Neste Dia

Suely Franco

Atriz brasileira

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Suely Franco Mendes (Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1939) é uma atriz brasileira. Sua carreira, que se estende por mais de seis décadas, teve início em 1960. Ao longo desse período, destacou-se pela versatilidade no teatro e na televisão, colaborando com importantes autores da cena nacional, especialmente no gênero da comédia. Os prêmios de Franco incluem três Prêmios APCA, dois Prêmios Shell e um Prêmio Qualidade Brasil. Ela recebeu indicações a um Troféu Imprensa e um Prêmio Guarani.

A carreira de Franco começou nos palcos, atuando no elenco da produção Com a Pulga Atrás da Orelha (1960) e O Beijo no Asfalto (1961), ambas com o grupo Teatro dos Sete, a primeira companhia moderna de teatro carioca fundada por nomes como Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Ela fez sua estreia na televisão com uma pequena aparição como garota propaganda da TV Tupi e atriz nos teleteatros, antes de alcançar destaque com seu primeiro grande papel na televisão como Malvina Tavares em Gabriela, Cravo e Canela (1960). Ela colaborou com os principais diretores do teatro nacional desde a década de 1960, consolidando-se como uma atriz cômica, atuando nas adaptações O Patinho Torto (1964), Os Fantástikos (1966), Onde Canta o Sabiá (1966), Deu a Louca em Hollywood (1967) e A Capital Federal (1972). Esta última lhe rendeu o Prêmio APCA de Melhor Atriz.

Franco também ganhou enorme projeção por seu papel como a fútil insegura Cordélia no drama cotidiano O Espigão (1974), sendo esta seu primeiro trabalho de destaque na TV Globo. Os anos seguintes foram marcados por personagens diversos em séries e telenovelas, que a fizeram construir uma carreira plural. Ela foi uma das protagonistas de Cuca Legal (1975), uma freira moralista em Estúpido Cúpido (1976), uma dona de casa sofrida em Marina (1980), uma ambiciosa em Jogo da Vida (1981) e uma mulher alto astral em Transas e Caretas (1984). No teatro, viveu um grande momento ao estrelar a comédia dramática Somos Irmãs (1998), pela qual recebeu o segundo APCA de sua carreira e venceu o Prêmio Shell por dois anos consecutivos.

Na televisão, Franco ressurgiu como a inocente Mimosa em O Cravo e a Rosa (2000) e obteve destaque nas produções seguintes, como Sabor da Paixão (2002), Sítio do Picapau Amarelo (2005), Sete Pecados (2007), A Favorita (2008), Cama de Gato (2009), Detetives do Prédio Azul (2014–26), A Dona do Pedaço (2019) e Dona de Mim (2025). Por esta última, recebeu a maior aclamação de sua carreira na televisão, recebendo inúmeros elogios da crítica e prêmios, como o terceiro APCA de sua carreira e sua primeira indicação ao Troféu Imprensa. No cinema, os seus principais trabalhos foram na comédia, como as franquias de Minha Mãe É Uma Peça e D.P.A. - O Filme, mas foi no drama Era o Hotel Cambridge que teve maior reconhecimento, sendo nomeada ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz Coadjuvante.

Suely tem se tornado uma das principais age symbols na luta contra o etarismo nas produções brasileiras e defendendo a escalação de atores da terceira idade em papéis de destaque e com histórias relevantes, principalmente após sua aclamada atuação em Dona de Mim (2025). Em março de 2026, a atriz entrou para o seleto grupo de artistas que assinaram contrato vitalício com a TV Globo, com contrato permanente com a emissora.

Suely Francos Mendes nasceu em 16 de outubro de 1939 no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Filha de um oficial da Marinha Mercante e de uma dona de casa, ela foi criada no bairro de Olaria, onde fez o primeiro grau e formou-se no ensino médio. Aos sete anos, realizou trabalhos em radioteatro. Desde a adolescência, interessou-se pelas artes estuando piano, aprendendo a tocar acordeão e integrando o grupo de teatro amador na escola e igreja do bairro.

Ela integrou brevemente o grupo do Teatro do Estudante, de Paschoal Carlos Magno, nos anos 1950. No início da década de 1960, passou a trabalhar como garota propaganda da TV Tupi, aparecendo no programa de variedades culturais de Jacy Campos. Nesta época, ela também começou a atuar nos teleteatros da emissora, exibidos na faixa Grande Teatro Tupi, marcando sua estreia como atriz de televisão na época em que tudo acontecia ao vivo. Suely ingressou na faculdade de Direito neste período, mas não concluiu o curso para seguir carreira de atriz.

Primeiros trabalhos (1960—1969)

À convite de sua amiga Zilka Sallaberry, em 1960 começou a fazer parte da companhia Teatro dos Sete, com quem fez sua estreia profissional nos palcos do teatro. Ela então começou a ensaiar o espetáculo O Beijo no Asfalto (1961), de Nelson Rodrigues, sob a direção de Fernando Torres ao lado de nomes consagrados como Fernanda Montenegro, Francisco Cuoco, Mário Lago e Ítalo Rossi. No entanto, enquanto ensaiava, foi convidada a substituir uma atriz na peça Com a Pulga Atrás da Orelha, ainda em 1960, com o mesmo elenco, que acabou marcando a sua estreia profissional com a direção de Gianni Ratto. Somente em 1961 O Beijo no Asfalto estreou no teatro a trazendo no papel de Dália, cunhada do protagonista Arandir.

Neste período, ela fez sua estreia na televisão como garota propaganda e atuando em teleteatros da TV Tupi. Mas em 1961, atuou em sua primeira telenovela ao interpretar Malvina Tavares em Gabriela, Cravo e Canela, adaptação pioneira do romance homônimo de Jorge Amado. Nesta versão pouco conhecida, ela deu vida à jovem rebelde à frente de seu tempo que não aceita viver seguindo as convenções da sociedade. Posteriormente, afastou-se das telas e voltou a se dedicar ao teatro. Em 1963, foi uma das protagonistas da peça Oito Mulheres, dividindo o palco com Dulcina de Moraes e Maria Fernanda, e voltou a ser dirigida por Fernando Torres na montagem Um Domingo em Nova York, novamente como protagonista.

O talento para comédia começou a ser explorado em seus trabalhos seguintes. Na comédia de costumes O Patinho Torto, em 1964, recebeu inúmeros elogios da crítica pela performance cômica. Ela foi eleita pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais como atriz revelação do ano por este trabalho, recebendo o Troféu Diário da Notícia. No mesmo ano, a atriz também tem o seu trabalhos reconhecido no musical Os Fantástikos, de Antonio do Cabo, pela qual recebeu mais um prêmio de Revelação Feminina em Musical, desta vez concedido pela premiação anual do jornal O Globo. Estes feitos a colocaram como uma das atrizes mais reconhecidas do teatro brasileiro e a projetaram para seus futuros trabalhos. Ainda em 1965, fez uma pequena aparição na novela Rosinha do Sobrado, da TV Globo, protagonizada por Marília Pêra.

Prosseguiu no teatro musical em Onde Canta o Sabiá, dirigida por Paulo Afonso Grisolli, e foi citada na lista de Melhores do Ano de 1966 promovida pelo jornal O Cruzeiro. Os trabalhos seguintes de Franco no teatro foram Deu a Louca em Hollywood (1967), de Carlos Machado, e O Inspetor Geral (1967), de Benedito Corsi. O retorno da atriz na televisão ocorreu no mesmo ano ao interpretar Marie na telenovela Anastácia, a Mulher sem Destino, escrita por Emiliano Queiroz e Janete Clair na TV Globo. Na trama ambientada na França do Século XVIII, sua personagem é a jovem criada da protagonista Rose, papel de Leila Diniz, que acaba se envolvendo com o vilão Jean-Paul (Cláudio Cavalcanti) e engravida.

Entre 1968 e 1969, ela apareceu em três peças de teatro, destacando-se nas comédias. Em 1968, atuou em A Máquina de Fazer Doido e Este Banheiro É Pequeno Demais para Nós Dois. Esteve ao lado de Alaíde Costa e Raul Cortez no espetáculo Os Monstros em 1969, onde foi dirigida por Jérôme Savary e Carlos Augusto Strazzer. Encerrou o decênio na televisão sendo contratada pela Band TV para o elenco da novela Era Preciso Voltar, onde esteve no elenco principal como Marlene.

A Capital Federal e reconhecimento nacional (1970—1979)

A década de 1970 iniciou prolificamente na carreira de Suely. Ela esteve no elenco da comédia Jorginho, o Machão (1970) no teatro, sob direção de Clóvis Bueno, onde dividiu as cenas principais com Cláudio Corrêa e Castro, Maria Isabel de Lizandra e Pedro Paulo Rangel. Franco retomou seu contrato com a TV Tupi para atuar em suas produções em 1970 e esteve em duas telenovelas no mesmo ano. Em Simplesmente Maria interpretou Suzana. Também foi dirigida por Lima Duarte na novela Toninho on the Rocks, trama que buscava retratar o fenômeno hippie da época mas foi alvo da Censura Federal.

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