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Surdo-cegueira

A surdo-cegueira é a incapacidade total ou parcial de audição e visão, simultaneamente. Assim como no caso da surdez, a

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A surdo-cegueira é a incapacidade total ou parcial de audição e visão, simultaneamente. Assim como no caso da surdez, a surdo-cegueira pode ser identificada com a cultura das pessoas que pertencem a este grupo.

Em termos de senso comum, ao falar de alguém surdo-cego, a referência mundial foram as norte-americanas Helen Keller e sua professora Anne Sullivan, como história de sucesso ao desafio de viver sem visão e audição.

A surdo-cegueira é a deficiência, em diversos graus, dos sentidos de audição e visão; isto é, o surdo-cego pode ver ou ouvir em pequenos níveis, dependendo do caso.

Com base nos estudos de McInnes, a fim de classificarmos alguém de surdo-cego é preciso que esse indivíduo não tenha suficiente visão para compensar a perda auditiva, ou vice-versa, que não possua audição suficiente para compensar a falta de visão.

Vários autores (tais como Writer, Freeman, Wheeler & Griffin, McInnes) defendem a surdo-cegueira como única, não como a soma de dois comprometimentos sensoriais.

Segundo o ponto de vista sensorial de Miles e Riggio, surdos-cegos podem ser:

indivíduos surdos profundos e cegos;

indivíduos surdos e têm pouca visão;

indivíduos com baixa audição e que são cegos;

indivíduos com alguma visão e audição.

História da educação dos surdos-cegos

Victorine Morriseau é apontada como a primeira surda-cega instruída formalmente, em Paris (1789), pelo que França foi pioneira na instituição formal para esta população, na Europa.

Julia Brice, americana, surda e cega, aos quatro anos e meio entrou para o asilo de surdos e mudos de Hartford, em 1822, tendo aprendido a comunicar por gestos (não há, no entanto, registo sobre aprendizagem de leitura e escrita).

Em 1829, Laura Bridgman, que havia sido educada na Escola Perkins, nos Estados Unidos, teve influência e contribuiu para o desenvolvimento de programas educativos em diversos países, como por exemplo, a Alemanha, em 1887. A educação de Laura incluiu a utilização da dactilologia para transmitir os conhecimentos da leitura e da escrita.

O caso mais conhecido é de Hele nKeller, que foi educada a partir dos sete anos, em 1887, pela professora Anne Mansfield Sullivan, que era parcialmente cega. Antes da sua educação formal, Keller apresentava comportamentos agressivos, tais como dar pontapés, beliscar as pessoas, empurrar, bater, era desastrada e recusava ser guiada. Keller conta que "teve de ser levada à força para a primeira aula; não compreendia a obediência e nem apreciava a bondade". Devido a este comportamento, a professora optou por iniciar a educação por ensinar a soletração do alfabeto dactilológico na palma da mão, relacionado a palavra à ação, e/ou vice-versa. Durante três anos Keller aprendeu esse alfabeto, conseguindo assim distinguir vários substantivos, depois os adjetivos, seguidamente os verbos. No entanto, para Helen, as palavras não continham qualquer ligação. Só aos poucos a aluna principiou a formular algumas perguntas simples; começou a controlar os seus impulsos e a ser aceite socialmente. Com Keller, o procedimento de ensino adaptado consistiu em despertar nela o interesse por conhecer e admirar a natureza.

Eugenio Malossi, surdo-cego aos dois anos em decorrência de meningite, foi educado em Itália, por um professor que lhe ensinou artesanato e mecânica. Aprendeu ainda vários idiomas e o sistema braile.

Olga Ivanova ficou cega, surda e paralítica aos quatro anos. Doutorou-se em Psicologia e Ciências Pedagógicas.

Por norma, todos os casos de sucesso no processo de educação formal relatados na literatura convencional são de indivíduos que perderam a visão e a audição após a aquisição de linguagem e cuja surdo-cegueira foi decorrente de varíola, meningite, síndromes ou traumatismos.

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