Neste Dia

Sofia da Prússia

Princesa da Prússia e Rainha Consorte da Grécia(1913-1917), mais tarde,(1920-1922).

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Sofia Doroteia Ulrica Alice da Prússia (em alemão: Sophie Dorothea Ulrike Alice von Preußen; Potsdam, 14 de junho de 1870 – Frankfurt, 13 de janeiro de 1932) foi a esposa do rei Constantino I e rainha consorte do Reino da Grécia de 1913 a 1917 e depois entre 1920 e 1922. Era a filha do imperador Frederico III da Alemanha e de Vitória, Princesa Real do Reino Unido.

Sofia nasceu a 14 de junho de 1870 no Novo Palácio de Potsdam, na Prússia. Era filha do então príncipe-herdeiro Frederico Guilherme da Prússia (que se tornaria mais tarde imperador da Alemanha), e da sua esposa, Vitória, Princesa Real, filha mais velha da rainha Vitória do Reino Unido e do seu marido, o príncipe Alberto. Foi baptizada no mês seguinte numa cerimónia na qual todos os homens estavam vestidos de uniforme, uma vez que a Prússia tinha declarado guerra à França pouco tempo antes. A sua mãe descreveu o acontecimento da seguinte forma à rainha Vitória: "O baptizado correu bem, mas foi triste e sério. Rostos ansiosos e olhos chorosos, e uma melancolia e prenúncio de toda a miséria que nos aguarda ensombraram a cerimónia que deveria ser de alegria e agradecimento".

Sofia era chamada de "Sossy" quando era criança (é provável que este nome tenha sido escolhido porque rimava com "Mossy", a alcunha da sua irmã mais nova, a princesa Margarida). Sofia era também irmã do kaiser Guilherme II da Alemanha, das princesas Carlota e Vitória da Prússia e dos príncipes Henrique, Valdemar e Segismundo da Prússia.

Os filhos do príncipe-herdeiro acabariam por juntar-se de acordo com a sua idade: Guilherme, Carlota e Henrique eram os preferidos dos seus avós paternos enquanto Sofia, Margarida e Vitória eram praticamente ignoradas por eles. Dois dos seus irmãos mais velhos, Segismundo e Valdemar, morreram novos (Segismundo morreu antes de ela nascer e Valdemar morreu aos onze anos de idade, quando Sofia tinha oito), o que fez com que Vitória e as suas três filhas mais novas se aproximassem ainda mais. A princesa-herdeira chamava-as "as minhas três doces meninas" e "o meu trio". Vitória acreditava que tudo o que fosse inglês era superior, por isso modelou a infância dos seus filhos seguindo o modelo da sua. Sofia foi criada sentindo um grande amor por Inglaterra e por tudo relacionado com o país. Fazia também visitas frequentes à sua avó, a rainha Vitória, de quem gostava muito. A princesa passava longos períodos de tempo em Inglaterra e, uma vez que durante a infância quase não conviveu com os seus avós paternos, a sua educação foi maioritariamente influenciada pelos seus pais e pela rainha Vitória.

Quando era criança, Sofia passava grande parte do seu tempo entre as duas residências principais dos pais: o Kronprinzenpalais em Berlim e o Novo Palácio em Potsdam.

Após uma longa estadia em Inglaterra para celebrar o Jubileu de Ouro da sua avó, Sofia conheceu melhor o príncipe-herdeiro Constantino da Grécia ("Tino") no verão de 1887. A rainha observava a sua relação cada vez mais próxima e escreveu: "Haverá alguma hipótese de a Sofia se casar com o Tino? Seria muito agradável para ela e para ele é excelente". No entanto, este período coincidiu com uma época infeliz para a família de Sofia, uma vez que o seu pai, o imperador Frederico III, estava a morrer de forma agonizante devido a um câncer na laringe. A sua esposa e filhos estavam sempre presentes no seu quarto no Novo Palácio, e foi no dia do aniversário de Sofia que o estado do imperador piorou de forma irreversível. Nesse dia, o pai de Sofia tinha planeado fazer um piquenique com a família para celebrar a ocasião, mas, depois de uma madrugada muito complicada, às sete da manhã, um dos criados pegou no ramo de flores que Frederico tinha encomendado para a filha e colocou-o ao seu lado na cama. O imperador morreu no dia seguinte. O irmão mais velho de Sofia, agora imperador da Alemanha, não demorou a explorar as coisas do pai, na esperança de encontrar "provas incriminatórias" de "conspirações liberais". Sabendo que as suas três filhas mais novas dependiam mais dela para encontrar apoio moral, a imperatriz-viúva dedicou-se mais a elas. "Tenho as minhas três doces meninas - de quem ele gostava tanto - e que são a minha consolação".

Casamento e controvérsia com a família

Durante este período triste, Sofia aceitou o pedido de casamento do príncipe-herdeiro Constantino, algo visto como um desenvolvimento pouco surpreendente tendo em conta a atmosfera fúnebre que prevalecia em casa da sua mãe viúva. A 27 de outubro de 1889, Sofia casou-se com Tino em Atenas, na Grécia. Os dois eram primos em terceiro grau através do czar Paulo I da Rússia e primos em segundo grau através do rei Frederico Guilherme III da Prússia. Havia uma antiga profecia grega que dizia que quando Constantino e Sofia reinassem, a Grécia voltaria a ser grande e a cidade de Constantinopla caíra nas suas mãos. Segundo a avó de Sofia, a rainha Vitória, 'Tino', "não é muito inteligente, mas tem um bom coração e um bom carácter (...) e isso vale muito mais do ser esperto."

Este casamento levou a vários conflitos de ordem religiosa em ambas as famílias, causados principalmente pela cunhada de Sofia, a imperatriz Augusta Vitória, conhecida na família por Dona, e pelo marido dela e irmão de Sofia, o kaiser Guilherme II, assim como pela mãe de Constantino, a rainha Olga da Grécia. Augusta Vitória era extremamente religiosa e não aceitou bem a ideia de a sua cunhada se casar com um príncipe ortodoxo. Quando expôs o caso ao marido, o kaiser declarou que, se Sofia alguma vez se convertê-se à Igreja Ortodoxa, nunca mais a deixaria regressar à Alemanha. Na altura do casamento, esta questão foi resolvida, tendo-se realizado duas cerimónias, uma evangélica e outra ortodoxa. No entanto, a poucos dias do casamento, o kaiser voltou a contrariar os desejos da irmã e da mãe, quando as informou de que, ao contrário do que estava previsto, a sua esposa estaria presente na cerimónia e que os dois iam levar consigo um pastor extremamente conservador da sua confiança, Kögel, para celebrar a cerimónia evangélica. A mãe de Sofia, Vitória, escreveu uma carta indignada à sua mãe, a rainha Vitória, sobre o assunto:

"E anunciaram isto (...) sem me consultarem a mim nem a Sofia!!! Eles sabem que tanto eu como o Fritz [Frederico III da Alemanha] detestamos o Kögel e já tinha ficado combinado há vários meses que seria o capelão alemão do rei da Grécia, o Dr. Peterson (...) a realizar a cerimónia protestante!!! Eles tiveram mais de um ano para pensar e conversar sobre isto (...) O mais provável é que a Dona soubesse que eu e a Sofia não íamos concordar com isto, por isso combinaram tudo atrás das minhas costas (...) Só tenho receio que o Willy [o rei Jorge I] da Grécia fique magoado por nunca ninguém ter pedido também a opinião dele!"

O rei da Grécia acabaria mesmo por ficar ofendido com esta mudança de planos e acabou por não ir receber o kaiser quando ele chegou à Grécia. Durante o casamento, o comportamento da comitiva de Guilherme II foi considerado escandaloso, uma vez que vários dignitários alemães, incluindo o filho do chanceler Bismark, Herbert, trataram mal os membros da família real e os ministros gregos e todos ficaram aliviados quando eles se foram embora.

Nascimento do primeiro filho e conversão à Igreja Ortodoxa

A 19 de Julho de 1890, Sofia deu à luz o seu primeiro filho, um herdeiro a quem chamou Jorge. O parto não foi fácil e colocou a vida da mãe e da criança em perigo. Já antes do nascimento, a mãe de Sofia, Vitória, tinha mostrado alguma preocupação com a escolha de um médico grego para dar à luz a criança, uma vez que os médicos nos Balcãs não eram conhecidos pela sua qualidade. No entanto, mesmo após vários apelos aos sogros de Sofia, foi decidido que o nascimento do primeiro filho do príncipe e da princesa herdeiros da Grécia era um evento nacional e que a presença de médicos estrangeiros seria mal vista. Numa carta dirigida à avó de Sofia, a sua mãe afirmou que "é uma crueldade colocar a saúde e a vida da minha filha em perigo por causa de susceptibilidades nacionalistas. Não sei como pode ser benéfico para a nação grega ou para a dinastia do rei que ela tenha de sofrer mais do que o necessário por não poder receber conselhos médicos melhores".

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