, a uma profundidade de 33 km, considerando que terremotos no norte do Chile e na Argentina podem atingir profundidades de 70 km. As zonas de subducção são conhecidas por produzir os mais fortes terremotos na Terra, já que sua estrutura particular permite que mais tensão se acumule antes que a energia seja liberada. Os geofísicos consideram que é uma questão de tempo antes que este terremoto seja superado em magnitude por outro. A zona de ruptura do terremoto tinha 800 km de comprimento, estendendo-se de Arauco (37 ° S) para o Arquipélago de Chiloé (43 ° S). A velocidade de ruptura, a velocidade à qual uma frente de ruptura se expande através da superfície da falha, foi estimada à 3,5 km por segundo.
Desastres naturais desencadeados
O terremoto provocou inúmeros deslizamentos de terra, principalmente nos íngremes vales glaciais do sul dos Andes. Nos Andes, a maioria dos deslizamentos ocorreram nas encostas de montanhas cobertas por florestas em torno da Falha Liquiñe-Ofqui. Estes deslizamentos de terra não causaram muitas fatalidades nem perdas econômicas significativas porque a maioria das áreas estavam desabitadas, com apenas algumas estradas.
Um deslizamento de terra causou destruição e alerta após o bloqueio do Lago Riñihue. Aproximadamente 100 quilômetros ao sul do lago, os deslizamentos nas montanhas em torno do rio de Golgol causaram um bloqueio que fez o rio represar muita água; algum tempo depois a "represa" estourou e criou uma inundação que desceu em direção ao lago de Puyehue. Os deslizamentos em torno do rio de Golgol destruíram parte da Ruta CH-215, que se conecta a Bariloche, na Argentina, através do Passo Cardenal Antonio Samoré.
Após os eventos ocorridos em Valdivia, uma onda cruzou o Oceano Pacífico. Quase 15 horas depois, um tsunami de 10 metros de altura atingiu a cidade de Hilo no Havaí, mais de 10 000 km de distância do epicentro, matando 61 pessoas. Eventos semelhantes foram registrados no Japão, Filipinas, Ilha de Páscoa, no oeste dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Samoa e Ilhas Marquesas.