Subcomandante Marcos, atualmente Subcomandante Insurgente Galeano (Tampico, Tamaulipas, 19 de junho de 1957) é o porta-voz do movimento zapatista no sudeste mexicano.
Rafael Sebastián Guillén Vicente (nascido em 19 de junho de 1957) é um insurgente mexicano, ex-líder militar e porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) no atual conflito de Chiapas, e um proeminente anticapitalista e anti-neoliberal. Amplamente conhecido por seu nome de guerra inicial Subcomandante Insurgente Marcos (frequentemente abreviado para apenas Subcomandante Marcos), ele adotou posteriormente vários outros pseudônimos: chamou-se Delegado Zero durante a Outra Campanha (2006–2007), Subcomandante Insurgente Galeano (novamente, frequentemente sem o "Insurgente") de maio de 2014 a outubro de 2023, adotando este nome em homenagem a seu camarada José Luis Solís López, cujo nome de guerra era Galeano, também conhecido como "Professor Galeano". Desde outubro de 2023, ele é conhecido como Capitão Insurgente Marcos. Marcos detém o título e posto de Capitão (em inglês "Captain"), e antes disso, Subcomandante (em inglês "Subcommander"), em oposição a Comandante (em inglês "Commander"), pois está sob o comando dos líderes indígenas que constituem o Comando Geral do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena do EZLN (CCRI-CG em espanhol).
Nascido em Tampico, Tamaulipas, Marcos formou-se na Faculdade de Filosofia e Letras da prestigiada Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), e lecionou na Universidade Autônoma Metropolitana (UAM) por vários anos no início da década de 1980. Durante esse período, envolveu-se cada vez mais com um grupo guerrilheiro conhecido como Forças de Libertação Nacional (FLN), antes de deixar a universidade e mudar-se para Chiapas em 1984.
O Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) (Exército Zapatista de Libertação Nacional; frequentemente chamado simplesmente de Zapatistas) era o braço local das FLN em Chiapas, fundado na Selva Lacandona em 1983, inicialmente funcionando como uma unidade de autodefesa dedicada a proteger os povos maias de Chiapas de despejos e invasões de suas terras. Embora não fosse maia, Marcos emergiu como líder militar do grupo, e quando o EZLN, agindo de forma independente das FLN, iniciou sua rebelião em 1º de janeiro de 1994, ele atuou como porta-voz.
Conhecido por sua máscara de esqui, cachimbo e personalidade carismática, Marcos coordenou o levante do EZLN em 1994, liderou as subsequentes negociações de paz e desempenhou um papel proeminente ao longo da luta dos Zapatistas nas décadas seguintes. Após o cessar-fogo declarado pelo governo no 12º dia da revolta, os Zapatistas passaram de guerrilheiros revolucionários a um movimento social armado, com o papel de Marcos evoluindo de estrategista militar para estrategista de relações públicas. Ele se tornou o porta-voz dos Zapatistas e sua interface com o público, escrevendo comunicados, realizando coletivas de imprensa, promovendo encontros, concedendo entrevistas, proferindo discursos, organizando plebiscitos, marchas e campanhas, além de duas vezes percorrer o México, tudo para atrair a atenção da mídia nacional e internacional e o apoio público aos Zapatistas.
Em 2001, liderou uma delegação de comandantes Zapatistas até a Cidade do México para levar sua mensagem de promoção dos direitos indígenas ao Congresso mexicano, atraindo ampla atenção pública e midiática. Em 2006, Marcos realizou outra turnê pública pelo México, conhecida como A Outra Campanha. Em maio de 2014, Marcos afirmou que a persona do Subcomandante Marcos era "um holograma" e não existia mais. Muitos meios de comunicação interpretaram a mensagem como a aposentadoria de Marcos como líder militar e porta-voz dos Zapatistas.
Marcos é um escritor prolífico cujos consideráveis talentos literários foram amplamente reconhecidos por escritores e intelectuais proeminentes, com centenas de comunicados e vários livros atribuídos a ele. A maioria de seus escritos são anticapitalistas e defendem os direitos dos povos indígenas, mas ele também escreveu poesia, histórias infantis e contos populares, além de coautorizar um romance policial. Ele foi saudado por Régis Debray como "o melhor escritor latino-americano da atualidade". Traduções publicadas de seus escritos existem em pelo menos 14 idiomas.
Guillén nasceu em 19 de junho de 1957, em Tampico, Tamaulipas, filho de Alfonso Guillén e Maria del Socorro Vicente. Ele foi o quarto de oito filhos. Alfonso, um ex-professor do ensino fundamental, era dono de uma cadeia local de lojas de móveis, e a família é frequentemente descrita como de classe média. Em uma entrevista de 2001 com Gabriel García Márquez e Roberto Pombo, Guillén descreveu sua criação como de classe média e "sem dificuldades financeiras", afirmando que seus pais incentivaram o amor pela linguagem e pela leitura entre seus filhos. Ainda muito jovem, Guillén conheceu e admirou Che Guevara— uma admiração que persistiria ao longo de sua vida adulta.
Guillén frequentou o ensino médio no Instituto Cultural Tampico, uma escola jesuíta em Tampico. Ele estudou na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) durante uma época em que o Marxismo de Louis Althusser era popular, o que se reflete na tese de Guillén. Ele começou a lecionar na Universidade Autônoma Metropolitana (UAM) enquanto concluía sua dissertação na UNAM e, em algum momento durante esse período, foi apresentado às Forças de Libertação Nacional (FLN). Vários membros-chave do braço chiapaneco das FLN, que mais tarde se tornaria o EZLN, eram empregados na UAM.
Em 1984, ele abandonou sua carreira acadêmica na capital e foi para as montanhas de Chiapas para convencer a população indígena pobre maia a se organizar e lançar uma revolução proletária contra a burguesia mexicana e o governo federal. Após ouvir sua proposta, os chiapanecos "apenas o encararam" e responderam que não eram trabalhadores urbanos, e que, de sua perspectiva, a terra não era propriedade, mas o coração da comunidade.
Há debates sobre se Marcos visitou a Nicarágua nos anos que se seguiram à Revolução Sandinista ocorrida lá em 1979 e, se o fez, quantas vezes e em que capacidade. Rumores indicam que ele o fez, embora nenhum documento oficial (por exemplo, registros de imigração) tenha sido encontrado para atestar isso. Nick Henck argumenta que Guillén "pode ter viajado" à Nicarágua, embora para ele as evidências pareçam "circunstanciais".
A irmã de Guillén, Mercedes Guillén Vicente, é a Procuradora Geral do Estado de Tamaulipas e uma influente integrante do Partido Revolucionário Institucional.
Segundo o próprio, "Marcos é o nome de um colega que morreu, e sempre usamos os nomes daqueles que morreram nesta ideia de que um não morre, se a luta continuar". Esta não é uma sigla, como alguns têm sugerido, nas comunidades onde o EZLN primeiro se levantou (Las Margaritas, Altamirano, Rancho Novamente, Comitan, Ocosingo, oxchuc e San Cristobal).
Em maio de 2014 ele comunicou a "morte" do personagem Marcos para dar lugar ao Galeano, nome em homenagem a um zapatista com o mesmo nome assassinado pouco tempo antes
A sua identidade segundo o governo mexicano
Ele passou sua infância com seus pais em sua casa na colônia Lauro Aguirre, em primeiro lugar e, finalmente, na casa da rua Ébano 205, na Colônia Petrolera. Aproveitava qualquer festa infantil para atuar como mágico. Antes de enviá-lo para a escola primária, seu pai ensinou-lhe a recitar vários poemas. Sofria de asma. Aparentemente, ele era muito próximo de sua avó. Fez o primário no Colégio de Jesus Felix Rougier, administrado pelos Missionários da Santíssima Trindade, entre 1963 a 1969. Cursou o ensino secundário com os jesuítas no Instituto Cultural Tampico, de 1970 até 1976; nesta fase se destacou pela maneira de preparar os seus argumentos em sala de aula. No ensino secundário não só escreveu a propaganda das lojas de móveis para o pai ("Mueblerías Guillen, as do crédito imobiliário"), mas subiu na pick-up da empresa, e ajudou a distribuir móveis e equipamentos eletro-dométicos de casa a casa. Além de viajar muito pelo México, South Padre Island, Orlando, Nova Orleans, Las Vegas e no Canadá com sua família, viajou para a Serra Tarahumara na companhia do irmão Carlos Simon. Juntamente com o seu serviço nas colônias marginais de Tampico, é talvez uma das viagens com o maior impacto no sentido de moldar sua personalidade. Quando passou a viver na cidade para estudar na Faculdade de Filosofia e Letras na UNAM, a muito custo deixou o seu emprego na sua cidade natal, mas assim que o fez, começou a retornar apenas em ocasiões especiais, e os seus períodos de desaparecimento cresceram progressivamente. Desde 1992, nunca mais foi visto em Tampico, ou nos seus arredores. Durante uma breve estadia viveu na Espanha, especificamente em Barcelona, onde trabalhou nas conhecidas lojas de departamento El Corte Inglés.