Sousa é um município brasileiro no estado da Paraíba, distante 432 quilômetros a oeste de João Pessoa, capital estadual.
Situada às margens do rio do Peixe, Sousa foi primeiramente batizada "Jardim do Rio do Peixe". Fundada por Bento Freire de Sousa e pelo capitão-mor José Gomes de Sá, ambos originários de Sousa, Portugal, batizaram-na segundo o que preconizava a Carta Régia de 22 de julho de 1766, que os administradores de vilas denominassem as novas localidades com nomes de lugarejos e cidades de Portugal, o que deixa clara a origem do atual nome.
No dia 4 de junho de 1800, a vila é oficialmente instalada, sendo elevada à categoria de cidade em 10 de julho de 1854. Somente no século XX, a cidade passou por um intenso de processo de urbanização, sendo hoje, o sexto município mais populoso do estado. Nas suas primeiras décadas de existência, Sousa teve uma economia baseada na agricultura e pecuária. Com o passar do tempo, o município diversificou sua economia, destacando-se hoje na produção de coco.
A colonização da região às margens do rio do Peixe, no oeste da Capitania da Paraíba, por colonos vindos da Bahia, Pernambuco e São Paulo, ocorreu no fim do século XVII, por volta de 1691. O desbravamento dos sertões nos séculos XVI e XVII foi gradativo, exigindo dos exploradores sertanistas um grande esforço para dominar terras menos conhecidas e mais distantes do litoral. A primeira sesmaria surgiu em 29 de novembro de 1708 e foi doada a Antônio José da Cunha pelo governador da capitania, João da Maia da Gama. Em 1723, os irmãos Francisco e Teodósio de Oliveira Ledo doaram a sesmaria para a Casa da Torre da Bahia, da família d'Ávila.
Devido à fertilidade do terreno local, novos moradores foram surgindo, dando origem ao povoado de Jardim do Rio do Peixe, dentre eles Bento Freire de Sousa e o capitão-mor José Gomes de Sá, que receberam a sesmaria da Casa da Torre por volta de 1730. Com essa doação, Bento Freire idealizou a primeira capela do povoado, dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, atual Igreja do Rosário dos Pretos, construída entre 1730 e 1732.
Em 22 de julho de 1766, por Carta Régia, o povoado é elevado à categoria de vila. Em 7 de março de 1784, a freguesia de Nossa Senhora dos Remédios é desmembrada da freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal e, em 4 de junho de 1800, quase 34 anos após a criação da vila, esta é formalmente instalada com a denominação Villa Nova de Sousa.
Em 1814, no dia 25 de março, data em que a Igreja Católica celebra a solenidade da Anunciação do Senhor, ocorre o milagre eucarístico de Sousa, durante uma missa celebrada na Igreja do Rosário dos Pretos. No mesmo ano, tem início a construção da atual Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que foi paralisada a partir de 1817 pelos 25 anos seguintes.
Pela lei provincial n° 28, de 10 de julho de 1854, a vila é elevada à categoria de cidade com a denominação Sousa. Em 1859, é criado o distrito de Cajazeiras que, em 1863, é emancipado por lei provincial, tornando-se município. Neste mesmo ano é criado o distrito de São João do Rio do Peixe, desmembrado em 1881. Em 1872, ano em que foi realizado o primeiro censo demográfico do então Império do Brasil, Sousa possuía uma população de 29 726 habitantes, sendo o município mais populoso da província da Paraíba. Seu território, na época, abrangia uma extensa área do oeste da província, fazendo divisas com o Rio Grande do Norte e o Ceará. Em 1897, o agricultor Anísio Fausto da Silva descobre as primeiras pegadas de dinossauro do Brasil, na atual localidade de Passagem das Pedras.
A partir dos anos 1910, Sousa passaria por um intenso processo de urbanização. Em 1915, ano de uma grande seca no Sertão, foi construído o primeiro mercado público da cidade. Em 1922, chegam os primeiros trens à cidade, embora a estação ferroviária tenha sido inaugurada somente em 13 de maio de 1926, como parte da linha férrea que ligava Sousa ao estado do Ceará, operada pela Rede de Viação Cearense (RVC). Antes, em 27 de julho de 1924, um grupo de cangaceiros liderado por Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) invadiu e saqueou a cidade.
O ano de 1925 é marcado pela chegada da eletricidade à cidade e, em 1928, é construído o prédio que abrigaria o Grupo Escolar João Suassuna, atual Colégio Cônego José Viana e, no ano seguinte, foi erguido o primeiro açougue público municipal. Em 1933 e 1936, na localidade de São Gonçalo, são inaugurados, respectivamente, o Hotel Catete e o açude São Gonçalo, ambos contando com a presença do presidente brasileiro, Getúlio Vargas. Em 1938, começa a funcionar na cidade o Colégio São José, onde outrora funcionara a Casa da Caridade. Em 1942, é finalmente concluída a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios.
Em 12 de outubro de 1947, Sousa realiza a primeira eleição direta para prefeito, sendo eleito o candidato Emídio Sarmento de Sá. Dois anos depois, é construído o Cine Glória e Pax, cujo imóvel foi demolido em 1995. Em 1952, é inaugurada a linha ferroviária que ligava Sousa à cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Em 1955, é criado o Colégio de Economia Doméstica Rural de Sousa, a partir de 1979 Escola Agrotécnica Federal de Sousa, incorporada ao Instituto Federal da Paraíba (IFPB) em 2008.
Entre os anos de 1955 e 1957, é construída a atual Praça Capitão Antônio Vieira, por trás da Igreja Matriz e, em 1957, é construída sobre o rio do Peixe a Ponte Engenheiro Carlos Pires de Sá, permitindo o crescimento da cidade a partir da margem esquerda do rio. Em 1958 chega à cidade a Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus e é inaugurado o atual Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no mesmo local onde funcionou o Colégio São José até 1957.
Ainda em 1958, no dia 10 de janeiro, é criada a Paróquia do Bom Jesus Eucarístico Aparecido, cuja igreja original, datada de 1855, foi demolida em 1962 para permitir o prolongamento da atual Rua Coronel José Gomes de Sá. De 1959 a 1963, por leis estaduais, são desmembrados do município de Sousa os distritos de São José da Lagoa Tapada (1959), Nazarezinho (1961), Santa Cruz (1961) e Lastro (1963), todos elevados à categoria de município.
Em 1961, na administração do prefeito Francisco Gonçalves da Silva, é erguida a atual Praça do Milagre Eucarístico. Nas eleições de 11 de agosto de 1963, é eleito prefeito Antônio Mariz, por uma diferença de apenas sete votos em relação ao segundo colocado. Em sua gestão, Mariz reformou a Praça Almeida Barreto, renomeada para Praça Bento Freire, e construiu a atual sede da prefeitura de Sousa, inaugurada em 1968. Em 11 de abril de 1966, é criada a Paróquia Sant'Ana, desmembrada das paróquias Nossa Senhora dos Remédios e Bom Jesus. Em 15 de agosto de 1967, é lançada a pedra fundamental para a construção do atual Santuário Eucarístico do Bom Jesus Eucarístico Aparecido. Nas eleições municipais de 15 de novembro de 1968, vence o candidato Clarence Pires de Sá, que administrou o município de 1969 a 1973.
Em 1971, por lei municipal, é criada a Faculdade de Direito de Sousa, que foi incorporada à Universidade Federal da Paraíba (UFPB) oito anos depois e à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) em 2002. Naquele mesmo ano chega à cidade o Cine Gadelha e, em 1972, é criado o Perímetro Irrigado de São Gonçalo. Nas eleições daquele ano vence o candidato Gilberto Sarmento, contra outros cinco candidatos. Seu antecessor, Clarence Pires, foi novamente eleito em 1976. Naquele ano, foi inaugurada a estátua de Frei Damião e adotada a bandeira do município. O mandato de Clarence começou em 31 de janeiro de 1977 e durou seis anos. Em 1980, Sousa chega a 72 887 habitantes, quando, pela primeira vez, a população urbana supera a rural.
Clarence foi sucedido por Nicodemos de Paiva Gadelha (1983-1988), João Estrela (1989-1992) e Mauro Abrantes Sobrinho (1993-1996). Em 10 de julho de 1991, é fundado o Sousa Esporte Clube, que logo conquistou a segunda divisão do Campeonato Paraibano daquele ano e se tornou campeão estadual da primeira divisão pela primeira vez em 1994. Em 29 de abril desse ano, os distritos sousenses de Aparecida, São Francisco e Vieirópolis são emancipados e elevados à categoria de município e, até a presente data, Sousa mantém seu território atual. Como consequência, a população do município caiu de 79 135 em 1991 para 62 635 em 2000.