Sri Chinmoy Kumar Ghose (27 de agosto de 1931 - 11 de outubro de 2007) foi um filósofo indiano e professor (guru) que emigrou para os Estados Unidos da América em 1964. Um escritor prolífico, compositor, artista e atleta, Sri Chinmoy é mais conhecido por promover eventos públicos sobre o tema de paz interior e harmonia mundial, tais como concertos, meditações e corridas pedestres. Seus ensinamentos enfatizam o amor a Deus, meditar diariamente no coração, servir ao mundo e a tolerância religiosa arraigada na visão vedântica moderna de que toda fé é essencialmente divina.
Na Índia: os primeiros anos (1931-1964)
Ele era o mais novo dos sete filhos, tendo nascido na vila de Shakpura – distrito de Chittagong – em Bengala Oriental, hoje Bangladesh. Seus pais eram Shashi Kumar Ghosh, um inspetor ferroviário que mais tarde se tornou banqueiro, e Yogamaya Ghosh, responsável pelas tarefas do lar e dotada de um temperamento devoto. Sri Chinmoy perdeu o pai para a doença em 1943, e a mãe faleceu alguns meses mais tarde. Órfão, em 1944, o jovem de 12 anos Chinmoy juntou-se a seus irmãos e irmãs no Ashram de Sri Aurobindo, em Pondicherry, no Sul da Índia, onde os irmãos mais velhos Hriday e Chitta já viviam há algum tempo. Lá ele passou os vinte anos seguintes em práticas espirituais, incluindo meditação, estudo da literatura bengali e inglesa, esportes e serviço nos empreendimentos artesanais do Ashram.
Durante a adolescência e juventude, ele foi um corredor velocista e decatleta. Em 1955, Chinmoy se tornou secretário de Nolini Kanta Gupta – terceiro em responsabilidade pelo Ashram –, tendo inclusive traduzido muitos dos artigos de Nolini do bengali para o inglês. Chinmoy também teve seus próprios artigos sobre os líderes espirituais da Índia publicados e continuou a preencher cadernos com poemas, canções e reflexões sobre a vida no Ashram.
Em 1964, Chinmoy aceitou o convite de colegas dos EUA, emigrando para Nova Iorque com a intenção de ensinar. Ele obteve trabalho como assistente junto ao consulado indiano na seção de vistos e passaportes, sob a chefia de L.L. Mehrotra. Em 1965, Chinmoy recebeu um convite para tocar três canções no Museu Guggenheim, num evento promovido pela Asia Society. Mais tarde, no mesmo ano, começou a publicação de sua revista mensal AUM. Em 1966, Chinmoy abriu o primeiro dos que depois se tornariam mais de 100 centros ao redor do mundo – centros que ensinam meditação e filosofia espiritual, além de praticar um modesto estilo de vida.
Entre os anos de 1968 e 1970, Chinmoy ofereceu palestras nas universidades de Yale, Harvard, Cornell, Brandeis, Dartmouth e The New School for Social Research. Ele também palestrou no Japão e em outros países do oriente. Em abril de 1970, sob a sua orientação, teve início a "Meditações da Paz nas Nações Unidas", uma ONG que presta serviço ecumênico e aberto a delegados e funcionários da ONU. Os últimos meses do ano de 1970 viram a sua primeira turnê européia, que incluiu discursos em Oxford e Cambridge. Em 1971, Chinmoy já oferecia palestras mensais no auditório das Nações Unidas "Dag Hammarskjold", com o apoio do então secretário-geral U Thant.
De acordo com os escritos do professor A. Walter Dorn, em "Interreligious Insight", o interesse de Chinmoy na ONU se originava de um sentimento de que ela é o "lar-coração do corpo do mundo" e um veículo para a "unicidade universal". Seus inspiradores, Aurobindo e Nolini, acreditavam que a evolução espiritual é um processo global que requer um melhor diálogo entre as nações. Eles aprovaram calorosamente a visão do Presidente Woodrow Wilson de uma Liga das Nações, que, mais tarde, após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se a Organização das Nações Unidas. Ao passo que se tornara popular criticar a ONU por seus defeitos, Chinmoy continuou apoiando lealmente os ideais das Nações Unidas.
Por todos esses anos, ele continuou a viajar, oferecer palestras, fundar novos centros de meditação e se dedicar a diversas outras atividades. Em abril de 1975, foi oferecida uma série de sete discursos na Escola de Teologia de Harvard, dedicada à memória de John F. Kennedy. Em julho, ele conduziu a meditação de abertura na cerimônia do Dia Nacional de Oração nas Nações Unidas, bem como numa cerimônia similar em abril de 1976.
Arte, música e poesia possuem um papel importante em seu "caminho do coração". Uma estrofe freqüentemente citada, parte de uma coleção de poemas publicada em 1972, My Flute, descreve a experiência de nirvikalpa samadhi:
No mind, no form, I only exist;
Now ceased all will and thought;
The final end of Nature's dance,
Nem mente, nem forma, apenas existo.
Cessaram agora toda a vontade e pensamento.
O derradeiro fim da dança da Natureza,
Eu sou aquele por quem busquei. (tradução)
Mais um poema descreve a alma como "um Pássaro de Fogo voando no Infinito", ao passo que outro lamenta:
The blue bird is flying in the blue sky.