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Sviatoslav Richter

Pianista soviético (1915–1997)

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Sviatoslav Teofilovich Richter (Jitomir, 20 de março de 1915 – Moscou, 1 de agosto de 1997) foi um pianista soviético. Considerado um virtuoso, Richter tinha um repertório muito amplo, variando de J.S. Bach e Haydn até Debussy e Shostakovich. É também tido como um dos mais importantes pianistas do século XX. Seu nome em ucraniano é Святослав Теофілович Ріхтер e em russo Святосла́в Теофи́лович Ри́хтер.

Richter tinha um espírito independente, preferia seguir os seus instintos a aprender com outros pianistas e, por isso, as suas interpretações são únicas. No entanto, ele podia interpretar uma obra magnificamente bem ou, segundo ele mesmo admitia, como um aluno medíocre. A sua obsessão pela qualidade e perfeccionismo tornou-o um crítico feroz, sobretudo dele mesmo.

Quando criança, Richter teve a sua introdução musical dada pelo seu pai, Teofil Danilovich Richter (1872–1941), que era um organista que emigrara da Alemanha para a Rússia; desde cedo, Richter mostrava-se autodidata e assim foi desenvolvendo a sua técnica excepcional, tocando as músicas de que mais gostava. Aos oito anos, ele tocava passagens de óperas (principalmente de Wagner, Tchaikovsky e Verdi), costume que manteria quando adulto em reuniões informais com amigos. Richter cresceu em Odessa onde seu pai lecionava no Conservatório; lá, ele convivia com Emil Gilels e David Oistrakh, que futuramente se tornariam parceiros de concertos.

A sua primeira apresentação em público aconteceu em 19 de fevereiro de 1934, em Odessa; o repertório incluía obras a solo de Chopin, como a Balada nº 4, Polonaise-fantaisie, e Scherzo em Mi Maior, e uma seleção de noturnos, estudos, prelúdios, todas obras de grande dificuldade. O recital foi um sucesso e sua carreira como virtuoso havia começado.

Em 1937, Richter partiu de Odessa para Moscou para estudar com o grande pianista e pedagogo Heinrich Neuhaus; ele não havia feito o exame para o ingresso no Conservatório, apenas perguntou para Neuhaus se ele poderia ser seu tutor. Após Neuhaus ouvi-lo tocar, ele declarou: "Aqui está o aluno que estive esperando durante toda minha vida. Na minha opinião, um gênio". Neuhaus declarou ainda que ele nada tinha a ensinar a Richter, mas mesmo assim o aceitou como seu pupilo.

Em 26 de novembro de 1940, quando ainda era um estudante do Conservatório de Moscou, Richter fez a sua estreia na cidade. Em sua primeira apresentação para o público, ele interpretou a Sonata No. 6 de Prokofiev, que causou uma grande impressão da plateia e do próprio compositor. Quando Prokofiev acabou de escrever a sua Sétima Sonata, em 1942, ele a deu para Richter estrear. Em janeiro do ano seguinte, Richter a executou, sendo que aprendeu essa peça complexa em apenas 4 dias. A partir daí, nasceu uma amizade que duraria até a morte de Prokofiev, em 5 de março de 1953; Richter também estreou as últimas Sonatas No. 8 e 9 de Prokofiev, as quais foram dedicadas pelo compositor ao pianista.

A primeira vitória em competições aconteceu em 1945, no "Encontro dos Estudantes da União (Soviética)". O júri era encabeçado pelo compositor Dmitri Shostakovich, que mais tarde escreveu: "Richter é um fenômeno extraordinário. Toda arte musical é acessível para ele".

Em 1949, Richter venceu o Prêmio Stalin, recebendo todos os tipos de reconhecimentos não-oficiais do governo soviético.

Em 1958, Richter desempenhou o papel de jurado na primeira Competição Tchaikovsky, em Moscou; Richter ficou tão impressionado com a interpretação de Van Cliburn que atribuiu 100 pontos como a sua nota final, quando o máximo permitido era 10 pontos, e deu nota 0 aos restantes dos participantes. Van Cliburn venceu a competição, mas Richter nunca mais foi chamado para fazer parte de juri novamente.

O Ocidente teve a primeira oportunidade de ouvir Richter através de gravações dos anos 1950, e sua reputação diante dos críticos cresceu rapidamente. Em 1955, Gilels fazia apresentações pelos EUA e certa vez ele respondeu às críticas que havia recebido sobre as suas atuações: "Esperem até vocês ouvirem o Richter!".

O empresário Sol Hurok tentou organizar uma turnê para Richter nos Estados Unidos, mas apenas alguns anos depois o governo soviético permitiu. Durante a década de 1950, Richter viajou para os países soviéticos do Leste Europeu. Apenas em maio de 1960, foi autorizado a viajar para o Ocidente, mas no máximo até Helsinque na Finlândia. Cinco meses depois, ele finalmente fez a sua estreia em Chicago. Ele tocou o Concerto para Piano n.º 2 de Johannes Brahms, sob a regência de Erich Leinsdorf. Uma gravação foi feita no dia seguinte, que permanece no seu catálogo. A sua estreia em Nova York consistia em uma série de sete recitais em 10 dias no Carnegie Hall em outubro de 1960.

No entanto, Richter preferia fazer os seus concertos para o público do Leste Europeu, apesar do baixo pagamento que variava em torno de cem a duzentos dólares por concerto. Ele dizia: "prefiro o entusiasmo das plateias de Novokuznetsk às aclamações artificiais de um Carnegie Hall, de Nova York".

Por causa do seu sucesso, Richter passou a ser muito solicitado para apresentações e gravações. Ele viajou pelo mundo todo e atuou nas orquestras mais importantes, mas rapidamente decidiu que não queria continuar com este estilo de vida. Estava contra a sua natureza assumir compromissos com anos de antecipação. Ele preferiu seguir a sua intuição e assim explorar novos repertórios.

Em 1964, a família van de Velde, Richter e o produtor de gravação da EMI, Jacques Leiser, criaram um festival anual na França, Fêtes Musicales en Touraine em Meslay. Assim, Richter deveria passar cada verão em companhia francesa para dar alguns recitais com seus colegas músicos, como Benjamin Britten, David Oistrakh e Pierre Fournier; Richter gostava tanto da França que passou cerca de trinta verões ali.

Nos tempos livres, Richter dedicava-se à pintura. Pintou algumas esplêndidas aquarelas. Richter não era apegado a bens materiais, sendo que doou dezenas de seus quadros ao Museu Pushkin, no qual atualmente se encontram na Sala Richter. Richter viveu uma vida precária e segundo Francis van de Velde, "quando ele necessitava de dinheiro, ele dava um concerto". Certa vez, disse que "a música deve ser dada de graça àqueles que a amam", mas logo completou: "os empresários não vão gostar da ideia".

Richter também fez uma aparição como regente em 1952, fazendo uma apresentação da Sinfonia-Concerto de Prokofiev, que fora dedicada a Mstislav Rostropovich. Richter temia que nunca mais poderia voltar a tocar por causa de uma pequena ferida sofrida em um dos dedos, e assim estudou regência por algumas semanas; no entanto, o seu dedo recuperou-se rapidamente e logo ele voltou para o cargo de pianista.

Richter não gostava de telefones porque ele não conseguia ver a pessoa com quem estava falando. Ele também não gostava de aviões e preferia viajar por trem ou carro, no entanto, admitia que gostava de viajar; em 1986, ele percorreu a estrada de Moscou até Vladivostok de carro, e deu concertos em muitas pequenas cidades ao longo do caminho. Aproveitou a viagem e levou a sua arte para pequenos povoados da Sibéria, em uma época em que muitos de seus colegas deixaram de fazer apresentações.

Durante os últimos anos de sua vida, ele ganhou a reputação de artista que cancelava seus compromissos na em cima da hora, sem avisos prévios. Seu último concerto foi em Lübeck na Alemanha, em março de 1995 (na época, tinha oitenta anos). Em seu programa, tocara três sonatas de Haydn e as Variações sobre temas de Beethoven, de Max Reger. Richter morreu em Moscou em 1 de agosto de 1997, aos 82 anos, vítima de um ataque cardíaco.

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